República brasileira

 29/08/2017 13:00:08  - Arlete Piai

O Brasil continua à mercê dos privilégios e do poder, que os interesses da nação ficam em último plano. Razão tinha o doutor Ulysses Silveira Guimarães quando sentenciou que pior do que o atual Congresso, só os próximos. Em IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do Brasil está classificado em 79º lugar, atrás até de países da África.

Onde estão os jovens, força da renovação e trabalho, que não se candidatam a cargos eletivos? Fugir, abandonar a pátria, como tantos fazem, com certeza, não é a solução. As grandes mudanças políticas na terra tupiniquim vieram de presente. A vinda da família real foi resultado da trágica invasão napoleônica na Europa, que trouxe para a colônia o rei de Portugal. Tal fato foi propulsor para que a independência do Brasil viesse mais ou menos de presente. A República foi fruto de golpe que expulsou Dom Pedro 2º e veio sem que a população ao menos soubesse o que é República. Mas o preço que se paga pela falta de participação popular e de luta pelas conquistas, é bastante caro.

O presente é consequência do passado. A República golpista começou tropeçando. Os primeiros presidentes foram marechais: Deodoro da Fonseca, com o golpe destituiu o Poder Legislativo e após dois anos teve que renunciar. Na mesma linha dura veio o Marechal Floriano Peixoto, nominado “o marechal de Ferro”. Rodrigues Alves foi o primeiro presidente eleito pelo voto e, como Tancredo Neves, ambos morreram antes de tomar posse. Afonso Pena não terminou o mandato. Washington Luís foi deposto pela revolução de 1930 e seu sucessor, Júlio Prestes, nem chegou a tomar posse. Eurico Gaspar Dutra ficou cinco anos, como José Sarney. Getúlio Vargas entrou também com um golpe e ficou na história com suicídio. Café Filho ficou um ano. Carlos Luz,  seu sucessor, foi deposto. Juscelino Kubitschek completou o mandato e teve seus direitos cassados em 1964. Jânio Quadros renunciou após dois anos. João Goulart, Jango, foi deposto, e Fernando Collor  impeachmado. Fernando Henrique Cardoso, eleito por quatro anos, ficou oito. Dilma também foi impeachemada. Temer quase teve o mesmo destino da antecessora.

Nossa República nasceu doente e não sarou.  Resta-nos pensar o que deve ser feito para oferecermos às próximas gerações um Brasil decente. Parece que tentamos quase tudo: mandato do Executivo de quatro anos; de cinco anos; de novo quatro anos,  com reeleição para cumprimento de oito anos; junta militar; vice eleito de outra chapa; parlamentarismo (rejeitado em plebiscito). Por ironia ou não, a monarquia foi o governo mais estável da história do nosso país, com Dom Pedro 2º imperando por meio século e grandes realizações como a implantação da ferrovia no Brasil, que mais tarde foi a maior responsável pelo nascimento de Presidente Prudente e região, com a EFS (Estrada de Ferro Sorocabana). 

Passou do momento histórico de se fazer varredura geral neste país para mudar os representantes (com raras exceções) e exigir o que desejamos como nação. De novo, faço apelo: Onde estão os jovens, força da renovação e trabalho que não se candidatam a cargos eletivos? Para encerrar, as palavras de Anísio Teixeira: "Só existirá, de fato, democracia no Brasil, no dia em que se montar no país a máquina que prepara as democracias. Essa máquina tem nome de escola pública de qualidade".

Comentário