Gravidez antecipada traz riscos a mães e bebês

GABRIEL BUOSI • 13/06/2018 05:33:00

O número de meninas, entre adolescentes e jovens, que enfrentam uma gravidez que nem sempre é esperada tem se tornado uma realidade cada vez mais constante nos consultórios de todo o país, e em Presidente Prudente não seria diferente. Conforme o ginecologista e obstetra, Edvar Galvão Filho, duas a cada 10 pacientes atendidas por ele fazem parte desse grupo. “Esse é um público que não costuma procurar os serviços de saúde, que são fundamentais, e com isso não há um acompanhamento adequado no que diz respeito às orientações sexuais”, salienta.

Ainda segundo o especialista, o ideal seria um espaço destinado aos adolescentes e jovens que necessitem de tal acompanhamento e que oferte, ao mesmo tempo, atendimentos multidisciplinares. “Esse atendimento diferenciado se dá, pois até os 15 anos não há um preparo físico e hormonal por parte das meninas e isso pode trazer complicações, como um pré-natal complicado, grandes chances de o bebê nascer prematuro e algumas patologias, como o baixo peso, a pressão alta e a anemia”.

Apoio para conciliar estudos

A notícia da chegada de uma criança, no primeiro momento, pode ser um susto para as novas mamães, e também às famílias. Em casos em que há o estudo envolvido, como as adolescentes ou mesmo jovens que estão em universidades, é preciso que haja um diálogo múltiplo entre famílias, instituições de ensino e gestantes. “A primeira coisa que vem na cabeça, possivelmente, é a necessidade de deixar de lado o ensino e ter que focar na criação de uma nova família. Com isso, um momento que deveria ser de felicidade, que é a vinda de um bebê, pode se tornar um pesadelo”, esclarece a psicóloga e psicopedagoga, Fernanda Passetti Lima.

Segundo a especialista, é possível que haja a conciliação de todas as prioridades, desde que haja o apoio por parte de todos aqueles que rodeiam a jovem. “Uma dica, por exemplo, é que a nova mamãe mantenha o contato com os colegas de classe e esteja ciente de tudo o que ocorre na instituição, mesmo se estiver de licença, direito que é garantido. Essa situação de apoio melhora os relacionamentos dessa menina e torna-se algo positivo para o crescimento do bebê”. Fernanda lembra, no entanto, que mesmo com todo o suporte, é preciso que as famílias estejam preparadas para possíveis situações de preconceitos. “Entender os dois lados é fundamental”, completa.

SAIBA MAIS

Conforme já noticiado por este diário, a rede municipal de saúde de Presidente Prudente acompanhou no ano de 2017 o total de 2.247 mulheres grávidas, sendo que 15 delas tinham idades entre 10 e 14 anos, e outras 330 estavam dentro da faixa etária que fica entre os 15 e 19 anos. Do total, 345 pacientes tinham até 19 anos, o que representa os 15,35% dos casos. Já o HR (Hospital Regional) Doutor Domingos Leonardo Cerávolo, Hospital e Maternidade Nossa Senhora das Graças e Santa Casa de Misericórdia, juntos, atenderam no mesmo ano, o total de 2.190 gestantes, entre acompanhamentos e partos, sendo que 109 delas (4,97%) eram adolescentes e com idades menores do que 18 anos.

PERFIL

                                                                    Foto: Marcio Oliveira

Ana foi mãe aos 21 anos e manteve estudos em universidade

Nome completo e idade: Ana Carolyna Pelegrino Roberto Simões

Curso e ano: Jornalismo. Último semestre.

Faculdade: Unoeste (Universidade do Oeste Paulista)

Cidade de origem: Nova Andradina, Mato Grosso do Sul

- Por qual motivo escolheu o curso? E por que em Presidente Prudente?

Eu sempre quis fazer Jornalismo, desde o ensino médio, mas também tinha vontade de cursar Direito. Então, como tinha essa dúvida, vim para Presidente Prudente, pois queria fazer direito no Toledo Prudente Centro Universitário. Os dez primeiros dias de aula, no entanto, foram suficientes para eu perceber que não queria continuar no curso, e ver que era mesmo o Jornalismo. Como eu já havia feito a minha mudança para Prudente e tinha ouvido bons comentários sobre a Facopp (Faculdade de Comunicação Social de Presidente Prudente), só transferi a instituição de ensino.

- Quais são os seus sonhos quando o assunto é o mercado de trabalho?

Eu penso em tanta coisa quando tem sonho e mercado de trabalho em uma mesma frase. Mas, para resumir, quero me realizar profissionalmente em algo que me dê prazer em fazer, entende? Quero poder trabalhar com algo que me motive todos os dias a ser melhor e acho que as carreiras pessoal e profissional andam juntas. Eu amo o curso que escolhi, tenho preferências em algumas áreas, mas hoje em dia o mercado tá competitivo. Se você não fizer algo que realmente ame, fica difícil se destacar.

- Quando e como foi que você descobriu que estava grávida?

Eu descobri que estava grávida com duas semanas (pasmem, é verdade). Comecei a sentir logo no início que meu corpo estava estranho, foi quando decidi fazer um teste e acabou dando positivo. A confirmação se deu dia 20 de fevereiro de 2017. Minha filha hoje tem oito meses.

- Como foi a decisão de concluir os estudos mesmo com a notícia? Pensou em desistir?

Não pensei em desistir em momento algum. Lembro que quando liguei para minha mãe para contar, ela disse: “Eu estou muito feliz, mas você precisa prometer que não vai deixar de estudar”, e esse foi meu alívio, porque era a única coisa que eu tinha certeza naquele momento. Claro que foi muito mais fácil quando eu decidi, do que quando coloquei em prática. Porque as coisas ficam difíceis com o passar do tempo, mas a decisão, a meu ver, foi a correta.

- Quais são os desafios enfrentados pela gravidez na época da universidade?

Eu acredito que a gravidez toma muito espaço na tua vida. Tudo que você fazia antes, já tem um peso diferente quando você está grávida. Até as coisas mais simples, pois você fica sonhando e querendo aproveitar cada momentinho e as coisas vão ficando em segundo plano e isso dificulta. Eu estava fazendo meu pré-projeto de TCC [Trabalho de Conclusão de Curso], lembro que me sentia muito cansada, passava muito mal e tinha que conciliar esses dois momentos importantes. É muito melhor, tenho certeza, quando você pode concluir os estudos e depois engravidar, mas nada é impossível.

- E o lado positivo da maternidade, quais foram para você?

Todos os lados da maternidade foram positivos. Eu cresci como mãe, mulher e, principalmente, como pessoa. A gente começa a dar valor a cada pequeno detalhe da vida, a gente tenta ser mais leve também. Entendemos que algumas coisas não são o fim do mundo, como a gente pensava, e que tem muita coisa importante, e é essencial você priorizar algumas delas.

DICA DE FILME

                                                     Reprodução

JUNO

Apenas uma relação amorosa foi o suficiente para que a jovem Juno MacGuff, de 16 anos, engravidasse acidentalmente de seu grande amigo, Paulie Bleeker. A trama, que aborda os conflitos de se receber a notícia ainda na adolescência, mostra que logo no início a garota decide, inicialmente, que abortará a criança, por acreditar não estar preparada. Ao começar o acompanhamento médico, no entanto, ela muda de ideia e se convence de que o bebê pode ser a melhor escolha. Em meio às incertezas, e com a ajuda de uma amiga, Juno inicia uma busca por casais que possam adotar a criança logo no nascimento, e assim conhece Vanessa e Mark, que possuem boas condições financeiras e, aparentemente, é o casal ideal. Prepare-se para encontrar clichês da vida adolescente, humor, críticas aos diversos assuntos ligados ao tema, e a história que rodeia a difícil tarefa de determinar os rumos de uma vida, que, até então, depende totalmente de uma só pessoa.

NA BALADA

                                                               Arquivo Pessoal

Marcela Rodrigues, Amanda Piffer e Thiago Anacleto

                                                   Cedida/Carolline Klem

Lucas Catharino, Maiara Arroyo, Juninho Thomaz,

Luis Alberto, Douglas Guerhardt e Filipe Souza

                                                      Reprodução/Facebook

Sinara Bravo

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