Cotidiano

Universidades estaduais precisam ser apoiadas

Marcos Alegre • 04/10/2018 04:06:00

Lideres eleitos não se comprometem com os valores democráticos como o atual presidente dos Estados Unidos, com inclinações autoritárias. Isso é lá com eles. Por aqui, agora, vou tratar de defender as universidades públicas estaduais paulistas como a USP (Universidade de São Paulo), Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e Unesp (Universidade Estadual Paulista), que são um dos maiores patrimônios financiados com recursos provenientes da arrecadação estadual ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias d Serviços) e cumprem, com excelência, a missão de formar pessoas altamente qualificadas e promover o avanço tecnológico e de transferir os resultados de suas pesquisas para a sociedade na forma de produtos, serviços e políticas públicas.

É necessário que a população de São Paulo compreenda a importância estratégica das atividades que essas universidades desempenham nas 31 cidades do Estado em que estão presentes, e que defenda a manutenção das condições que tem garantido o sucesso das três universidades. Lutar a favor das estaduais paulistas significa lutar a favor de São Paulo e do Brasil, para cujo desenvolvimento social e econômico elas vêm contribuindo há décadas de maneira intensa e decisiva. As três universidades compõem um sistema de ensino superior coeso, robusto e eficiente, e oferecem formação da mais alta qualidade para mais de 120 mil alunos na graduação e 62 mil na pós-graduação. Além disso, respondem por 35% da produção cientifica nacional e ainda prestam serviços fundamentais para as populações de São Paulo e de outros Estados.

De qualquer maneira, estas universidades são as melhores da América Latina. Eu, pessoalmente, posso afirmar que isso tudo é verdade, pois trabalhei na Unesp desde 1963, inclusive tive a honra de receber o galardão de professor emérito na unidade de Presidente Prudente. É verdade, também, que manter-se no topo custa caro em qualquer lugar do mundo. Na condição de diretor sei dos esforços que os reitores vêm fazendo para operar com orçamentos deficitários, sem comprometer a qualidade de suas atividades de ensino, pesquisa e extensão. Nos últimos anos as despesas têm aumentado, sobretudo por causa da inflação. A saída tem sido o corte de gastos e buscar formas mais eficientes de usar os recursos disponíveis, sabendo-se que o governo de São Paulo destina os mesmos 9,57% do ICMS desde 1995.

Neste momento, por medida provisória, as universidades receberam algum alento, porém ainda insuficiente, mesmo porque as nossas universidades cresceram de forma considerável nestes 25 anos, tanto na área física como em quantidade de cursos oferecidos aos alunos matriculados, que aumentou 75,7% na USP, 98,8% na Unicamp e 93,7% na Unesp. Afinal, para que um país cresça de maneira integrada a universidade surge como um caminho para formar cidadãos autónomos, tornar a nação mais independente no governo de seus destinos. É bom informar que as três universidades oferecem cotas raciais e sociais que representam a oportunidade de pessoas mais pobres cursarem uma universidade.

Agora, em tempo de eleições majoritárias, a população paulista deve ter sempre em mente a força transformadora das três universidades, ficar atenta para os discursos dos candidatos e escolher, na hora do voto, aquele que parece ser o mais sincero. Lembrando que apoiar a USP, a Unicamp e a Unesp é apoiar o desenvolvimento de São Paulo e do Brasil e, por isso, a fonte de recursos das instituições deve ser mantida e, quando for possível, aumentada. É o que vamos cobrar do governador que for eleito nestas eleições.

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