Cotidiano

Impactos, vulnerabilidade e adaptação

Marco Antônio Del Grande • 08/11/2018 04:05:00

O Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas é um grupo científico criado pelo governo brasileiro para estudar o tema do aquecimento global na perspectiva brasileira. O RAN1 foi dividido em três volumes, cada qual sob a responsabilidade de um dos Grupos de Trabalho. O Volume 2 – Impactos, Vulnerabilidade e Adaptação, assinala os vastos impactos decorrentes do aquecimento global sobre todos os sistemas naturais da Terra e suas consequências negativas de grande magnitude para todos os setores da sociedade.

No caso do Brasil, os principais efeitos primários esperados estão no ciclo da água. Este ciclo tem um papel de importância superlativa em vários outros aspectos básicos, como na preservação da cobertura vegetal, na fertilidade dos solos, no equilíbrio hídrico dos rios e lagos e na sobrevivência da fauna, e alterações em suas características têm repercussões de longo alcance, tanto no meio ambiente como na sociedade, que têm florescido sob um regime estável de precipitações e se habituaram a ele. As mudanças previstas nas chuvas, tanto para mais quanto para menos, conforme a região, devem provocar consequências negativas em larga escala para a sociedade.

Ao prejudicarem a agricultura e a pecuária, ameaçam a segurança alimentar nacional. As áreas de cultivo de milho, arroz, feijão, algodão, girassol, a cana-de-açúcar e a soja, que estão entre os principais produtos agrícolas do Brasil, devem sofrer forte redução especialmente na região Nordeste, com perda significativa da produção. Ao diminuírem em grandes regiões do país os estoques disponíveis de água, fica ameaçado o abastecimento humano e o uso industrial e agropecuário. Com uma tendência maior de secas e enchentes de grandes proporções, devem se agravar esses problemas que já se fazem sentir com intensidade em muitos pontos do Brasil. Especialmente em zonas urbanizadas, que em sua maioria estão mal preparadas para enfrentar as mudanças climáticas, as chuvas fortes têm causados estragos materiais de grande vulto, facilmente desestabilizam e levam serviços públicos essenciais ao colapso, são causa da perda de muitas vidas, e provocam também problemas graves de saúde pública ao aumentarem os riscos de epidemias pelo transbordamento dos sistemas de esgoto e contaminação de reservatórios de água potável.

A tendência nos últimos 50 anos tem sido de aumentar a ocorrência e a gravidade desses eventos. A poluição atmosférica, por seu turno, se torna a cada dia um problema mais sério nas cidades, degradando a qualidade de vida da população e gerando doenças. O setor energético tem dado origem a muita preocupação no Brasil a respeito do futuro. Boa parte da energia nacional vem das hidrelétricas, que estão sob ameaça num cenário de redução de chuvas. Para a indústria, os riscos estão em todas as áreas, e foi enfatizado que a ausência de medidas eficientes e sustentáveis de adaptação e prevenção de desastres deve elevar os custos futuros.

Segundo o RAN1, “medidas de adaptação são necessárias, incluindo um detalhamento dos riscos e vulnerabilidades associados para que o setor se desenvolva. Dentro desta perspectiva, serão necessários planos de prevenção e combate a desastres que englobem não somente uma determinada unidade industrial, mas todo o contexto regional no qual cada unidade ou complexo industrial está inserido. O custo da inação pode impactar os diversos segmentos da indústria brasileira, podendo ser mais alto que o custo de se implementarem medidas adaptativas às mudanças climáticas”.

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