O agradecimento

Hélio Martinez • 09/08/2018 08:52:00

Todos somos sabedores que a vida é efêmera e seu trajeto é projetado e percorrido por nós. Sempre perfilhei o entendimento que ao nascer o Criador entrega a cada qual um livro com folhas em branco. Nós escrevemos a história e o “livro” pode ser um “best-seller” ou um conto da carochinha. Deus irá ler e julgar. Em minhas elucubrações diárias, entre muitas, lembrei-me de como as pessoas são difíceis de agradecer. São fáceis para pedir, lembrar palavras mal colocadas, uma ajuda negada por circunstancias, enfim, se tornam raivosas quando não atendidas. Ao revés, em sendo agasalhado o pedido, jamais agradecem.

Pode-se dizer no máximo um “muito obrigado” e o fato ou a ajuda cai no esquecimento. A ingratidão é um dos grandes males da humanidade. Vivemos pedindo, implorando, angustiando, peticionando e o endereço maior desses pleitos é o céu, porém, raramente agradecemos as benesses percebidas. A verdade, caros leitores e amigos, é que nos olvidamos que todo o patrimônio material que temos não nos pertence. Tudo que temos, o que somos nos foi dado pelo Criador.

Explicitando: imaginemos o céu com várias seções. Todas elas têm anjos e arcanjos como funcionários para analisar os seres humanos. Um departamento é destinado a receber pedidos. Ali o serviço não falta. Todos estão ocupados, numa exegese da petição dos humanos. Outra seção é para a entrega quando o pedido merece atendimento. Existe, porém, um departamento, a menor das seções onde um anjo fica todo o tempo sem nada fazer. É a seção destinada a receber os agradecimentos. Ninguém se recorda disso, ou seja, de agradecer.

Ainda em meu sonho cheguei a indagar àquele anjo e ele respondeu: as pessoas acham que tudo na vida é natural e se existem coisas boas a eles destinadas porque são merecedores. Têm casa, alimentos, remédios, estudos e acham justo, sem perquirir as razões que isso motivaram. Não sabem que temos alimentos, roupas, um teto, somos mais ricos que 75% dos moradores do mundo; se temos dinheiro estamos entre os 8% mais bem sucedidos da terra; se temos computador, máquinas digitais, celular, etc., somos parte de 50% do mundo; se temos mais saúde do que doenças, somos mais abençoados do que muitos que sequer sobreviveram a este dia; se nunca tivemos o dissabor e o temor de uma batalha, a solidão da prisão, a agonia das torturas, sem dores ou sofrimentos, estamos à frente de 700 milhões de pessoas; se podemos ir à Igreja, Mesquita ou Sinagoga, sem medo de sermos presos, somos invejados por mais de três  bilhões de pessoas que não podem se reunir na fé. Enfim, se podemos manter a cabeça erguida e sorrir, somos exemplos a tantos que estão em dúvidas e desespero, finalizou o anjo.

O escopo, a meta, a finalidade e o desiderato da utopia aqui estampada é a de exortar os que me honram com a leitura, sobre a necessidade do agradecimento. Pela vida, pelos amores à família, pela saúde, pelo trabalho, pelas amizades (tão rara), pela recuperação mental e até mesmo pelas idiossincrasias cotidianas. Somos o que somos graças a Deus. Nunca se esqueçam que o “livro” está sendo preenchido pelos atos e maneiras que nos portamos e o conteúdo será apreciado e julgado e somente saberemos o veredito quando aqui não mais estivermos. Meditemos...

 

 

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