Charanga Domingueira TAMBÉM CONFESSO QUE VIVI

 19/06/2017 12:39:26  - Charanga Domingueira - Flávio Araújo

Quando o centenário de minha querida cidade se aproxima é natural que fique fazendo conjecturas e projeções daquilo que se viveu, do que se pretendeu viver, se valeram ou não algumas decisões tomadas em grande parte desses 100 anos. Recebo manifestações de leitores sobre a Charanga de domingo passado quando descrevi, mesmo que rapidamente, sobre o rádio prudentino dos velhos tempos. Antes, um pouco de história: a PRI-5, a primeira emissora da cidade, foi fundada por Manoel Bussacos, um pioneiro de muitos sonhos e realizações. Foi pioneiro também na presença da aviação na cidade e deixou este plano quando o pequeno monomotor que pilotava sofreu uma pane e caiu. A tradição de pioneirismo em determinada área mostra que, quem sai aos seus não degenera mesmo, e foi assim que Arnaldo Bussacos foi o fundador da Rádio Comercial e seu irmão, Rubens Bussacos, chegou a alto posto no Ministério das Comunicações. Minha paixão pelo rádio também foi algo muito profundo. Tanto que, aos 20 anos, deixei tudo para trás e fui para Dourados, no então quase selvagem Mato Grosso, hoje do Sul, fundar uma emissora que não me pertenceria. A Rádio Clube de Dourados. Fui bancário na adolescência e muita gente me aconselhava a continuar onde estava e não ceder ao fascínio que o microfone exercia sobre mim. Também fui criticado pelo artigo da semana passada pela referência que fiz aos métodos do então gerente da emissora, o saudoso Carlos Alberto. Por sinal, que a rádio Presidente Prudente passou agora a sua concessão a outro grupo, o que não tem nada a ver com o que estou narrando. Em 1965 não foi minha porque não quis. Apenas quero enfatizar o quanto se é feliz quando se faz o que gosta. Não poderia trocar tudo aquilo que rolou em minha já longa jornada, por nada neste mundo. Estive em seis Copas do Mundo e participei da narração de cinco delas. Fórmula 1 me fez correr esse mundão de meu Deus por dez anos consecutivos; estava de microfone em punho quando Eder Jofre tornou-se campeão do mundo e quando deixou de sê-lo. Tanto como galo, como quando ganhou o cinturão dos penas. Acompanhei a carreira de Pelé do princípio ao fim e minhas narrações no filme “Pelé Eterno” o comprovam. Basquete? Narrei a fase mais gloriosa em que conquistamos títulos mundiais. Então, o que quero mais? Chego ao limiar do centenário da minha cidade como sempre sonhei. Pobre, simples, vivendo do meu trabalho, apesar de octogenário, mas plenamente realizado. É o que vale. Permitam que diga parafraseando Pablo Neruda: “Confesso que vivi” e agregue: E venci. Dinheiro, as traças corroem. Lembranças, como os diamantes, são eternas. 

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