Imortalidade eletrônica

 05/09/2017 11:22:17  - Arlete Piai

Parece que os humanos sempre buscaram a imortalidade, quer no encontro do Santo Graal, na Lança do Destino, na Arca da Aliança entre outras mitologias. Mas, as lendas e mitos criados ao longo do tempo evidenciam também antagonismo: Ao descobrir a fonte da imortalidade, todos dela se afastam.  

Será mesmo possível conquistar a imortalidade? Ian Pearson, Matemático, futurólogo e físico, diz que sim. Afirma, com base científica, que alguns dispositivos cibernéticos serão cridos e poderão ser ligados aos cérebros humanos a fim de oferecer sentidos extras: o sexto, sétimo, oitavo sentido. E a imortalidade! Geração do século 21: prepare-se para viver no “Admirável Mundo Novo”!

Para Ian Pearson, o homem atingirá a imortalidade de forma simples assim: O corpo no seu ponto final poderá ter 99% da mente ligado a maquina. Neste caso, a morte do ser humano perde somente 1% da atividade cerebral. Então pronto! O morto poderá ir ao seu próprio enterro e voltar ao trabalho, numa boa!  Será ainda possível comprar um corpo de androide e fazer um upload para ele. Ou mesmo a mente humana poderá viver na nuvem, se esta for a preferência. Mas, tudo isso vai exigir competência dos médicos porque os dispositivos serão ajustados com cirurgias. Nada de excepcional, diz o cientista, é só querer. Também o mal de Alzheimer desaparecerá para sempre, enfermidades mentais terão tratamento substituindo-se áreas danificadas do cérebro. Tudo será mais simples que as cirurgias plásticas de hoje.

Mas se alguém desligar a tomada que garante a vida do finado que não é mais finado, acabou-se!  Bem, neste caso parece recomendável não ter inimigos da primeira vida... Outro risco é a ocorrência de uma guerra nuclear. Nesses dois casos as pessoas que já morreram, mas ainda vivem; morrerão de novo. Ian Pearson ainda afirma que essa realização ocorrerá ainda antes do meado do século 21, porque é simples fazer ligações entre máquinas e o sistema nervoso central.

Tudo isso que hoje causa espanto é bem possível que ocorra, afinal quem na Idade Média imaginaria o mundo digital e conectado de hoje? A quarta revolução tecnológico, possibilitada e nascida com as descobertas da física quântica, foi gigantesca, a maior da história da humanidade. Ocorreu em curto espaço de tempo e está só no começo. Será a cada ano mais, muito mais gigantesca.

Ocorrerá mesmo a imortalidade eletrônica? Pode ser, ou não! Mas vivendo em forma convencional no meu corpo, lembro os versos de Charles Chaplin: a máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria./Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos;/nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco./Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade/Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura.

Se você, leitor, pudesse fazer opção, seria Charles Chaplin ou Ian Pearson? Se a opção for a segunda, de que forma  escolheria para viver depois da sua primeira morte? Em máquinas frias, em nuvens, em robôs, androides ou talvez em outra forma humana? Mas antes de responder a essa pergunta, resta o primeiro e grande questionamento: A humanidade deseja mesmo a imortalidade, ou como relatam os mitos: “Todos se afastam, por opção, da fonte da imortalidade”.

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