Oportunidade

Escassez de empregos no Brasil aumenta a procura por vagas no mercado japonês

A lei da imigração japonesa concede o visto específico para os descendentes até a terceira geração, os chamados sanseis, autorização que permite a moradia e o trabalho no país

GABRIEL BUOSI • 19/09/2018 09:48:00

Que o Japão tem uma cultura que é de se admirar, isso não é novidade para ninguém. Aliado a isso, o país é conhecido por ser a terra das oportunidades às pessoas que almejam um emprego. Conforme o representante da Avance Corporation no Brasil, Gilson Toda, empresa que faz o intermédio entre os dois países, a procura pelo emprego na terra do sol nascente se dá por um principal motivo: a escassez de vagas no Brasil. “O Japão é uma opção oportuna para os descendentes de japoneses, visto que o mercado de trabalho está aquecido”, informa.

Conforme Gilson, a lei da imigração japonesa concede o visto específico para os descendentes até a terceira geração, os chamados sanseis, autorização que permite a moradia e o trabalho no país. O benefício, no entanto, consegue ser estendido aos cônjuges das segundas e terceiras gerações, os nisseis e sanseis. Já em relação à quarta geração, conforme reportagem da “Folha de São Paulo”, é possível desde julho deste ano, e desde que haja uma solicitação de residência no país, fato que demanda algumas exigências que dificultam a escolha, como a necessidade de apresentação de um certificado de domínio básico do idioma e recusa em levar a família ao país.

Os não descendentes não conseguem, porque o visto é específico para descendentes de segunda e terceira gerações, estendido aos seus cônjuges. O segmento de empresas que mais emprega lá é o manufatureiro. Fábricas alimentícias, automotivas e componentes eletrônicos”, explica Gilson. “Com tudo isso, penso que o processo é burocrático, já que é necessária a comprovação por meio de documentos do Japão que comprovem para o interessado sua descendência japonesa, além de ter que ter um contato com alguma empresa que o contrate no Japão”, acrescenta. Como dica, o representante ressalta a importância de se procurar um consultor de viagens de confiança e conhecimento na língua japonesa.

PERFIL

                                                             Arquivo pessoal

Nome Completo: Amanda Mayumi Takada

Idade: 27 anos

Profissão: Publicitária

Local onde mora: Sasayama-Shi/Japão

De que forma e quando surgiu seu contato com a cultura japonesa?

Meu pai é japonês, minha mãe brasileira, e vim para o Japão pela primeira vez com quatro anos de idade, quando fiquei até os 13 anos. Voltei para Brasil em 2003 para terminar os estudos, e quando voltei entrei para um grupo de jovens descendentes de japoneses. Eu jogava bola, tocava taikô e cantava em campeonatos de karaokê - não canto bem e saí dessa vida, o grupo de início era só para descendentes e para manter a cultura japonesa.

Há quanto tempo está morando no Japão e como surgiu essa oportunidade?

Moro aqui faz três anos e vim em 2015, porém, como havia morado e estudado aqui antes, sei me comunicar, ler e escrever. Trabalho como tradutora em uma corporação que dá suporte aos brasileiros em mercados, médicos, prefeitura e tradução em geral. Não é bem uma oportunidade estar aqui, depende muito do ponto de vista, e estou aqui por ser descendente, até porque para vir estrangeiros sem descendência, há grandes restrições.

O que te faz gostar da cultura japonesa?

Vivi mais no Japão do que no Brasil, mas o que me faz gostar da cultura são os costumes, a educação e o respeito ao próximo. É evidente e gosto bastante daqui, mas prefiro o calor humano brasileiro, pois aqui não temos amigos como no Brasil, é meio que cada um por si.

Quais os lados positivos de estar aí?

Trabalhando você consegue viver muito bem e ter o que quiser, afinal, todos temos os mesmos direitos por aqui. A educação dos japoneses, principalmente em lojas para com seus clientes, é outro fator. Por exemplo: Em qualquer loja que você entrar, os atendentes te recebem com um cumprimento, o “irashaimase”, que significa: seja bem-vindo, e isso ocorre sempre em voz alta e alegre, e com sorriso. A hora em que saímos da loja, todos os atendentes agradecem, mesmo que não tenhamos comprado nada. As leis funcionam 100% e todos respeitam, se é lei, é regra! Ninguém para em vaga de deficiente, corta fila, nas escadas têm a “ida e vinda”, ninguém sobe ou desce ao contrário, encostar do lado direito para deixar o lado esquerdo livre para quem quiser passar correndo. Segurança é um dos principais pontos positivos, pois não precisamos nos preocupar com assalto – até tem assalto em cidades grandes, mas quem comete é normalmente estrangeiro e, principalmente, brasileiro. Andar tarde na rua sem iluminação não é problema por aqui, nem com pertences à mostra.

E os pontos negativos dessa escolha?

Carga horária de trabalho longa, que é de 12 horas até 18 horas de trabalho por dia. Onde estou nós chegamos a fazer 21h de trabalho direto e voltamos para casa para tomar banho, comer e voltar para o serviço em seguida. Às vezes, viramos a noite no trabalho, mas isso depende de cada fábrica, serviço, e cargo. Catástrofes, terremotos, tsunamis e tufões são pontos negativos. Cada medo que passamos não tem data e nem hora para acontecer. Os japoneses em si são educados e respeitosos, porém, cada um no seu quadrado, já que não são muito afetivos e calorosos, nem entre amigos e nem na família, é dedicação total ao trabalho. E para nós, que somos imigrantes, a pior parte é a língua, aqui somos mudos, surdos e analfabetos! Quando tem catástrofe aqui, toca um alarme de evacuação ou alerta, e tem mensagens dizendo o que não podemos fazer e o que devemos fazer, por não entender o que está acontecendo e falando, muitos corremos perigo de morte por conta da comunicação.

Como é a vida dos jovens no Japão?

A vida dos jovens é trabalho, dependendo da idade acabam estudando, mas pela dificuldade da língua, não muda muita coisa. Os divertimentos são bem diferentes do Brasil, aqui os jovens se divertem em game center, karaokê, boliche, camping, praia, passeios em lugares históricos. Em cidades grandes têm baladas, mas não têm o mesmo entusiasmo dos shows e baladas do Brasil, têm regras para isso também! Há obstáculos sim, emprego, por exemplo, sem comunicação você só consegue emprego em fábricas de autopeças, eletrônicos, alimentos e soldas. Japoneses idosos têm preconceito com estrangeiros, por acharem que vão estragar a cultura e por sermos mais barulhentos. Exemplo: Carro com som alto, churrascos com música alta e conversas ou risadas altas, e pela fisionomia diferente, pois toda criança fica olhando e encarando um estrangeiro.

Você pensa em voltar a morar no Brasil ou pretende permanecer aí?

A maioria dos brasileiros que estão aqui pensa em voltar por causa da distância com a família, amigos e facilidade de comunicação. Os que preferem permanecer, normalmente têm filhos pequenos e querem dar um futuro melhor a eles ou viver independente aqui, trabalhando certinho. Qualquer um pode ter um carro, uma casa e estabilidade financeira. Eu, particularmente, me encaixo no grupo dos que querem voltar para o Brasil.

DICA DE ANIME

Violet Evergarden (2018)

                                                                      Reprodução

LETÍCIA GOMES

Especial para O Imparcial

O Japão se reconstruiu de uma forma brilhante após ser bombardeado por duas bombas atômicas no conflito mais letal da história da humanidade. Dessa desgraça, os janponeses tiraram múltiplos sentimentos de perseverança, respeito e amor ao próximo ao destacar heróis comuns da sua sociedade. Oprimida desde cedo, Violet é jogada na sociedade pós-guerra do anime e decide fazer o contrário do que sempre a obrigam a fazer. Com cicatrizes e insensível, devido aos anos que passou no exército, ela aceita trabalhar como escritora de cartas e parte em uma jornada para entender a si mesma e seu passado.

AGENDA

Empregos no Japão

Evento: A Avance Corporation recruta descendentes e cônjuges de japoneses para empregos no Japão

Data: Amanhã

Local: Hotel Portal D’oeste

Horário: 18h30

Inscrições: Gratuitas

Festival Gueinossai

Data: 30 de setembro

Horário: 8h às 18h

Local: Associação Cultural Esportiva Vila Industrial

Cidade: Presidente Prudente

Entrada: Gratuita

Atividades: Apresentações culturais japonesas, como dança e karaokê, no evento que reúne as colônias da Alta Sorocabana

Informações: 99733-3231

7ª Noite do Okonomiyaki

Local: Salão da Acae

Data: 6 de outubro

Horário: 17h às 22h

Evento: Gastronômico com a venda de okonomiyaki (R$ 15) e ebiyaki (R$ 12)

Convites: Vendidos antecipadamente

Informações: 99733-3231

NA CULTURA

                                                   Fotos: Arquivo Pessoal

Viviane Akemi Kakazu

Lucia Watanabe, Daniela Nakahara e Marcelo Kumano

Seikyou Seinenkai

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