Xerostomia no idoso

 11/01/2018 13:04:23  - Luiz Roberto Venturim

Muito se fala sobre a importância de se cuidar bem da saúde do idoso e isso inclui também cuidados com a saúde bucal. Uma boca saudável geralmente reflete um corpo saudável. É notório que a doença bucal mais prevalente no idoso é a periodontal (doenças da gengiva e do osso que circunda os dentes), porém, outros males também surgem com frequência como, por exemplo, a xerostomia.

A xerostomia, conhecida popularmente como boca seca, é resultado da diminuição da produção de saliva. Acomete com intensidade e duração variáveis, um grande número de pessoas. Indivíduos mais velhos se queixam com mais frequência da falta de salivação. A saliva apresenta um pH neutro e é composta por 99% de água. A outra parte é constituída por proteínas como enzimas, imunoglobulinas responsáveis pelos anticorpos salivares, além de outros compostos como bicarbonatos, sódio, potássio e flúor.

A saliva tem papel importante na formação do bolo alimentar favorecendo a digestão e deglutição, ajuda na limpeza físico-mecânica dos dentes e atua na proteção das superfícies internas da boca. Vários fatores são determinantes para o surgimento da xerostomia, tais como: idade avançada (com o passar do tempo, as glândulas formadoras de saliva vão se atrofiando); efeitos colaterais de certos medicamentos, tais como anti-hipertensivos, antidepressivos, tranquilizantes e anti-histamínicos; diabetes (boca seca é um achado frequente); pessoas submetidas à radioterapia na região da cabeça e pescoço, que também podem ter suas glândulas afetadas permanentemente, e em casos de doenças congênitas, onde o indivíduo nasce sem glândulas salivares. Além desses, outros fatores são considerados agravantes, como a má alimentação, higiene bucal inadequada, estresse e tabagismo.

A falta de saliva provoca sensações desagradáveis, entre as quais, mau hálito, dificuldade para falar e engolir, perda de paladar e alteração da voz. Pode ainda provocar doenças locais do tipo gengivite, cáries, candidíase e outras. São diversos os tipos de tratamento, dependendo do diagnóstico de cada caso. Em casos mais simples, corrigir ou melhorar alguns hábitos pode ser suficiente. Bons hábitos podem ser citados como higienização correta, ingestão frequente de água, diminuição no uso de álcool e eliminação do uso do tabaco. Utilização de goma de mascar sem açúcar ajuda no estímulo da formação de saliva.

Se o problema se referir à medicação ministrada, o médico pode ser consultado para a possibilidade de substituição dos mesmos. O mais importante é manter-se sempre hidratado. Em casos de perda irreversível na produção de saliva, ainda existe a possibilidade de se minimizar o problema com utilização de saliva artificial. A odontologia, enfim, possibilita uma gama imensa de diferentes terapias, que viabilizam o conforto e qualidade de vida que o idoso tanto necessita.

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