Pai & mestre

 04/10/2017 12:04:56  - José Renato Nalini

O constituinte de 1988 foi sábio ao erigir a educação em direito de todos, mas em dever do Estado e da família, em colaboração com a Sociedade. O primeiro dever de educar é dos pais. Atrair a família para a sala de aula é receita para melhorar o desempenho dos alunos.

Escolas que dão certo convidam os pais a atuar dentro da sala de aula desde o primeiro dia do ano letivo. A participação é gratificante e os pais aprendem a ajudar a alfabetização dos filhos. Até brincando se aprende e se ensina. Depois, mostra à criança que a escola é um lugar de acolhimento. Não é um depósito onde os pais deixam os filhos para poder trabalhar.

Essa receita vale para todos os lares. Não se distingue o estamento social a que a família pertença. O envolvimento dos pais na escola dos filhos é fator de evidente melhoria no aproveitamento do aluno.

Intuitivo que os pais que leem para os filhos, verificam se fazem seus deveres de casa e comparecem às reuniões na escola, obtêm resultados melhores nas avaliações a que seus filhos são submetidos. Na verdade, a avaliação apenas reflete uma situação contextual. Não pode ser bom aluno aquele que em casa é negligenciado, tratado com menosprezo ou com déficit de carinho.

É imatura uma sociedade em que os pais abdicam do dever de educar e transferem para o governo essa missão indeclinável. A criança deve chegar à escola com o currículo "oculto" ou "implícito" bem consolidado. É a mãe a primeira mestra, aquela que inculca os bons modos, a educação de berço, a polidez, aquela que treina a espontaneidade no uso das palavras mágicas do "muito obrigado", "por favor", "com licença" e outras tantas.

O treino social da prole começa muito cedo. Os anos iniciais são fundamentais. Os traumas vão surgir na maturidade e muito adulto infeliz, inseguro, agressivo ou introvertido é o resultado de pais que se descuidaram daquilo que é tão natural e urgente: preparar aquele que não pediu para nascer, para ser uma pessoa o quão feliz possa vir a ser. 

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