Cotidiano

Ainda no clima criado pelo Dia dos Namorados

Marcos Alegre • 14/06/2018 04:00:00

O amável leitor deve se lembrar que no artigo anterior falei em namoro, o amor, casamento e também divórcio, e conclui dizendo acreditar que as pessoas que não namoram, nem pensam em casamento, são as mais inteligentes. Claro que, seguindo esse raciocínio num sentido global, a humanidade logo se extinguiria. Mas não é assim que encaminho a minha lógica, a minha preocupação. Vou lembrar que de há muito a maior parte dos meus escritos demonstram minha preocupação com o futuro representado pelos jovens. No livro intitulado “Brasil, Problema Emprego-Desemprego”, que tenho analisado, colocamos na página 115: “Organizar campanhas para conscientizar os pais de que a educação dos filhos deve ser compartilhada entre pai e mãe, em primeiro lugar, e a escola”. Isto que dizemos nossa Constituição estabelece como dever. Professores, psicólogos e outros profissionais da área, afirmam que a criança que não conta com a presença de pai ou mãe se sente infeliz e insegura e é esta a realidade que temos hoje em face do vultoso número de divórcios. O divórcio é bom para os casais que não deram certo e podem ter outra oportunidade. E ai é que vem o ponto crucial: E para os filhos?

Para amenizar um pouco nosso discurso, permitam-me contar uma pequena história de amor e divórcio obrigatório, mas não realizado. Surpresa com o divórcio obrigatório? Vamos a historia. Melhor dizendo, vou ter de fazer pequeno resumo. Trata-se de um conto, considerado uma joia da literatura judaica, contido no livro “Lendas do Bom Rabi”, da Coleção Saraiva, publicado em 1951 com o título: “Esposa Modelo”. É a história de uma mulher chamada Rachel, tida como boa, paciente, simples e muito bonita. Casou-se bem jovem e viveu dez anos em perfeita harmonia com seu marido. Mas desse casamento não resultou nenhum filho. Esta história se passa num lugar chamado Sidon, nas antigas terras de Israel, muito antes da era cristã, e a lei que vigorava era a do Livro de Moisés. A lei estabelecia que decorridos dez anos, se o casamento não dera frutos, o marido deveria pedir o divórcio. 

Naquele tempo era considerado desonroso para o homem casado que não deixava um herdeiro para continuar seu nome. E, assim, o marido pergunta à meiga Raquel: “Que se há de fazer, minha querida?”. Raquel não respondeu e seus olhos encheram-se de lágrimas, pois ela amava seu marido e sabia que também era amada por ele. Mesmo aflita e conhecendo a lei, disse ao marido que poderiam procurar o governador do lugar e que ele concederia o divorcio. E assim se fez. Vou voltar à vida em 2018, quando teremos eleições e a possibilidade de renovar nosso vergonhoso Congresso e também as Assembleias Legislativas dos Estados.

Será um importante passo para a reconstrução de nosso país.  O tempo das mudanças de uma sociedade e de uma cultura não é o mesmo da vida de uma pessoa. Nós não podemos subestimar nossa capacidade de fazer parte de uma transformação porque não viveremos para colher os frutos maduros. Nós, brasileiros somos pela diversidade, pela tolerância, pela solidariedade, pela empatia. Nós somos da paz. O brasileiro é bom e merece ser feliz. Entretanto, a política brasileira esta corrompida e a chamada democracia mais se parece com um sistema tirano e terrivelmente impiedoso. Pobre país rico que caminha tão lentamente mas de costas para o seu futuro.

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