Ladrões de galinhas

 21/05/2017 13:13:43  - Sandro Rogério dos Santos

Um país em transe. A vida em tempo real nas telas das TVs e dos celulares. Uma nação governada por quadrilhas de boa aparência e sobrenomes importantes. Um povo azedado por tantas maracutaias vindas à lume. Verdadeiro ‘big brother’, ‘Show de Truman’, sensação, muita confusão... De algum modo, as vísceras de poderosos (empresários e políticos) são expostas com desassombro a olhos nus. Quem assistiu ao noticiário às 8h pode não se dar conta que às 8h30min os fatos noticiados já não são mais os mesmos e que ao meio-dia tudo pode ser completamente diferente. Se ficar apenas no primeiro noticiário, sem atualização, correrá o risco de defender o indefensável ou de se esconder por motivos vis, superados.

É lamentável a atual quadra da vida política nacional. Estamos vivendo o momento e, por isso, não conseguimos mensurar alcances, nem o real papel de cada personagem, ora, destacada. O falecido ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Teori Zavaski, usou a expressão “ao puxar uma pena, sai uma galinha” para classificar os sucessivos escândalos envolvendo a classe política. O despudor tomou conta da vida pública nacional. Entre as pessoas, vai-se alastrando o desencanto pela política partidária, ao mesmo tempo que se quer novidades nesse campo e até se pleiteiam ‘eleições diretas’ para escolha do presidente da república – o que, por ora, a Constituição não contempla.

A crise é grave, ninguém há de negar (a não ser alguns poucos alienados e no olho do furacão). Não nos parece haver nenhum nome cuja história nos garanta a passagem pelo ‘mar vermelho’ e a entrada na terra da promessa. O Brasil carece de liderança, de um novo e renovado espírito do fazer e ser públicos. Causa enjoo, revolve o estômago, uma pestilência... assistir as aulas que nossos ‘líderes’ nos dão. Quem deveria servir de exemplo modelar nas virtudes está totalmente carcomido e suas palavras já não dizem nada. Como diz a canção: “eu presto atenção no que eles dizem, mas eles não dizem nada”. Aliás, até dizem, mas dizem a seu próprio favor palavras que nem eles próprios acreditam. Nalguns momentos, foi interessante ver a euforia dos acusados de ontem rindo porque os acusados de hoje lhes são adversários. Enquanto os homens do poder ‘despudorados’ vilipendiam o povo, este se divide e digladia por causa dos que lhe causam tanto mal. Há gente o tempo todo querendo ter a palavra final, o texto irretocável. Mas não está fácil. Todos estamos metidos na confusão. E há fumaça a embaçar a vista de todos. Cada qual fechado no seu forte se acredita detentor da melhor saída para a crise, da melhor e definitiva palavra para que não se gaste mais tempo nem energias em tolas discussões.

Assisti, li e ouvi tanta coisa! Não sei direito o que oferecer a quem me lê, me escuta, me vê. Meus interlocutores não andam muito abertos nem assentem às visões distintas das suas. As narrativas parecem valer mais que os fatos; e a guerra não poupa ninguém. Ah, que saudade dos ladrões de galinhas! Enfim, “num momento em que a velocidade da internet faz os ânimos das pessoas ficarem alterados, é preciso lembrar que os que precisam ser derrotados estão no poder. Não custa lembrar: os inimigos por derrotar não estão entre nós, os governados. A quadrilha dos que governam é pluripartidária” (Pedro Doria).

Os crentes, não entregaremos os pontos, não desistiremos da verdade nem da bondade. Nosso Senhor Jesus Cristo venceu. E, com Ele, também nós venceremos. Se a fé não influir na vida quotidiana, para que servirá, então, tê-la? Seja bom o seu dia e abençoada a sua vida. Pax!!!

Comentário