Quem foi o Marcinho?

 05/10/2017 11:41:46  - Marcos Alegre

Antes de redigir este artigo quero agradecer ao nosso jornal a reprodução em 26 de setembro do trabalho: “Marcinho chegou... para sempre”. O Imparcial publicou em 30 de maio de 2004 a manchete. “Aberto de Tênis: finais ocorrem hoje no TCPP [Tênis Clube de Presidente Prudente]. Torneio em homenagem ao maior tenista profissional de PP em todos os tempos, falecido em 1987, termina com 46 finalistas”. Ao mesmo tempo, o Tênis Clube coloca uma placa na qual consta que todas as quadras de tênis do clube recebem o nome do Marcinho (Marcius Otávio Del Grande Alegre).

Vinte e três de setembro, início da primavera lembra com mais intensidade o dia em que meu filho, Marcinho, aos 23 anos, iniciou sua viagem para a eternidade, quando estava residindo na cidade de Santa Cruz, na Califórnia, Estados Unidos. De julho até setembro, trabalhou num restaurante e chegou a escrever numa carta que estava aprendendo a fazer hambúrguer e à noite treinava e corria pelas ruas da cidade. Ele estava feliz e muito contente.

Creio que vale a pena fazer ligeiro histórico da carreira do Marcinho. Estudou normalmente como todos os jovens, mas sua preocupação maior era o estudo de línguas. Com isso, em poucos anos já falava, fluentemente inglês, italiano, espanhol e francês. Desde os 14 anos vinha participando de torneios pelo Brasil, ganhando inúmeros troféus e medalhas. Foi semifinalista em torneio aberto em Bauru; vice-campeão da Copa Natu Nobilis; campeão do Torneio Yassuda, no Tênis Clube; campeão dos Jogos Regionais por Prudente, sem perder um set.

Aos 16 anos empreendeu sua primeira viagem para os Estados Unidos e participa do torneio Rolex, em Nova Iorque, chegando as oitavas de final. Disputa o torneio Mundial de Miami e atinge a semifinal. Nesse momento ele é chamado pela CBT (Confederação Brasileira de Tênis) para participar de torneios no Brasil e, com vitórias no qualifying, entra para o quadro principal do torneio Mellita Open, em Curitiba. Em seguida, torna-se campeão Paulista Interclubes e campeão Brasileiro, jogando pelo Esporte Clube Pinheiros.

Entre 1981 e 1984 participa de torneios em vários países, como Estados Unidos, México, Holanda, Inglaterra, Itália, França (Roland Garros) e Espanha. Neste tour ele ganhou alguns troféus e um pouco de dólares também. Em Portugal, além de vencer o torneio Roger Taylor Tennis Center, ele parou um pouco para dar aulas no famoso Vale do Lobo.

O apogeu de sua forma física e técnica coincidiu com o recrudescimento da crise econômica no Brasil, o que tornou muito difícil a obtenção de patrocínio mais efetivo. Foram anos de sacrifício para suas viagens pelo país e exterior, que eram sempre bancadas pela família, na base de extrema economia. Mas ele nunca perdeu a esperança. Pelo contrário, as dificuldades o estimulavam para a luta. E agora, mais maduro, acreditava que poderia, com sua experiência, ajudar os mais jovens a progredirem no esporte. Aqui em Prudente, aos sábados e domingos, reunia um grupo de garotos, meninos e meninas, arranjava raquetes e batia bolas com eles o dia inteiro. A mãe dele fazia bolos e salgadinhos e levava para o almoço, e as jogadas continuavam até o anoitecer. Terminava o dia cansado, mas sempre feliz e risonho. Na verdade o Marcinho era um moço bom, meigo, carinhoso e, por vezes, travesso, que nunca perdia o bom humor. Todos os que o conheciam gostavam dele. Há muito mais o que dizer sobre esse herói, mas o espaço, infelizmente, me obriga a finalizar.

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