Sonho e esperança

Sandro Rogério dos Santos • 31/12/2018 04:10:00

“Quando o dia da paz renascer,/ quando o sol da esperança brilhar,/ eu vou cantar./ Vai ser tão bonito ouvir a canção/ cantada de novo,/ no olhar do outro a certeza do irmão” (Zé Vicente). Tenhamos sonhos e ideais, não ilusões. Busquemos a vida e a paz, não pensando em nós mesmos, mas nos outros, todo-o-outro. De que adianta ganhar o mundo inteiro e perder a vida? De que adianta conquistar com sangue a paz para si e viver com a consciência turvada?

Dos meus muitos limites, um grande é falar apenas a língua portuguesa. Lembro-me, entretanto, de ter tratado com amigos colombianos sobre o uso de “ilusión” –que, na língua espanhola, embora exista a palavra “sueño”– é usada para sentidos diversos: 1) “Estado de ánimo de la persona que espera o desea que suceda una cosa”; 2) “Cosa que se percibe como real siendo imaginaria”; 3) “Esperanza sin fundamento real”.

Atualmente fala-se bastante em ‘customizar’, fazer do seu jeito (ou ainda, personalizar, adaptar, adequar). Prática disseminada por ambientes diversos: de chinelos e roupas até fé customizada. A esperança parece objeto raro em nossos dias. A confiança em Deus se transformou em poder do pensamento, acreditar em si, na própria força. Se você mentaliza, acontece. Não à toa, há pessoas acreditando que num momento de extrema dificuldade basta usar a varinha mágica da oração e tudo se resolverá num ‘”irlimpimpim”.

Um povo iludido acredita-se sonhador e esperançoso. Basta um simples romper da bolha e logo se vê um povo desencontrado, atirando a esmo, tentando se localizar. Seria bom voltarmos ao fundamento da nossa esperança: Jesus de Nazaré. Seria bom deixá-Lo falar e atuar em nós e no mundo. Seria bom viver da utopia do Seu Reino, que é “um reino eterno e universal: reino da verdade e da vida, reino da santidade e da graça, reino de justiça, do amor e da paz” (Prefácio Cristo-Rei).

“Eu fico com a pureza da resposta das crianças: é a vida, é a vida, é bonita e é bonita... Viver e não ter a vergonha de ser feliz. Cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz” (Gonzaguinha). Sim, será muito bonito quando renascer o dia da paz! Fico a pensar o que expressam as músicas que ouvimos hoje. Indicam os nossos sonhos, utopias ou somente medos, letargia, rancor e raiva? “Vem, vamos embora, que esperar não é saber...” Vamos sonhar, cantar, semear a alegria, a vida, a bondade, a virtude... o amor.

São felizes não somente os que têm, mas os que não sentem a necessidade de ter. Quem tem precisa defender-se e com isso aprisiona-se nessa tarefa. Há pouca liberdade, embora, aparentemente se possa ir aonde pretende. Mesmo vivendo desconfiado e com seguranças, grades, muros e câmeras... a sociedade atual está nos cansando [já tratei disso no texto “sociedade cansada”]. Libera-nos de amarras para vender-nos a ilusão de que somos livres. Ficamos aprisionados a nós mesmos.

Queremos altos padrões de eficiência. Precisamos continuamente produzir. Precisamos ser notados, queridos, amados... E ainda assim, precisamos dizer como num mantra: “sou livre”. Ah! Mas me queixo da falta de tempo, de dinheiro, de relações sinceras, de gente confiável. Mas, “sou livre”, posso fazer o que eu quiser. Ah! Ou será que sou apenas um tolo? “Quando a voz da verdade se ouvir e a mentira não mais existir será enfim, tempo novo de eterna justiça sem mais ódio, sem sangue ou cobiça, vai ser assim...” Afinal, o novo sempre vem.

Seja bom o seu dia [os festejos de ano-novo] e abençoada a sua vida. Pax!!!

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