Tempo. Tempo? Tempo!

 13/11/2017 10:45:13  - Sandro Rogério dos Santos

Um pouco de poesia e oração. “O tempo não para.” “O tempo não perdoa ninguém.” “O tempo é o melhor dos remédios” (para todos os males!). “O tempo é dinheiro.” “Não podemos perder tempo.” “É preciso otimizar o tempo.” Temos a “previsão do tempo”. O tempo oportuno. O tempo desafortunado. Diante de um relógio parado, tentei parar meus pensamentos. Não consegui. Tentei parar o fluxo de emoções que me viam por todos os poros. Não deu. Vi-me na incapacidade de controlar o tempo. Incapacidade de não saber sequer administrá-lo bem, mesmo que apregoem por aí a necessária disciplina para atletas e para os que pretendem ser alguém na vida. Quão incapazes somos de realizar tarefa tão “simples”: ajustar os passos no ritmo do tempo. Não digo nem do ritmo da vida, mas do tempo.

Celebra-se o tempo da vitória. Foge-se do da derrota. Sabemos que batalhas profundas são travadas não contra outros, mas contra nós mesmos. É como fragrâncias incontidas em seus frascos, ainda que importados e importantes. Vida que não se cansa de avançar nem que seja para a perdição ou para o tempo das rugas, da flacidez, da sonolência, da incontinência, da surdez, da cegueira, da decrepitude. Nascemos pequenos no corpo e grandes na energia vital. O tempo passa e nos tornamos grandes no corpo, mas não na energia vital.

Gastamos tempo correndo atrás de borboletas. Desejamos atravessar o arco-íris no horizonte para lograr o pote de ouro que afirmam numa de suas pontas estar. Bem dizia o sábio de Israel que tudo é vão. Vaidade das vaidades! Tanto pior quando constatamos que, em nossos dias, é das deusas mais cultuadas. Tão apegados a nós próprios que nada mais em nós consegue espaço para desenvolver-se e aprofundar raízes. Que triste, não?!

Ó tempo! Senhor dos senhores, dá-me a graça de aproveitar-vos com largueza de espírito. Dá-me partilhar-vos com as pessoas, boas e más, certas e incertas, amigas e inimigas, próximas e distantes... só assim saberei ao final que não foi em vão passar por vós, ó tempo.

Hoje, ainda conto os dias de minha vida. Contemplo neles as coisas mais marcantes. Não foram todas boas. E para ser sincero, costumamos ter na consciência mais próxima as lembranças más. As coisas, pessoas, palavras e situações que nos puseram de algum modo em maus lençóis. É como se gostássemos da tortura. Uma espécie de “sadio” masoquismo. Ó tempo! Vinde e dai-nos renovadas chances de caminhar convosco. Não quero caminhar contra vós. Não quero enfrentar-vos, pois sou tão menor, tão menos que... bom, bastaria um istmo para que tudo fosse. Poeira, sei que sou. Mas do pó fui feito e o divino criador me dá alegria da água do Espírito, do sopro da vida e da sua morada em mim. Desta forma, Ele me tira de vós, tempo. Pois só aquele que habita fora de vós, pode me fazer também morar além.

Desejo hoje estar na presença de Deus. Habitar em seu santuário, na terra dos justos. Por isso, ó Deus, senhor dos tempos e dos momentos, “ajusta” a minha vida. Faz-me mais forte que o poderoso tempo. Dá-me contemplar já agora a sua condição eterna e me faz desejar com mais intensidade essa mesma condição de vida para além da vida. * Se o relógio parado fez-lhe pensar tantas coisas, sinal de que parada não deve ser a sua ânsia por viver e por fazer-se aprendiz da vida que insiste acontecer; vou refletir um pouco mais sobre a vida e as nuanças que em mim realiza.

Seja bom o seu dia e abençoada a sua vida. Pax!!!

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