Eleja sem peleja

Sandro Rogério dos Santos • 07/10/2018 04:29:00

 

As premissas desta crônica são três citações: 1) “De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto” (Rui Barbosa).

2) “Um político é alguém que pensa na próxima eleição, enquanto o estadista pensa na próxima geração. O político pensa no sucesso de seu partido; o estadista, no bem de seu país. O político adota uma ou outra medida; o estadista estabelece um ou outro princípio. Finalmente, o estadista se preocupa em dar um endereço, enquanto o político se contenta em se deixar levar pelo vento” (James Freeman Clarke, teólogo).

3) “O termo ‘crise’ não tem, em si mesmo, uma conotação negativa. Não indica apenas um triste momento, que deve ser superado. A palavra crise tem origem no verbo grego crino, que significa investigar, avaliar, julgar. Este, portanto, é um tempo de discernimento, que nos convida a avaliar o essencial e a construir sobre ele: logo, é um tempo de desafios e de oportunidades” (Papa Francisco).

Pois é! Chegou a hora. Hoje é o dia. Cerca de 147 milhões de brasileiros são esperados nas urnas para o exercício de sua cidadania por meio do voto livre, direto, secreto e consciente. Cada eleitor escolherá seis pessoas para representá-lo no legislativo e no executivo. Recente pesquisa Datafolha revela que 69% da população considera a democracia a melhor forma de governo para o país. Em entrevista, o secretário-geral da CNBB fala da importância do voto para reafirmar a importância da política na democracia. Responsabilidade do voto é “expressão da participação na construção de um Brasil melhor, mais justo, mais fraterno”, afirma dom Leonardo Steiner.

É de se lamentar, portanto, que o atual sistema eleitoral e o desgaste dos partidos possam permitir à minoria – pelo depreendido, não tão afeita à democracia– solapar o sistema escolhendo representantes cujos princípios corroem os pilares democráticos. É anormal que – havendo segundo turno para a eleição presidencial– os dois primeiros colocados sejam os mais rejeitados. Teremos um presidente rejeitado pela maioria da população. Como será o dia seguinte às eleições? Os conchavos corruptos de sempre?

Será que a nossa participação guarda coerência com o que realmente pretendemos para o país? Será que as ondas geradas pela polarização nacional não nos estão tirando um pouco da necessária racionalidade na atuação cidadã? Será que os candidatos a deputado federal e estadual, ao governo e ao senado federal estão em sintonia com as necessidades nacionais? As propostas dos postulantes aos cargos são exequíveis ou apenas cantilena para ouvidos ávidos por ‘poesia’? Sobram interrogações, escasseiam exclamações. Ponto-final, vírgula ou reticências, o que virá?

O padre Zezinho contou a parábola “Em cima da muralha de doze lados”. Havia uma fortaleza em forma de poliedro que tinha doze lados. Mas entre os adeptos e defensores havia alguns ingênuos que achavam que a fortaleza só tinha dois lados. E acusavam os que sabiam acessar os doze lados de estarem acima do muro. Teriam que se postar apenas num dos dois lados que eles conheciam. E não adiantou provar que havia saída por outros lados. Tinham sido instruídos de que só havia munição em dois lados da fortaleza. Já sabem o que aconteceu com os adeptos de apenas dois lados? Escolheram o lado errado. Assim, aproprio-me de suas palavras: “vote em quem quiser, mas respeite também o outro que vai votar em quem quiser. Eleja sem peleja”!

Seja bom o seu dia e abençoada a sua vida. Pax!!!

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