Entrevista com o Dr. Silvio Póvoa Jr., cardiologista

Jair Rodrigues Garcia Júnior

Dr. Silvio atua como cardiologista em dois dos principais hospitais de São Paulo
Dr. Silvio atua como cardiologista em dois dos principais hospitais de São Paulo

Sua formação
Sou médico formado pela Universidade Federal de Uberlândia, especialista em Clínica Médica pela USP (Universidade de São Paulo) Ribeirão Preto, residência em Cardiologia e Fellow (“treinamento avançado”) em Cardiologia do Esporte, ambos no Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia. Atua como cardiologista em dois dos principais hospitais de São Paulo.

A partir de qual idade se torna imprescindível consultar o cardiologista?
A ideia é sempre ter um profissional de saúde que faça seu acompanhamento clínico. Sabemos que alguns fatores de risco para doenças cardiovasculares podem ser assintomáticos, de forma que a avaliação periódica pode ajudar no reconhecimento e tratamento dessas condições. Vale lembrar que o acompanhamento clínico também é uma janela de oportunidade para avaliação de hábitos. A avaliação de rotina de exercícios, alimentação, sono, stress, hábitos também importa muito. 

Quais são os cinco principais fatores de risco para problemas do coração?
Vou me permitir responder oito. A American Heart Association - AHA tem um posicionamento bem interessante que eles chamam de Essential 8, elencando oito fatores de risco para doenças cardiovasculares: alterações do colesterol e triglicérides, alterações da glicemia (pré-diabetes e diabetes), hipertensão arterial sistêmica, sedentarismo, obesidade, tabagismo, alimentação inadequada e alterações do sono. 

O uso de hormônios com fins estéticos em doses suprafisiológicas se associa com risco quase três vezes maior de mortalidade

Quais são os três principais fatores protetores do coração?
Exercício físico sem dúvidas é o principal. Nenhum dado importa tanto para saúde global quanto capacidade física. Importante também um padrão alimentar adequado e não fumar. 

Houve aumento das mortes de adultos jovens por problemas do coração? A que se deve?
Há um aumento da incidência de doenças cardiovasculares nos últimos anos. A pandemia da Covid-19 acabou promovendo uma alteração na análise desses dados, uma vez que a infecção pela Covid se associou com aumento do risco de eventos cardiovasculares. Dados anteriores à pandemia mostravam uma tendência de aumento de doenças cardiovasculares, atribuíveis a questões de doenças (hipertensão arterial e colesterol LDL alto, por exemplo), ambientais (poluição) e habituais (tabagismo, consumo de álcool, sedentarismo). 

Essa tendência de uso de hormônios “sem indicação terapêutica” é um risco para o coração?
Sem dúvidas. O uso de hormônios com fins estéticos em doses suprafisiológicas (aquelas que não são apenas para “terapia de reposição”) se associa com risco quase três vezes maior de mortalidade. Isso é muito significativo. Além disso, sabemos por meio de estudos observacionais, que há aumento de risco de doença coronariana, insuficiência cardíaca e arritmias como fibrilação atrial. 

Corrida ou musculação? Qual é o melhor exercício para o coração?
A combinação dos dois. Inclusive um acaba ajudando o outro. Diferentes exercícios geram diferentes adaptações e colecionar os benefícios dos dois é o melhor dos mundos. Tanto o ganho de capacidade física aeróbica quanto de massa muscular estão associados com benefícios cardiometabólicos a curto, médio e longo prazo, promovendo prevenção cardiovascular, aumento de tempo e qualidade de vida. 
Dr. Silvio é praticante regular de natação. Acompanhe seu conteúdo em @drsilviopovoajr.

 

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