Nova era climática

 09/11/2017 11:16:11  - Marco Antônio Del Grande

As Conferências das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas são conferências anuais realizadas no âmbito da UNFCCC (Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas). Eles servem como reunião formal das Partes da UNFCCC (Conferência das Partes, COP) para avaliar o progresso em lidar com as mudanças climáticas e, com início em meados da década de 1990, negociar o Protocolo de Quioto para estabelecer obrigações juridicamente vinculativas para os países desenvolvidos reduzirem suas emissões de gases de efeito estufa.

A partir de 2005, as Conferências também serviram como Conferência das Partes que servem de Reunião de Partes no Protocolo de Quioto. Insta ressaltar que as Partes na Convenção, que não são Partes no Protocolo, podem participar em reuniões relacionadas ao protocolo como observadores. A partir de 2011, as reuniões também foram usadas para negociar o Acordo de Paris, como parte das atividades da plataforma Durban, até sua conclusão em 2015, o que criou um caminho geral para a ação climática.

Sob este escopo ocorre neste ano, de 6 a 17 de novembro, a 23ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP23, em Bonn, na Alemanha, e será organizada pelo secretariado da UNFCCC, e presidida por Fiji, bem como a 13ª Reunião das Partes do Protocolo de Quioto. e a 2ª Reunião das Partes do Acordo de Paris. Neste tríplice evento, os 192 países-membros das Nações Unidas discutirão, segundo a Secretária Executiva da UNFCCC, Patricia Espinosa, o aumento da consciência da vulnerabilidade das ilhas e de todas as nações, cujo objetivo é abrir a porta para ainda mais colaboração e apoio para as comunidades resilientes e para a transição para o crescimento alimentado por energia limpa, num momento em que a ONU anunciou em 30 de outubro a “nova era climática”, já que a concentração de CO2 (dióxido de carbono) na atmosfera, responsável pelo aquecimento global, alcançou um nível recorde em 2016, o maior em pelo menos 800 mil anos e advertiu sobre um “aumento perigoso da temperatura”.

De acordo com a OMM (Organização Meteorológica Mundial), este “rápido aumento” do nível de CO2 se deve à “conjunção das atividades humanas e a um potente episódio de El Ninõ”, um fenômeno climático que aparece a cada quatro ou cinco anos e que traduz no aumento das temperaturas do Oceano Pacífico, o que provoca secas e fortes tempestades. Vale ressaltar que as concentrações de CO2 foram inferiores a 280 partes por milhão nos últimos 800 mil anos e aumentaram desde a Revolução Industrial, segundo dados geológicos coletados por meio de amostras de gelo da Groelândia e da Antártida. “Enquanto era de 400,00 partes por milhão (ppm) em 2015, a concentração de CO2 na atmosfera [...] 403,3 ppm em 2016, agora representa 145% do que era na época pré-industrial (antes de 1750)”, afirma o documento publicado em Genebra, onde fica a sede da OMM.

Esse relatório alimentará os debates da 23ª conferência anual sobre aquecimento global patrocinada pela ONU (Organização das Nações Unidas). Esse aumento recorde de 3,3 partes por milhão de CO2 se deve em parte a um forte El Ninõ em 2015 e 2016, que gerou secas em regiões tropicais e limitou a capacidade das florestas de absorver o gás, segundo a OMM, além da queima de combustíveis fósseis com fins energéticos e do desmatamento para agricultura e construção. Neste contexto, “as futuras gerações herdarão um planeta muito menos hospitaleiro”, completou Petteri Taalas.

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