Sindicato e omissão

 12/09/2017 11:51:16  - Arlete Piai

No Brasil o sindicato já nasceu suspeito. Surgiu na era mais ou menos fascista de Getúlio Vargas, em 1931, fortemente controlado pelo Estado, ou seja, veio ao ninho já desprovido de sua verdadeira função, de representar a categoria profissional dos seus membros.  Ao longo da história, e particularmente nos últimos 10 anos, os sindicatos aumentaram de forma espantosa.  Em 2017HYPERLINK "http://www3.mte.gov.br/sistemas/cnes/relatorios/painel/GraficoTipo.asp", culminou com o total de quase 20 mil sindicatos no país. E tornaram-se sugadores dos trabalhadores, pois, são sustentados por imposto sindical, recolhidos, obrigatoriamente dos empregados e empregadores.  Somente HYPERLINK "http://acesso.mte.gov.br/cont_sindical/arrecadacao-da-contribuicao-sindical-2.htm"no ano de HYPERLINK "http://acesso.mte.gov.br/cont_sindical/arrecadacao-da-contribuicao-sindical-2.htm"2016, os sindicatos receberam 3,5 bilhões de impostos.

Vê-se que sindicato “virou negócio de altíssima rentabilidade” e está entre os mais lucrativos do Brasil. Além da grana dos trabalhadores, somam-se ainda os privilégios dos “patrões” e etc e tal. É o Ministério do Trabalho que autoriza a farra da multiplicação dos sindicatos. Veja leitor, que no Brasil o número de sindicatos corresponde a mais de 90% de todos os sindicatos do mundo. Só neste ano foram criados mais 215. Os Estados Unidos contam ao todo 191 sindicatos, a Inglaterra, berço da luta trabalhista, conta com 152, a Dinamarca conta 18. Como é permitido no Brasil o estrondoso número de sindicatos e sua estrondosa arrecadação arbitrária de impostos?

As razões da multiplicação de sindicatos não são difíceis de entender: A arrecadação sindical aumentou 57% nesta última década chegando a R$ 3,5 bilhões em 2016. E Lula vetou a tentativa de o Congresso obrigar os sindicalistas a prestar contas. Assim o que deveria ser proteção aos direitos dos trabalhadores transformou-se em negócio milionário. A maioria dos sindicatos brasileiros foi criado e é controlado pela CUT do PT. Só de imposto sindical são faturados R$ 60 milhões por ano e com direto de se fazer o que querem com a grana.

O Brasil precisa ser passado a limpo de ponta a ponta, e este é o melhor momento histórico para tal. Depois de amanhã nossa Prudente, esta bela jovem senhora, completa 100 anos. É motivo de júbilo e de festa. Mas é também motivo de profunda reflexão. Quem somos? O que fazemos e o que fazem nossos representantes para melhorar nosso município? O que fazem pelas nossas escolas públicas municipais? A educação é o pilar determinante para fazer mudar os municípios, os Estados, a nação.

Professores junto aos seus alunos vão comemorar felizes o centenário de Prudente? Se são respeitados pela nobre função que desempenham, com certeza, a resposta será afirmativa.  Mas, só de se pensar em diminuir a retribuição do trabalho do professor sob quaisquer alegações, constitui tentativa de crime contra essa classe responsável pelo crescimento humano-político-econômico. É enterrar o que ainda está para nascer, é violar o inviolável, é desmoronar o pilar base da sustentação de possibilidade real de mudanças desejáveis e necessárias.

Disse o sociólogo Darcy Ribeiro: “Fracassei em tudo o que tentei na vida./Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui./ Tentei salvar os índios, não consegui./ Tentei fazer uma universidade séria e fracassei./ Tentei fazer o Brasil desenvolver-se e fracassei./ Mas meus fracassos são minhas vitórias/ Eu detestaria estar no lugar daqueles que me venceram.” A dor do fracasso, no entanto, não é mais dolorosa que a da omissão.  Esta, com certeza, não fez parte da vida do nosso brilhante sociólogo.

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