Médicos formados no exterior têm que revalidar diploma

Após tentativas sem sucesso ou para encurtar o referido caminho, há uma gama de estudantes que recorre a escolas de Medicina em outros países da América Latina

ANDRÉ ESTEVES • 08/08/2018 08:52:00

Formar-se em Medicina é um sonho compartilhado por muitos jovens, que, muitas vezes, precisam trilhar um caminho árduo até conseguir a tão desejada aprovação em uma instituição de ensino superior. Há quem aponte como principais desafios as altas notas de corte por meio do Enem (Exame Nacional de Ensino Médio), o qual favorece o acesso a bolsas de estudo viabilizadas pelo Sisu (Sistema de Seleção Unificada) e ProUni (Programa Universidade Para Todos); as mensalidades onerosas das universidades particulares; e a baixa oferta de vagas pelas instituições públicas quando realizam o processo vestibular. Após tentativas sem sucesso ou para encurtar o referido caminho, há uma gama de estudantes que recorre a escolas de Medicina em outros países da América Latina, como Bolívia, Paraguai, Argentina, entre outros.

A Delegacia Regional do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo), em Presidente Prudente, aponta que a entidade não se posiciona contra médicos formados no exterior, contanto que, ao retornarem para o Brasil, prestem o Revalida (Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituições de Educação Superior Estrangeira), prova que visa aferir a equivalência curricular e definição da correspondente aptidão para o exercício da medicina no país.

EXIGÊNCIA MAIOR

O conselheiro responsável, Roberto Lotfi Júnior, explica que o exame é requerido por vários motivos, mas sobretudo porque o “currículo das escolas brasileiras é muito mais exigente do que o das universidades de outras nações da América Latina”. Uma vez que o Brasil também recebe médicos estrangeiros, o requisito é que, além do Revalida, seja feita uma prova de proficiência da língua portuguesa, a fim de que possam se comunicar com a população, cuja grande parte é humilde e não consegue compreender outros idiomas.

De todo modo, Lotfi defende que o aluno invista sempre em uma graduação oferecida por uma instituição brasileira, considerando que muitas escolas instaladas em países que circundam o Brasil “não têm as mínimas condições de lecionar Medicina” e “seu ensino é muito aquém do mínimo exigido pelo nosso país”. Segundo ele, algumas destas instituições sequer possuem um método de seleção para o ingresso de estudantes. “Se você considerar as piores escolas de Medicina do Brasil, elas ainda são melhores do que as de muitos países. Tanto é que os índices de aprovação do Revalida são muito baixos”, pondera.

O conselheiro defende que seu discurso não é uma tentativa de reserva do mercado, posto que o Brasil sempre recebeu médicos formados em outros países e continentes. Ocorre que as mesmas exigências previstas aqui são praticadas nas demais nações que recebem profissionais estrangeiros. “Independente de ter sido aprovado por meio de vestibular ou currículo escolar, é preciso saber se o profissional tem uma formação adequada para o exercício da atividade”, pontua.

PERFIL

                                             Cedida/Arquivo pessoal

Nome completo: Ana Clara de Oliveira dos Santos

Idade: 19 anos

Curso: Medicina

Faculdade: UBA (Universidade de Buenos Aires)

O Imparcial: Por que você decidiu recorrer a outro país para ter acesso ao curso de Medicina?

Ana Clara: Sempre quis estudar Medicina e, após quase dois anos trabalhando na área da saúde, percebi que era isso mesmo que eu queria. Então, surgiu a oportunidade de estudar fora do país. Decidi vir para Buenos Aires, na Argentina, porque o método para ingressar na universidade é melhor, tanto nas particulares quanto nas públicas. O governo argentino incentiva a educação no país, dando oportunidade não só para os nativos, como também para muitos imigrantes. Além disso, infelizmente, há uma concorrência muito grande nas universidades públicas brasileiras, enquanto as particulares têm um valor altíssimo, dificultando o acesso para muitos. Já tentei ingressar em faculdades brasileiras, mas todas sem sucesso.

A sua formação na Argentina afeta a sua atuação profissional no Brasil ou você já pensa em uma carreira voltada ao exterior?

Sinceramente, penso em uma carreira voltada ao exterior, pois há várias oportunidades. E, caso eu queira voltar para o Brasil, a minha formação na Argentina não impede que eu atue em nosso país, contanto que eu faça o Revalida.

Você mantém contato com outras pessoas que também saíram do Brasil para cursar Medicina? Quais são as principais orientações que recebeu?

Já conversei com pessoas que estão estudando aqui na Argentina, Paraguai, Bolívia e até mesmo Colômbia. Conheço duas irmãs, também de Presidente Prudente, que estão na Argentina e ingressaram no curso do começo do ano. Eles me orientaram a estudar, e muito. De preferência, fazer um curso de espanhol, porque agora a universidade exige que os imigrantes tenham certificado de espanhol. Aqui são sete anos de graduação, sendo que o primeiro consiste em um ciclo básico comum, uma introdução, e exige que o estudante passe em todas as matérias para dar continuidade ao curso.

Quais as diferenças entre ingressar em uma universidade brasileira e em uma instituição de fora?

Muitas diferenças. Para ingressar em uma universidade brasileira, você deve atingir a nota de corte pelo Enem [Exame Nacional do Ensino Médio], que é alta, para depois adquirir uma bolsa de estudos. Ou, então, fazer o vestibular caso queira pagar o curso, normalmente caríssimo. Já nos outros países, você não precisa fazer prova para entrar, pois a aprovação ocorre mediante avaliação do desempenho escolar. A instituição pede histórico escolar original, reconhecido em firma, autenticado e apostilado, juntamente com as documentações. No meu caso, paguei assessoria para fazer os trâmites, como o ingresso na universidade e emissão de DNI (documento de identificação) argentino. As universidades da Argentina são ótimas tanto para ingressar quanto em termos de ensino, são bem rígidas e detalhistas, pois querem formar não só profissionais, mas cidadãos.

Em sua opinião, o que poderia ser modificado no sistema educacional brasileiro para que todos os estudantes se sentissem acolhidos sem a necessidade de imigração?

Tive que recorrer a uma universidade de outro país e ficar longe da família e amigos para conquistar meus objetivos. Por isso, acho que deviam adotar os métodos dos outros países e facilitar um pouco mais o ingresso do aluno na universidade, tanto nas particulares, para que as pessoas tenham condições de pagar, e também nas públicas, em função da limitação de vagas.

DICA DE FILME

                                                                    Divulgação

Patch Adams – O amor é contagioso (1998)

Quem já entrou em contato com o trabalho dos chamados Doutores da Alegria sabe a importância de tratar pacientes com carinho e bom humor. É justamente esta a linha de pensamento do personagem Hunter Adams, que desperta seu interesse pela medicina após tentar cometer suicídio e ser internado em uma clínica psiquiátrica. Ao deixar o local, o homem decide entrar na faculdade e promover a prática de métodos que, aos poucos, passam a contrariar os defensores da medicina tradicional. O filme é baseado na história real de Patch Adams, que dissemina, por meio do seu trabalho, a mensagem de que médicos devem tratar não só a doença, mas as pessoas, além de mostrar que, além do conhecimento, os profissionais da saúde necessitam de humanização.

AGENDA

DE 7 DE AGOSTO A 2 DE SETEMBRO

Exposição “Horizonte Cor e Alma”

Local: Sala de Convivência do Centro Cultural Matarazzo

Endereço: Quintino Bocaiúva, 749 – Vila Marcondes

Telefone: 3226-3399

Horário: Das 8h30 às 22h

Preço: Gratuito

Atividade: Em atuação desde 2015, o Projeto Cor trabalha a arte da pintura com pessoas especiais e comprova, através de seus artistas, que não há limites para o desenvolvimento de seus dons.

DE 9 A 31 DE AGOSTO

Exposição “Sombras e Luzes da Mente”

Local: Museu e Arquivo Histórico Prefeito Antonio Sandoval Netto

Endereço: Rua Doutor João Gonçalves Foz, 2179 – Jardim das Rosas

Telefone: 3223-9404

Horário: Das 8h às 17h

Preço: Gratuito

Atividade: Pacientes do Ambulatório Regional de Saúde Mental apresentam trabalhos desenvolvidos por eles em momentos de terapia ocupacional.

DIAS 17 E 18 DE AGOSTO

Filme “Ensaio sobre a cegueira”

Local: Sala de Cinema do Centro Cultural Matarazzo

Endereço: Quintino Bocaiúva, 749 – Vila Marcondes

Telefone: 3226-3399

Horário: 19h30

Preço: Gratuito

Sinopse: Uma epidemia de cegueira se espalha pelo país. Todos os afetados são colocados em quarentena e os serviços oferecidos pelo Estado começam a falhar. As pessoas passam a lutar por suas necessidades básicas, e a mulher de um médico, a única pessoa que ainda consegue enxergar, se junta a um grupo de internos para tentar guiá-los em busca da humanidade perdida.

NA BALADA

                                               Fotos: Arquivo pessoal

Álvaro Ramos Dias, Larissa Oliveira e João Pedro Lender

Evton Ramon, Rebecca Azevedo, Gabriele Borges e Ana Carolina Soares

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