Professores apaixonados

 10/10/2017 11:57:37  - Arlete Piai

De Gabriel Perissé, doutor em Filosofia da Educação pela USP (Universidade de São Paulo):  “Professoras e professores apaixonados acordam cedo e dormem tarde, movidos pela ideia que podem mover o mundo. Apaixonados, esquecem a hora do almoço e do jantar. Estão preocupados com as múltiplas fomes que, de múltiplas formas, debilitam as inteligências. As professoras apaixonadas descobriram que há homens no magistério igualmente apaixonados pela arte de ensinar, que é a arte de dar contexto a todos os textos. Não há pretexto que justifiquem, para os professores apaixonados, um grau a menos de paixão e não vai nisso nem um pouco de romantismo barato. Apaixonar-se sai caro! Os professores apaixonados, com ou sem carro, buzinam o silêncio comodista, dão carona para os alunos que moram mais longe do conhecimento, saem cantando o pneu da alegria. Se estão apaixonados, e estão, fazem da sala de aula um espaço de cânticos, de ênfases, de sínteses que demonstram, pela via do contraste, o absurdo que é viver sem paixão, ensinar sem paixão. Dá pena, dá compaixão ver o professor desapaixonado, sonhando acordado com a aposentadoria, contando nos dedos os dias que faltam para as suas férias, catando no calendário os próximos feriados. Os professores apaixonados muito bem sabem das dificuldades, dos desrespeitos, das injustiças, até mesmo dos horrores que há na profissão. Mas o professor apaixonado não deixa de ser professor, e seu protesto é continuar amando apaixonadamente. Continuar amando é não perder a fé, palavra pequena que não se dilui no café ralo, não foge pelo ralo, não se apaga como um traço de giz no quadro. Ter fé impede que o medo esmague o amor, que as alienações antigas e novas substituam a lúcida esperança. Dar aula não é contar piada, mas quem dá aula sem humor não está com nada, ensinar é uma forma de oração. Não essa oração chacoalhar de palavras sem sentido, com voz melosa ou ríspida. Mera oração, e nada mais. Os professores apaixonados querem tudo. Querem multiplicar o tempo, somar os esforços, dividir os problemas para solucioná-los. Querem analisar a química da realidade. Querem traçar o mapa de inusitados tesouros. Os olhos dos professores apaixonados brilham quando, no meio de uma explicação, percebem o sorriso do aluno que entendeu algo que ele mesmo, professor, não esperava explicar. A paixão é inexplicável, bem sei. Mas é também indisfarçável”.

Queridas professoras e queridos professores. Em muitos países, a mais nobre entre as profissões é a do professor, portanto, respeitada, valorizada e admirada pela população e governantes. Entre eles, a Finlândia, o país em que as crianças e jovens amam a escola. Suécia, os professores são enaltecidos por todos e os mais bem remunerados entre todas as profissões. Japão, o respeito e a admiração ao professor são tantos que dizem que são as únicas pessoas que não se curvam diante do imperador, pela simples razão: numa terra que não há professores, não pode haver imperadores. Realidade, metáfora ou lenda? Não importa, as três alternativas são corretas a primeira para realidade, as demais para a poesia. “Uns são homens. Alguns são professores. Poucos são mestres. Aos primeiros, escuta-se. Aos segundos, respeita-se. Aos últimos, segue-se. Se hoje ‘enxergo’, é porque fui colocado em ombros de gigantes!”, pensador.

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