Combate a fake news: Uma decisão que pode tornar a eleição de 2018 mais transparente

Uranio Bonoldi • 05/08/2018 05:20:00

Acho fascinante como a comunicação mudou. Não preciso voltar muito no tempo para fazer um comparativo de situações e reafirmar o meu interesse por este assunto: se antes a preocupação era viajar e procurar sinal de celular (e como eram ruins em muitos casos) para mandar SMS e comunicar aos parentes que tudo corria bem, hoje se faz aquela pergunta corriqueira em recepções de hotéis: "qual é a senha do Wi-FI?". Independente de ser algo recente, o fato é que na semana passada ficou em alta mais uma consequência desta comunicação de massa excessiva: a disseminação das fake news e o impacto destas notícias falsas nas eleições do Brasil.

Antes de entrar no assunto das eleições do Brasil, vamos a um rápido retrospecto do que ocorreu nos EUA com relação à maior rede social da internet. O escândalo decorrente do vazamento de dados com fins políticos, vem assolando o modelo de negócios do Facebook e contaminando seus negócios pelo mundo. Esses escândalos fizeram com que suas ações chegassem a cair quase 6% na terça-feira, dia 17 de julho, seguida de uma pequena recuperação ao final do dia, depois de já terem caído no dia anterior. Em dois pregões da bolsa de valores, o Facebook perdeu 12% do seu valor de mercado. Isso ilustra quão importante é o cuidado que deve ser dedicado ao tráfego de informação na rede – a veracidade das notícias e conteúdos postados e o sigilo das informações dos usuários.

No Brasil, na quarta-feira, dia 25 de julho, o Facebook retirou da sua plataforma um total de 196 páginas e 87 perfis, muitos deles ligados ao MBL (Movimento Brasil Livre), como parte da política de combate à disseminação de notícias falsas, intensificada com a proximidade das eleições de outubro. A decisão da rede social dividiu opiniões entre os usuários. Enquanto pré-candidatos da esquerda defenderam a medida (única e exclusivamente porque não foram afetados, mas novas medidas devem surgir e vamos aguardar para ver se o comportamento será o mesmo), os partidos de direita – se sentindo frontalmente afetados, classificaram a ação como "censura política explícita" e que fere o direito à "liberdade de expressão", defendida pela Constituição Federal. Ou seja, como sempre se trata de grupos políticos debatendo ideologias e a pergunta que fica, é: E a nossa Nação? E o Brasil? Alguém está pensando nele?

Voltando ao assunto do combate às fake news, durante um evento em Nova York, no começo deste mês, o Facebook afirmou que não iria remover perfis considerados suspeitos da rede social. De acordo com a empresa, a decisão de remover páginas com conteúdos suspeitos, com base nos monitoramentos de pontos de vista pessoal apenas da empresa, pode influenciar em quais conteúdos seriam removidos, resultado em uma ação "contrária aos princípios básicos da liberdade de expressão".

Quando questionado de como iria atuar contra as fake news, o Facebook declarou durante este mesmo evento que as mensagens que forem consideradas falsas, serão rebaixadas no feed de notícias, como forma de render menos visualizações pelos usuários da rede. No entanto, ainda ficou a dúvida: Usar algoritmos para diminuir a visibilidade de um determinado conteúdo não seria uma forma de restringir a liberdade de expressão dos usuários da mesma forma que a exclusão dos posts? O que então levou a rede social a decidir por excluir as páginas e os perfis quase quinze dias depois de afirmar que não iria atuar desta maneira?

A decisão que pode mudar os resultados das eleições. Depois de muita pressão por parte da justiça brasileira, o Facebook anunciou na semana passada um plano que pode ajudar no combate contra as fake news e ajudar em resultados mais transparentes nas eleições de 2018.

O fato é que dar limites à desinformação ainda é responsabilidade da equipe da rede social. O banimento de 196 páginas e 87 perfis foi feito depois que a rede social elaborou um plano para impedir a disseminação das fakes news nas eleições de 2018. Ao invés de monitoramentos apenas do ponto de vista da rede social, o conteúdo publicado nas páginas e nos perfis é analisado por quatro instituições financiadas pela empresa, que varia desde robôs que analisam as notícias até programas que detectam mentiras.

Quem quiser anunciar algo sobre propaganda eleitoral, precisará passar por autorização especial, que faz com que a publicação receba destaque diferente. O Facebook também afirma que está trabalhando próximo ao TSE e com Tribunais Regionais Eleitorais, para promover conteúdo de qualidade e eliminar fake news que certamente circularão pela rede.

Enquanto decisões como estas devem ser admiradas, fico aqui na torcida para que a desinformação e incitação ao ódio na internet sejam cada vez menos realidade no Brasil. Agora o que precisa ser feito é procurar uma solução para evitar a disseminação de fake news via WhatsApp. Com sorte, a pouco mais de um mês para o início da campanha eleitoral pelo rádio e televisão, as consequências da comunicação de massa excessiva nos resultados das eleições 2018 podem não ser um problema tão relevante neste ano.

Espero, sinceramente, que expressão "vale tudo" se restrinja única e exclusivamente às antigas lutas de MMA ou UFC que assistimos até altas horas da noite dos finais de semana.

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