Fadiga democrática

Arlette Piai • 07/08/2018 05:16:00

O Brasil padece da síndrome de fadiga democrática com apatia do eleitor, hemorragia dos partidos, impotência das administrações. A causa principal da fadiga democrática são as hipérboles de gente e de grana. Temos: deputados demais, senadores demais, ministros demais, assessores demais, vereadores demais, assessores de assessores demais. De acordo com dados de 2016, contamos com 64.024 políticos eleitos no Brasil. São 11.136 prefeitos, 54 governadores, 553 deputados federais, mais de 1.000 deputados estaduais, 56.810 vereadores. Apenas o Congresso Nacional tem o custo superior a R$ 10,2 bilhões da grana dos brasileiros. Salários dos deputados federais: R$ 33.723, mais R$ 106.866 para contratar “assessores aspones”, mais R$ 45 mil para promoção pessoal e aí vai! Quando você terminar de ler este artigo, foram gastos R$ 80 mil somente para bancar deputados federais e senadores.

A população tem direito de exigir uma constituição que favoreça seu povo e não contra o povo. Se temos somente 26 Estados porque pagamos essa tropa toda? O STF, formado pelos senadores composto de 11 ministros “teriam” a responsabilidade de resguardar a Carta Magna e defender os interesses do povo brasileiro, entretanto, têm deixado a nação brasileira estarrecida defendendo interesses próprios até soltando criminosos como José Dirceu, entre os maiores criminosos da nação, condenados a 31 anos e 9 meses de prisão, hoje está livre e solto pelo STB, com a proposta do ministro Dias Toffoli, seguida por Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski.

O senado surgiu no Império Romano há mais de 2700 anos, precisamos ainda dessa caduquice? Pasme leitor: Bolsonaro, se eleito, declarou dobrar o número de senadores!!  Como disse o pensador  Gilberto Angelo Begiato: “Como um país quer o desenvolvimento, se tem políticos mais corruptos e mais caros do mundo e os professores - responsáveis pelo crescimento da nação - os mais desvalorizados e baratos do mundo”.

Os políticos, a maioria, dançam com a grana do povo brasileiro e têm coragem de declarar estar na legalidade. Ora essa!! É legal juridicamente pessoas viverem na miséria, sem assistêcia médica, sem segurança, sem escolas? Os políticos têm a função de serviçais da coletividade como ocorre na Suécia, Finlândia, Dinamarca e tantos países. Mas, estamos vivendo ainda hoje espírito monáquico em que “o poder” é passado de pai para filho, de filho para neto como ocorre na Coreia do Norte; com uma diferença: eleitos pelo povo. 

Talvez, a saída para o Brasil seja cortar a cabeça do poder do Estado com privatizações das estatais para matar a “galinha de ovos de ouro”, de raposas devoradoras. O dever do Estado é cuidar da área social como saúde, educação, segurança; não de empresas que constituem fonte de roubo e de degradação. A constituição deve ser a favor do povo e não contra o povo. Devemos, talvez, substituir o corrupto Presidencialimo pelo parlamenterismo. Exigir o recaal que significa cassar o mandato de qualquer representante político, pelos próprios eleitores, seja por corrupção, incompetência ou inoperância. Veja leitor, na Coreia do Sul a ex-presidente Park Geun-hye foi condenada por 24 anos de prisão, tudo na legalidade e sem o espetáculo degradante a que assistimos. Se não é o povo, que é de fato, dono do poder, quem vai consertar o Brasil?

 

Arlette Piai é professora e escritora. Contato: lingua.brasileira@terra.com.br

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