O futuro já aconteceu?

Arlette Piai • 12/06/2018 05:00:00

Quando o homem descobriu o fogo, ficou assustado com “a mágica dos deuses”. Depois surgiu a roda, a carroça e as charretes, os carros, a tecnologia, a luz elétrica e até o planeta terra, considerado o centro do universo, virou um micro quase imperceptível no cosmo. Mas foi a partir do século 20, com a física quântica, que os conceitos viraram de ponta cabeça deixando até mesmo os cientistas, seus próprios descobridores, em polvorosa. Afirmou Albert Einstein: “O tempo é paralelo, a distinção entre presente, passado e futuro é ilusão dos nossos sentidos”. As novas descobertas são de deixar qualquer ficção no chinelo.  

Surgiram assim, comprovações para além da nossa compreensão, por exemplo: alguém em outra galáxia, neste momento em que você está lendo este artigo, pode ver você num passado que ocorreu há milhares de anos ou num futuro longínquo. Se fôssemos uma única partícula subatômica da qual somos formados, teríamos cópias nossas em Roma, Paris, Plutão e até em outras galáxias O mundo subatômico é onipresente, gênese, causa primordial de nós mesmos, da flor, das pedras e de tudo que existe no universo. Assim, podemos estar vivendo, simultaneamente, num monte de lugares em dimensões diferentes, com a mesma consciência, em situações diversas.

Complicou ainda mais, não é leitor? É tão maluca a física como foi maluco ouvir na minha infância a história do “João Pé de Feijão”, em que a imaginação se perdia no infinito. A revolução da física causada por esse novo perfil são asas para voar numa lógica que nos parece ilógica. Podemos, no entanto, nos conformar, caro leitor, porque até a própria comunidade científica descobridora dessa fantasmagórica realidade, entrou em polvorosa frente suas próprias descobertas.  

Mas nesse contexto, se é possível afirmar que o futuro já aconteceu antes do acontecido, questiona-se: Podemos então um dia conhecer o rosto dos nossos netos, bisnetos, saber o dia da nossa morte e etc? Somos fantoches de um destino implacável? Onde fica o livre-arbítrio? A resposta dos físicos, por enquanto, são meio vagas. Declara Gerardus Hooft, físico da Universidade de Utrecht e vencedor do Nobel 2001: “Nenhum computador teria como decifrar a natureza, já que nada pode computar mais rápido que o Universo”. E completa: “Os universos diversos ou Multiverso pode ser compatível com a liberdade de escolha, mas ainda não se consegue explicá-lo”.

Assim se as nossas ações estiverem impressas no tecido cósmico, só serão concretizadas e modificadas ou não, com a nossa estadia na terra. Bem, caro leitor, parece que a física moderna está tirando nossos pés do chão. Acabou com as certezas do racionalismo e as certezas da física clássica newtoniana. A ciência, que durante séculos foi sacramentada como exata, matemática e que a tudo respondia com certezas, veio terra abaixo. No frigir dos ovos, a ciência e a religião novamente caminham no mesmo trilho. Na religião está o mistério, na física moderna “o princípio da incerteza”, em outras palavras, em ambas: o mistério.

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