Cotidiano

Cabo eleitoral

Arlette Piai • 06/11/2018 04:30:00

Cientistas políticos indagam a razão que levou o Brasil à polarização e radicalismo com dois candidatos antípodas que caracterizou o segundo turno das eleições para a presidência da República. O que se vê é o povo brasileiro cansado de bandalheira, cansado da falta de segurança, cansado de escolas abandonadas, cansado da falta de infraestrutura, cansado do abandono da saúde pública, cansado de criminosos dos políticos. Cansado do cansaço.

A última presidente não conseguia enxergar a situação a que levou o país e o que o povo estava sentindo. Talvez Dilma Rousseff (PT) tenha sido a presidente mais, vamos dizer, limitada de toda a história da República. Quando se viu finalmente cercada pelas consequências de seus disparatos anunciou reforma política com mudança da Constituição que seria aprovada por plebiscito e pactos mirabolantes e etc, para que permanecesse no poder. Nada aconteceu de mágico e, em 2016, o Brasil entrou na maior recessão da sua história.

O PT e seus estrategistas jogou logo a bola para “eles”, como sempre, dividindo o Brasil. Mas nem sonhavam que um deputado do baixo clero, considerado um pouco folclórico pelos seus próprios pares, poderia enxergar na rejeição do PT a grande oportunidade. E o PT achando que seria muito fácil derrotar Bolsonaro no segundo turno, centraram fogo e esfarelaram Geraldo Alckmin (PSDB), Ciro Gomes (PDT), enfim, os que consideraram verdadeira ameaça no segundo turno. Não tiveram, evidentemente, olhos para enxergar o quanto a nação brasileira está cansada deles, nem alcançaram as consequências desse cansaço. Assim com tal encaminhamento, pode-se afirmar que o PT foi o maior cabo eleitoral de Jair Bolsonaro (PSL), hoje presidente do Brasil.

Mas, pelo contexto histórico, não podemos afirmar que estejamos tão mal. Já foi pior. O mundo todo foi governado por monarcas em que filho de rei, reizinho seria. Contamos mais de 300 anos de escravidão legalizada no Brasil. Hoje podemos votar e sentir que somos “uma única família Brasil”. O povo brasileiro conquistou maturidade histórica para aceitar a governabilidade dos candidatos escolhidos pela maioria, e o que é mais bonito: até crianças discutem política.

É necessário estar cônscios de que necessitamos de requisitos básicos para a boa governabilidade. Primeiro: os candidatos foram eleitos para servir o povo brasileiro e não ser servido por ele. Segundo: não existem heróis, mas todos os presidentes, têm necessariamente o dever de tornar a nação mais segura, viável economicamente e mais justa. Terceiro: não só os representantes do povo, mas todos os cidadãos devem fiscalizar seus candidatos. Quarto: a população em geral deve estar comprometida com a “casa Brasil” e, se possível, ter um caso de amor com a humanidade. Assim, estaremos dando nossa contribuição para plantar um Brasil mais seguro e pacífico para nós e aos que ainda estão para nascer.

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