Santidade no mundo atual

opiniao

| Sandro Rogério dos Santos

O Vaticano divulgou a Exortação Apostólica “Gaudete et Exsultate” (“Alegrai-vos e exultai” – Mt 5,12) sobre a chamada à santidade no mundo atual. Não é um tratado sobre a santidade com definições e distinções eruditas e sofisticadas. O objetivo do Papa é “fazer ressoar mais uma vez a chamada à santidade, procurando encarná-la no contexto atual, com os seus riscos, desafios e oportunidades, porque o Senhor escolheu cada um de nós “para ser santo e irrepreensível na sua presença, no amor” (cf. Ef 1,4).

Exortação Apostólica, o EA é um documento magisterial, de cunho pastoral, dirigido aos católicos, apontando diretrizes claras a sua ação em vista dos novos desafios da sociedade. Na ordem de importância, viria depois de Constituição Apostólica e Encíclica. Entretanto, o valor do escrito está no seu conteúdo, não na forma. Além desta, o Papa Francisco já escreveu as EA “Evangelii gaudium”, sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual (2014) e a “Amoris laetitia”, sobre o amor na família (2016); e as Encíclicas “Lumen Fidei”, sobre a fé (2013) e “Laudato Si’”, sobre o cuidado da casa comum (2015).

Com este documento, Francisco recolhe toda a tradição de novas instituições que surgiram no século XX, reconhecidas pelo Vaticano II, e dá um novo passo explicando como viver a proposta cristã no contexto atual. Afirma que “para ser santo não é necessário ser bispo, sacerdote, religiosa ou religioso. Todos estamos chamados a ser santos, vivendo com amor e oferecendo o próprio testemunho nas ocupações de cada dia, ali onde cada um se encontra”. Cada um tem seu próprio “caminho de santidade” para manifestar o melhor de si e não precisa desgastar-se procurando imitar comportamento que tenha sido pensado para outros.

Francisco propõe olhar ‘os santos da porta do lado’, isto é, “os pais e mães que criam com tanto amor os seus filhos, homens e mulheres que trabalham para levar o pão a sua casa, enfermos, religiosas idosas que continuam sorrindo”. Ou a senhora que não fala mal das amigas, escuta com paciência e carinho os filhos, diante dos problemas, reza e trata bem os pobres. Na hierarquia de valores, a caridade está no centro.

No terceiro capítulo, referindo-se às Bem-Aventuranças como “a carteira de identidade do cristão”, o Papa oferece pautas para viver estas recomendações de Jesus no dia de hoje. “Nelas está delineado o rosto do Mestre, que somos chamados a deixar transparecer no dia a dia da nossa vida”. “No capítulo 25 do evangelho de Mateus (vv. 31-46), Jesus volta a deter-se numa destas bem-aventuranças: a que declara felizes os misericordiosos”. “Neste apelo a reconhecê-Lo nos pobres e atribulados, revela-se o próprio coração de Cristo, os seus sentimentos e as suas opções mais profundas, com os quais se procura configurar todo o santo”.

Visando a um estilo de vida dos católicos, Francisco propõe cinco manifestações do amor a Deus e ao próximo: suportação, paciência e mansidão; alegria e senso de humor; audácia e fervor; em comunidade e em constante oração. Por fim, lembra que a vida cristã é uma luta permanente contra o demônio —príncipe do mal— que não precisa possuir-nos. Envenena-nos com o ódio, a tristeza, a inveja, os vícios. Importa vigiar, pois “como leão a rugir”, o demônio está pronto para atacar. O discernimento é uma necessidade imperiosa para saber o que vem do Espírito de Deus. O papa espera que a EA seja útil para a Igreja se dedicar a promover o desejo da santidade entre todos. Esforcemo-nos, pois, “não há santo sem passado nem pecador sem futuro”.

Seja bom o seu dia e abençoada a sua vida. Pax!!!

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