“As pessoas querem o básico bem feito. É ter emprego e renda, para ter dignidade”

FÁBIO SATO (MDB) - CANDIDATO A PREFEITO DE PRUDENTE

Eleições - GABRIEL BUOSI

Data 27/10/2020
Horário 05:30
Cedida - Fábio é candidato a prefeito de Prudente pelo MDB
Cedida - Fábio é candidato a prefeito de Prudente pelo MDB

O Imparcial dá sequência a uma série de entrevistas com os candidatos a prefeito de Presidente Prudente. A partir de um sorteio realizado com representantes dos concorrentes, foram decididas as datas das entrevistas, que ocorreram entre os dias 1º e 9 de outubro, e as datas das publicações, sempre às terças e quintas-feiras, entre 13 e 29 de outubro. A entrevista de hoje é com o candidato Fábio Sato, do MDB (Movimento Democrático Brasileiro), que aos 40 anos busca a eleição ao lado de Jailton Santiago, nome escolhido para ocupar o cargo de vice-prefeito.
Para esta sabatina com os candidatos foram acordadas oito perguntas, sendo seis delas iguais para todos e outras duas que devem levar em consideração as experiências sociais e políticas do candidato. Solteiro e com ensino superior completo como grau de instrução, Fábio segue com a coligação “Mudar de Verdade”, composta pelos partidos MDB/Cidadania/Republicanos. Confira abaixo a entrevista.

Caso receba a confiança do eleitorado prudentino para ocupar a cadeira, qual deverá ser o projeto carro-chefe dentro do seu plano de governo? 
Eu estudo a questão da cidade há oito anos, fiz uma pós-graduação na área também e fiz mais de mil visitas a casas e empresas durante esses oito anos. Quando você faz centenas de vezes a mesma coisa, você acaba ficando bom naquilo, como se fosse um esporte, e em uma campanha eu vejo muita similaridade nisso, pois eu ouvi mais de 15 mil pessoas em Presidente Prudente, e a partir dessa experiência, construí um plano de governo. O resumo disso é: o prudentino gosta de viver na nossa cidade, que é boa para se viver, mas nosso maior problema é o desenvolvimento, as pessoas precisam de emprego e renda, que são as maiores dificuldade e desafios para a próxima gestão. Percebi ainda que as pessoas querem um governo próximo do povo, um prefeito presente e junto da população, o que pode ser o maior legado de um prefeito. As pessoas querem se sentir ouvidas e Prefeitura não é o prédio, mas onde o prefeito e povo estão. Dito isso, nossos plano de governo é: proximidade com a população, manutenção e zeladoria com o município. As pessoas querem o básico bem feito. É ter emprego e renda para ter dignidade. 

Os alagamentos no Parque do Povo são um problema frequente no município. Em julho deste ano, um empréstimo no valor de US$ 46,8 milhões foi aprovado junto ao Fonplata (Fundo Financeiro para o Desenvolvimento da Bacia do Prata) e o processo, entre outros fatores, depende agora da contrapartida de 20% acordada em contrato. Se eleito, pretende dar andamento às negociações com o Fonplata? Como pretende viabilizar as obras para sanar esse problema tão antigo na cidade?
Eu acredito que esse empréstimo seja viável, pois são obras essenciais, e a cidade cresceu e falta agora a infraestrutura adequada para interligar os bairros. Primeiro, o Parque do Povo é nosso cartão-postal, é o espaço mais democrático da cidade e fica exatamente no centro da cidade, com fácil acesso a todos os bairros. Mas, antes de falar das enchentes, preciso falar do local. O Parque do Povo é belíssimo, onde as famílias vão, as pessoas praticam esportes e me questiono: quem é o gerente do Parque do Povo? Por incrível que pareça, não temos um gerenciamento do parque e pela sua grandeza, vamos implantar um gerenciamento exclusivo, sendo muito mais bem cuidado com atividades socioculturais e esportivas diariamente. Com relação ao alagamento é simples, mas complexo. Simples porque um estudo técnico e um corpo de engenheiros vão mostrar qual a melhor obra para resolver definitivamente essa questão. Essas ideias precisam ser feitas por um corpo técnico e cabe ao prefeito escolher o melhor projeto, e o empréstimo está dentro desse orçamento. 

Há relatos de empresas que desistem de se instalar em Presidente Prudente ou até mesmo migram para municípios ou Estados vizinhos por alegarem falta de incentivo fiscal. Isso, além de prejudicar a arrecadação do município, consequentemente tem impactos na geração de empregos e em toda a cadeia produtiva. Quais serão as propostas para que empresas se sintam atraídas a virem ou permanecerem em Prudente?
Faltando poucos dias para a abertura das urnas, algumas verdades precisam ser ditas. Analisando o contexto do desenvolvimento de Prudente, eu digo que a Secretaria de Desenvolvimento, por muitos anos, foi usada como moeda de troca política nos acordos que se fazem nas coligações e isso atrasou a mentalidade empreendedora da Prefeitura. Quando se usa essa moeda de troca, a pasta estagna. Perdemos a capacidade de ser uma cidade atrativa, atraente e que dialogue com o empresário. Quem gera empregos faz contas, e se você não tem incentivo e diálogo, você busca no vizinho. Para finalizar esse assunto, cito uma coisa muito chata. Aquele Distrito Industrial Achiles Ligabô, eu conheci e conversei com alguns empresários, isso é uma denúncia grave, que foram procurados pela Prefeitura em outras gestões e que na época foi solicitada propina para que eles se instalassem por lá. A corrupção gera desemprego e temos que acabar com isso em Prudente definitivamente. 

Prudente, ao longo dos anos, ainda não conseguiu encerrar as atividades do aterro sanitário. Enquanto isso, a atual gestão aposta no Cirsop (Consórcio Intermunicipal de Resíduos Sólidos do Oeste Paulista) para reverter a problemática dos resíduos urbanos. Como pretende resolver a situação e levar as negociações adiante?
A questão do lixo em Prudente é uma questão 100% técnica. Precisa ser tratada por especialistas nas áreas. Nosso aterro atual tem capacidade para mais dois anos ou dois anos e meio para receber lá de acordo com a atual situação do espaço. Produzimos por dia aproximadamente 200 toneladas de lixo, então, é uma situação grave, Prudente precisa sentar numa mesa e ver quais são as melhores opções. A construção de uma usina de tratamento de resíduos sólidos na cidade é uma opção, a que mais me agrada no momento, temos tecnologia para isso e que garante que o lixo vire energia e reciclagem, gerando dinheiro. Menos de 5% do resíduo sólido de Prudente é reciclado e precisamos trabalhar a educação ambiental nas escolas e criar um programa municipal de reciclagem. Temos que ver: é melhor aderir um consórcio, construir um próprio? O que precisa é resolver isso definitivamente. 

O que o senhor promoverá, no âmbito financeiro, para equilibrar os cofres públicos?
É um assunto bem interessante, pois isso não é um problema apenas de Prudente. Precisamos administrar a escassez. É preciso enxugar a atividade meio. Prudente gasta hoje mais de R$ 200 mil por mês com aluguel de prédios. Então, esse número pode ser diminuído, temos muitas áreas públicas da Prefeitura que estão paradas e podem ser adaptadas e você constrói lá esse espaço e deixa de pagar aluguel. Quando você paga R$ 40 mil, como é o caso de um barracão, todos os meses, é um custo ao município. Ou seja, é enxugar a atividade meio e fazer mais na ponta, que é no bairro, onde o povo mora. Aproveitando esse gancho, se você tirar o povo do centro da atenção o tempo todo, você perde a razão de existir, você tem que colocar o orçamento o mais próximo da população, a atividade meio acaba corroendo a nossa riqueza. 

Em fevereiro deste ano, o Jornal O Imparcial noticiou que a Prefeitura estudava, à época, a privatização da Cidade da Criança, que hoje tem gestão compartilhada. Se eleito, o senhor tem a intenção de abrir esse e outros espaços da cidade para a iniciativa privada ou acredita que o município deve continuar arcando com os custos?
Poucas pessoas na cidade tem noção no que a Cidade da Criança é em potencial. Sou capaz de afirmar para todos os eleitores que a Cidade da Criança é capaz de fazer uma verdadeira revolução econômica e turística em Prudente, já que a água que passa aqui é a mesma que passa em Olímpia. Temos condição de transformar o local em um imenso parque aquático, capaz de atrair turistas do país todo. E toda a área em volta pode ser urbanizada e fazer loteamentos de ranchos, chácaras e temos potencial muito grande. Vamos lapidar isso com a parceria público-privada. A gestão não pode ficar na mão do poder público, que não tem o DNA de fazer gestão de parques. 

Prudente é também conhecida por ser um grande celeiro de atletas. Quais são as suas propostas para fomentar o esporte local e garantir a valorização dos atletas prudentinos?
Eu acabei de sair de uma reunião justamente com pessoas ligadas ao esporte e fiz isso algumas vezes durante essa eleição. Se juntar os oito anos que tenho de treinamento para ser prefeito, e eu treinei bastante, o esporte é uma pasta extremamente sensível, pois, assim como a de desenvolvimento, também foi usada por um período como moeda de troca política. E o esporte é uma pasta maravilhosa a ser explorada, temos história, raiz e um potencial imenso para fazer o esporte como um instrumento tanto da educação como do lazer e alto rendimento. Temos pessoas extremamente capacitadas a reescrever a história do esporte de Prudente. Nossa equipe está sendo agraciada com muitas ideias, a mudança precisa ser total. Aproveito para dizer que a reestruturação da Prefeitura será 100%. Não temos ideia de aproveitar nenhum secretário dessa gestão ou cargo comissionado, a mudança é para valer. 

Por qual razão o eleitor deve colocar a máquina pública em suas mãos?
Eu deixo essa resposta para o eleitor. Se ele sentir que estou sendo sincero e verdadeiro, ele vai confiar o voto em mim. Faz oito anos que estou tentando furar a bolha em Prudente, sou uma pessoa que não tem acordo político, não tenho padrinho político, que hoje tem 40 anos, mas que aos 14 estava com a carteira de trabalho assinada, aos 16 anos foi para o Japão trabalhar com linha de produção, e antes dos 30 já tinha assinado dezenas de carteiras de trabalho como empregador. Sou um lutador e apaixonado pela nossa cidade, eu estudei Prudente por oito anos, fiz mais de mil visitas, olhei no olho de mais de 30 mil prudentinos. Essa não é a eleição de você falar palavras bonitas, mas é a eleição da verdade. Precisamos de união, e tomo a decisão de falar diretamente com o candidato Ed Thomas, que preciso dele como deputado, pois ele não ganhando a eleição, no outro dia volta a ser deputado, e precisamos de representantes na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, e preciso dele, se eu for eleito, para fazer a cidade crescer. 

Calendário de divulgação das entrevistas feito por meio de sorteio

13 de outubro 
- Nelson Roberto Bugalho (PSDB) 
- Glauco José Bazzo (PTC) 

15 de outubro
- Juliano Borges (Podemos)
- João Felício Figueira (PRTB) 

20 de outubro
- José Lemes Soares (PDT)
- Luís Valente (PT)

22 de outubro 
- Marcos Lucas (Avante)
- Ed Thomas (PSB)

Hoje
- Fábio Sato (MDB)
- Guilherme Piai (PSL) 

29 de outubro
- Laércio Alcântara (DEM)
- Paulo Lima (PSD)

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