Cotidiano

O fascismo não fascina

11/10/2018 05:02:00

Em tempos de política à flor da pele, com muitas pessoas buscando defender seus ideais, nem sempre se utilizam termos corretos ou mesmo em alguns casos a verdade não é dita, como no caso das “fake news”. Contudo, um termo utilizado tem tomado certa proporção e que, na verdade, historicamente está sendo utilizado de forma errada por aqueles que defendem partidos de esquerda e vinculam à direita ao nazismo e outras teorias.

O fascismo, o nazismo e o comunismo passam longe de qualquer ideal de direita (liberal ou conservadora) devido à total supressão das liberdades individuais, interferência estatal na vida econômica e falência da democracia. Basicamente, ser de direita é defender a liberdade individual, o livre mercado como fonte de criação de riqueza e redução de pobreza, e menor interferência possível do Estado na vida econômica, política, social e cultural do país nos limites da democracia.

Já para a esquerda, os ideais de igualdade se colocam acima das liberdades individuais, o foco é no coletivo e o Estado tem papel ativo e vital nas esferas econômicas, políticas e culturais de uma nação. Em outras palavras, enquanto para a direita, a organização da sociedade se dá pelas livres trocas entre os indivíduos, para a esquerda, essa organização está principalmente a cargo do Estado.

Isso posto, e recorrendo ao mínimo de lógica, se ser de direita é desejar um Estado mínimo, livre mercado e democracia, como é que os liberais e os conservadores podem ser associados ao fascismo, regime marcado pela alta participação estatal na sociedade e supressão absoluta das liberdades individuais? É evidente que os regimes nazifascistas, ao promoveram a supressão de todas as liberdades individuais, estão muito mais próximos de regimes totalitários de esquerda do que os ideais da direita liberal ou conservadora. Se claramente há uma diferença de essência entre a direita com qualquer regime totalitário, então, de onde vem essa associação da direita liberal/conservadora com os regimes nazifascistas?

Provavelmente, a associação decorre do fato de que esses regimes eram contra a Rússia comunista pouco antes da Segunda Guerra Mundial. Mas isso não significa que ser contra o Comunismo é ser automaticamente a favor do fascismo e do nazismo como se não houvesse outras opções. Aqui não vale a lógica de que o inimigo do meu inimigo é meu amigo. Os regimes nazifascistas entraram em guerra com os regimes comunistas não pela defesa das liberdades individuais, mas sim pelas disputas político-militares que só visavam ao fortalecimento do Partido-Estado.

Novamente, o comunismo, o fascismo e o nazismo passam longe de qualquer ideal liberal ou conservador devido à total supressão das liberdades individuais, interferência estatal na vida econômica e falência da democracia. Portanto, considerando as definições históricas apontadas, vê-se que o fascismo está para o comunismo assim como a liberdade individual está para o capitalismo.

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