Quarto de Badulaques X

 04/09/2017 11:40:11  - Sandro Rogério dos Santos

“Quarto de badulaques”, já explicado na primeira vez que apareceu neste espaço, é a doçura de ideias alheias, frases ou citações impactantes que podem assimilar, resumir ou nomear uma “fome”, uma “sede” ou uma história. É também fruto de quando se torna difícil escolher. Em lugar de único tema ou de algumas poucas linhas, é preciso transbordar, não deixar escapar. Já foi dito que ideias são como pássaros. Alguns as soltam, outros, pegam-nas.

Nesse artigo, são mescladas breves publicações dum perfil nas redes sociais com inspirações hagiográfico-existenciais. O sentimento motriz é o de ao invés de maldizer a escuridão, poder riscar um palito de fósforo; ideias brilhantes podem ser expressas enquanto dura a chama de um palito.

Deixar tocar/questionar, por exemplo, pelo ensinamento de Inácio de Loyola, o santo fundador dos jesuítas: “quem quiser reformar o mundo comece por si mesmo”, ou então pelas reflexões advindas da liturgia diária: “O Amor, que aceita até a cruz, é o único caminho para a salvação. Por isso, nem mesmo o maior sofrimento deve retirar de nós a fidelidade a Deus”. Aliás, “Deus espera de nós fidelidade, não êxito ou sucesso”, ensinou Madre Teresa.

Para a Santa de Calcutá, era fundamental saber que “não é o quanto fazemos, mas quanto amor colocamos naquilo que fazemos. Não é o quanto damos, mas quanto amor colocamos em dar”, ainda, “palavras gentis podem ser curtas e fáceis de falar, mas seus ecos são verdadeiramente infinitos”. Mais: “seja fiel nas pequenas coisas porque é nelas que mora a sua força”.

Ela tinha consciência de que o seu “trabalho é uma gota no oceano, mas sem ele, o oceano seria menor”. Sua força vinha da fé, da alegria de servir e de ser-para-os-outros; sua força se alimentava do amor. “O amor é a fruta da época de todas as estações e está ao alcance de cada mão. Qualquer um pode colhê-lo, sem limites estabelecidos”.

Nesta semana, o Papa Francisco lembrou-nos de que “o Evangelho convida, antes de tudo, a responder a Deus que nos ama e que nos salva, reconhecendo-O no próximo”. A experiência humana não pode ser desvinculada da existência do outro. Se ama é porque alguém o amou primeiro. Se se reconhece é porque alguém o olhou primeiro. E a experiência da fé segue o mesmo ritmo. Viver em comunidade, compartilhar a vida.

Nos atuais tempos carrancudos, nunca será demais descobrir a alegria da vida no estar com os outros. De Agostinho, o santo de Hipona: “se não queres sofrer não ames. Porém, se não amas para que queres viver?”. Quanto vale uma vida sem amor? Quanto vale uma vida solitária? Aliás, vale?

Não raro, é necessário reorientar a rota da existência. O caminho se faz duro, desafiador e, então tentados, acaba-se enveredando por caminhos estranhos, atalhos que pareciam oferecer descanso, rapidez, felicidade, alegria... mas não passavam de ouro de tolo. Nesta hora, será bom saber parar, refletir, olhar em derredor, conferir com quem e com quantos se caminha.

Em ‘lições sobre amar e viver’, Morrie Schwartz, aconselhou: “aceite o passado como passado, sem negá-lo ou descartá-lo. Tenha suas lembranças, mas não viva no passado. Aprenda com ele, mas não se castigue a respeito dele nem lamente o tempo todo sua passagem. Não fique atolado no passado”.

Nessa linha, “aprenda a se perdoar e a perdoar os outros”. Se preciso, tenha a coragem de mudar. Modificar a rota na estrada existencial para não modificar o sentido da viagem. Que o amor seja o condutor das necessárias mudanças na vida.

Seja bom o seu dia e abençoada a sua vida. Pax!!!

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