Jovens eleitores

Prudente terá 2.702 votantes entre 16 e 18 anos

SANDRA PRATA • 03/10/2018 09:48:00

As eleições ocorrem neste domingo e embora o voto só seja obrigatório a partir dos 18 anos, os jovens acima de 16 já podem exercer o direito de maneira facultativa. Segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), neste pleito, Presidente Prudente contará com 2.702 eleitores entre 16 e 18 anos. Já no Estado de São Paulo, a faixa etária abrange 611.116 votantes. Para saber um pouco mais sobre a importância das novas gerações se inserirem no meio político e se posicionarem, a reportagem contatou os chefes de cartório da 101ª e 402ª ZEs (zonas eleitorais) de Presidente Prudente e o advogado docente de sociologia jurídica, Renato Herbella.

Segundo a chefe de cartório da 402ª ZE, Letícia Macoratti de Castilho, é perceptível um aumento de interesse dos jovens com eleições nos últimos anos. De acordo com ela, é comum ver esse público em busca do primeiro título de eleitor. Na maioria das vezes, é por orientação e influência dos pais, que já “possuem uma consciência política e entendem a importância da participação”, relata. Já Fabiano de Lima Segalla, chefe de cartório da 101ª ZE, pensa o contrário. Conforme ele, embora não seja uma diferença notória, pode-se observar certa diminuição de jovens em busca da inserção em assuntos relacionados à política. Ele denota que o “desencanto” com o atual cenário do Brasil e a falta de estímulo cultural são os fatores primordiais para este cenário.

Além desta razão, o chefe de cartório faz um comparativo com gerações passadas em episódios políticos como “Diretas Já” e o impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello. “Os jovens sempre estiveram na frente desses movimentos, e a geração de hoje se destoa disso. Não é algo comum, não está nas pautas das escolas ensinar política, ajudá-los a compreender o sistema eleitoral, que é algo complexo. Então, acho que a soma desses fatores resulta em um desinteresse”, considera Fabiano.

Porém, em uma situação ambos concordam: que os jovens devem ser mais presentes nas escolhas dos representantes políticos. De acordo com Letícia, a única forma de melhorar uma sociedade é ajudando nesta escolha. Fabiano complementa ao dizer que as escolhas de hoje refletem no futuro. “Se pensarmos que os jovens de hoje serão os adultos de amanhã, eles estarão votando para escolher o próprio futuro”, pontua.

JOVENS NA POLÍTICA

De acordo com o professor de sociologia jurídica da Toledo Prudente Centro Universitário, Renato Herbella, a participação política é essencial para a construção da cidadania e a partir do momento em que os jovens começam a se inteirar, participar e debater esse tipo de questão, também passam a entender os rumos da própria vida. Com isso, é importante compreender os papéis de cada poder na esfera política. “É com base nesse conhecimento que se desenvolve uma sociedade equilibrada”, frisa.

GRUPOS DE DEBATE

Para Renato, é possível notar que o interesse político atual não se prende apenas à discussão e candidatos, mas também resulta em grupos de debate e discussões em redes sociais. “Isso não necessariamente é positivo, tudo vai depender dos ideais que um grupo defende, estes podem, ou não, ser benéficos para a sociedade, um exemplo disso são os grupos que defendem o retorno do regime ditatorial”, relata.  

CONVÍVIO SOCIAL

No convívio social, o impacto dos grupos de debates formados por jovens em redes sociais é conflitante para o professor. Conforme expõe, política sempre foi um tópico que gera certos atritos no meio coletivo e, com a figura do jovem em meio a isso não é diferente. “É comum vermos pessoas discutindo pontos de vista políticos diferentes. O que os jovens precisam pensar é em maturidade, desenvolver-se ao ponto de saber conviver com opiniões políticas diferentes das próprias”, pontua.

PERFIL

                                                                         José Reis

Nome completo: Júlia Duran Martinez

Idade: 18 anos

Curso: Terceiro ano do ensino médio

Escola: Escola Estadual Florivaldo Leal

O Imparcial: Júlia, quando e por que começou o seu interesse por política?

Júlia: Comecei a me interessar pelo assunto nas eleições de 2014 para presidente. Lembro que na minha sala eu era a única que gostava do assunto, comecei a pesquisar e ler bastante sobre eleições. Minha mãe também me influenciou nesse gosto, porque ela sempre está presente em manifestações, é bem atuante politicamente. Mas costumo dizer que tudo começou mesmo quando fui em uma manifestação com a minha mãe, participamos de uma oficina de fazer cartazes e lá eu conheci o coletivo apartidário Levante Popular da Juventude. Comecei a participar em 2015 aqui em Presidente Prudente e, desde então, estou sempre inserida nos debates e eventos.

Como funciona o coletivo? Quais as atuações de vocês no assunto?

O Levante Popular da Juventude é um movimento social construído pelos próprios jovens que viram a necessidade de se unir para lutar pelos seus próprios direitos. Nas reuniões discutimos nossos problemas, questões presentes na sociedade, como racismo e machismo. Nossa proposta é trazer respostas para a juventude, mostrar uma solução, por meio de debates, de luta diária. Estudamos muito, lemos muito, tudo isso ajuda a construir uma ideia política. Entendemos política não apenas como eleição de candidatos, mas como um todo, como uma luta pelos nossos direitos.

Como avalia a participação dos jovens neste assunto aqui em Prudente? 

Tem uma frase que temos como discurso que tem muito a ver com a participação jovem na política. “Eu não voto, então, por que vou prestar atenção em política?”. É assim que a maioria dos jovens pensa. Mas é o contrário, é justamente por não votar que devemos buscar entender melhor. Porque quando o governo toma medidas, os jovens são quase sempre atingidos. São alterações no ensino médio, escolas públicas passando por reformulações, é preciso estar presente. Aqui em Prudente existe uma boa participação da juventude nos eventos, nos debates, mas ainda temos muito o que trabalhar, precisamos dar ainda mais voz para os jovens na política.

Como um todo, qual a importância de manter uma participação ativa no assunto, seja como atuante ou apenas debatedor?

A juventude é uma parte muito importante da vida, é quando a gente se descobre, se entende. Junto com isso entram questões políticas, é nessa fase da vida que vamos começar a formar nossa personalidade, saber quem somos e nosso lugar no mundo. Por isso, é preciso participar, estudar, conhecer, se não houver debate político, debate sobre questões necessárias, no futuro, os pensamentos preconceituosos e não participativos continuarão existindo.

O que o voto significa para você, para os jovens, que estão se inteirando do meio político?

A base de tudo é escolher alguém que nos represente. Só conseguimos isso por meio do voto, não adianta nada lutarmos pelos nossos ideais, nossas necessidades e na hora de votar não escolhermos alguém que seja o reflexo disso. Por isso, não adianta apenas votar, tem que pesquisar, conhecer e trocar ideias. É a minha primeira eleição e sei que o voto é muito importante, pode mudar o país.

De que forma a participação política influencia na construção da sua cidadania?

Ajuda muito em tudo, não apenas a se descobrir enquanto ser humano, enquanto cidadão consciente. Mas também ajuda a fazer outras pessoas a se conhecerem, transmitir conhecimentos e recebê-los. Ajuda aceitarmos quem somos e acreditar nas coisas que acreditamos.

DICA DE SÉRIE

House Of Cards (2013)

                                                                      Divulgação

A série original da Netflix “House of Cards” foi lançada em 2013 e possui seis temporadas. A história se passa nos Estados Unidos, onde o personagem principal, Frank Underwood, um político congressista norte-americano, não mede esforços para conquistar a cadeira da presidência do país. Regado por motivações pessoais, já que traído pelo atual presidente – este que Frank ajudou a se eleger. O candidato conta com o apoio da esposa, de uma jornalista ambiciosa e de outro político, famoso pelos problemas com alcoolismo. O enredo traz detalhes de uma trajetória ao topo do Poder Executivo.

DICA DE PODCASTS

Anticast, Mamilos e The Daily

MARIANE GASPARETO

Da Redação

Uma forma interessante de aproveitar os períodos ociosos do dia a dia é ouvindo podcasts - arquivos de áudio transmitidos pela internet sobre temas variados - que funcionam como uma ferramenta interessante para acompanhar análises políticas no âmbito nacional e internacional. Entre programas de destaque sobre o cenário político no Brasil está o “Anticast”. Toda a programação nesse período eleitoral tem consistido em análises dos debates com os presidenciáveis, com a presença de convidados diferentes a cada episódio, para que possam trazer um novo olhar aos temas discutidos. Além disso, o Anticast realizou entrevistas com alguns presidenciáveis, no intuito de informar os ouvintes sobre as propostas de governo. Outro podcast semanal relevante é o “Mamilos”, que se propõe a fazer um “jornalismo de peito aberto”, principalmente no que diz respeito aos assuntos mais “polêmicos”. Entre suas pautas recentes esteve: os desafios da democracia, desemprego, crise habitacional e debate sobre a descriminalização do aborto. Para os que conseguem compreender a língua inglesa, destaca-se o The Daily, do periódico New York Times, cujos episódios são diários (de segunda a sexta-feira), abordando sempre o tema mais “quente” do momento, que passa pelas disputas políticas entre republicanos e democratas, decisões econômicas do governo Trump, crise de refugiados e violência policial, por exemplo.

AGENDA

9ª Semana Jurídica – “30 anos da Constituição brasileira”

Data: Até sexta-feira

Local: Fapepe/Uniesp (Faculdade de Presidente Prudente)

Endereço: Avenida Presidente Prudente, 6093 – Jardim Aeroporto

Telefone: 3918-4700

Horário: 19h às 21h30

Preço: Gratuito

Atividade: As palestras são realizadas no auditório principal da Fapepe, abordando diversos temas como os fundamentos políticos da proteção do ambiente em face da Constituição Federal, se as constituições brasileira e norte-americana são democráticas, os erros e acertos e a efetiva aplicabilidade das garantias fundamentais da Constituição de 1988.

Ciclo de Palestras: “30 anos da Constituição Federal”

Data: Até 11 de outubro

Local: Toledo Prudente Centro Universitário

Endereço: Praça Raul Furquim, 09 - Parque Furquim

Telefone: 3901-4000

Horário: Das 18h às 19h

Preço: Gratuito

Descrição da atividade: A Constituição Federal brasileira foi criada por uma Assembleia Constituinte e promulgada oficialmente em 5 de outubro de 1988. Trata-se de um conjunto de leis fundamentais que organiza e rege o funcionamento de um país. Para marcar os 30 anos da Constituição Federal, a Toledo, por meio do curso de Direito, realiza até 11 de outubro um ciclo de palestras que abordará diversas temáticas acerca do assunto. Os debates ocorrerão sempre das 18h às 19h, no Salão Nobre.

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