Reagir ao colapso político

 04/09/2017 11:42:30  - Antônio Assiz Carvalho Filho

Dizendo ser reforma política, deputados e senadores tentaram aprovar um fundo de R$ 3,2 bilhões para que os partidos custeassem as campanhas eleitorais de 2018. Isso equivale a 6.400 malas com R$ 500 mil em cada uma. Se por milagre, os atuais inquilinos do Congresso Nacional virem a produzir regras que aperfeiçoem a política representativa, provarão que ratos são seres capazes de por fim à própria espécie. Não é racional a sociedade civil aguardar que uma reforma eleitoral venha a ser feita por políticos já eleitos, no entanto, é preciso encontrar fórmulas para deixar acesa a chama de que o título de eleitor terá, um dia, serventia para organizar uma representação política decente nas eleições que estarão por vir.

Um esforço nesse sentido é feito pela União das Entidades de Presidente Prudente e região, a UEPP, para que se possa fazer com que vozes fora das estruturas partidárias cheguem aos ouvidos moucos da classe política. Há vários anos, a UEPP atua para melhorar a qualidade da representação partidária por ocasião das eleições e, a duras penas, abriu espaços na Assembleia Legislativa do Estado para serem ocupados por entidades civis empenhadas em levar as questões sobre a infraestrutura de transportes de carga na região para serem debatidas com o Governo do Estado. Vibrante, independente e sem vínculos partidários, realiza a semeadura da semente do bem para que se tenha, no futuro, a possibilidade de haver pessoas honestas dispostas a ingressar na carreira política.

Da mesma forma com que o cidadão se vê tratado na condição de eleitor, também o é como condutor de veículos. Aplicar multas no trânsito tornou-se uma galinha de ovos de ouro da administração municipal, dada a facilidade de obter, mediante radares descalibrados, vultosa arrecadação sem ter que apresentar contrapartidas à população. E, assim, quanto mais multas, melhor.

Nesse cenário comemorar-se-á o primeiro centenário de Presidente Prudente, com a comunidade presenciando os seus representantes políticos se digladiando e batendo cabeças. Temas relevantes deveriam ser debatidos com a sociedade civil, como por exemplo, a elaboração de políticas públicas para dar sustentação à saúde econômica das entidades que prestam assistência à população. Ninguém, na nossa comunidade, é alheio às dificuldades enfrentadas pelo Núcleo Ttere, pela Lúmen et Fides, pela Casa de Apoio ao Portador de Câncer e dos seus esforços em busca de recursos para poderem prosseguir com suas nobres atividades. É preciso que os políticos que nos representam, no Legislativo e no Executivo, se entendam, se alinhem e produzam políticas públicas de qualidade para essas entidades. 

A reforma política em curso no Congresso Nacional é uma falácia, pois não é só o ato de votar que sustenta a democracia. É também preciso que o eleitor atue no dia-a-dia para que os políticos eleitos não lhes virem às costas após as eleições. E, assim, se a sociedade civil prudentina se dispuser a exercer um pouco de pressão sobre o Executivo e o Legislativo municipal, poderá fazer com que haja discussões para a criação de um fundo municipal de apoio às entidades sociais com o dinheiro que arrecadam com as multas de transito. É chegado o momento de suscitarmos debates para que os políticos eleitos produzam políticas públicas que devolvam à comunidade o que lhe é tomado sem contrapartidas de valor. Esse esforço, se feito, traduzirá um esforço da sociedade civil em querer deixar um legado de qualidade no ano do centenário de Presidente Prudente.

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