Felizes vocês, humanos

 06/11/2017 11:28:52  - Sandro Rogério dos Santos

O ser humano quer ser feliz. Busca a felicidade a cada momento; mesmo quando envereda por caminhos tortos, o movimento visa à felicidade. Ou não é essa a forma pela qual muitos jovens (mas não só) ingressaram no mundo das drogas e hoje são por estas tragados? A ilusão de felicidade, a excitação efêmera os conquistou e derrotou. Quer dizer, talvez não os tenha ainda derrotado, senão somente seduzido e viciado. Há outros pequenos e fugazes prazeres que prometem o que não podem entregar. Comer, comer, comer... não conhecer limites, não saber dizer não, não saber experimentar o momento, mas ser dele um escravo.

O ser humano sabe-se limitado, finito e ao mesmo tempo anseia pela infinitude, a plenitude... o céu. A sua alma anseia pelo ‘algo a mais’ que completará o quadro. A consciência que tem sobre si de ser finito o angustia e a alguns até paralisa. Nessa existência é preciso descobrir o sentido de tudo, especialmente, o da vida. Saber para onde e por que caminha. Ter-se em suas próprias mãos para trilhar com algum desassombro as sendas existenciais. Aquele que sabe para onde vai não desiste enquanto não alcança a meta, nem se abate se ainda falta tal ou tanto. Segue.

O ser humano é dinâmico, faz-se continuamente, não nasce pronto, apronta-se. É salutar saber que tudo o que fez está feito, mas ele ainda não está pronto, não está feito. Há uma dose de teste no que é e deseja ser. E talvez aqui esteja um ponto importante para saber-se (ou não) feliz. Não acredito que haja uma vida feliz cujos dias todos, bem como os meses e os anos tenham sido apenas de alegria, de encontros, de festas, de nascimentos, de vitórias. Capaz que a pessoa antenada ao seu próprio passo esteja vivendo felicidade o tempo todo, mesmo na dor, na enfermidade, na partida...

O evangelho apresenta algumas categorias de seres felizes, ‘bem-aventurados’: os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus; os aflitos, porque serão consolados; os mansos, porque possuirão a terra; os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados; os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia; os puros de coração, porque verão a Deus; os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus; os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus; os injuriados e perseguidos por causa de Jesus (cf. Mt 5,1-12).

O Reino de Deus é acessado por todos quantos subvertem a doentia ordem de reconhecimentos humanos cheios de trocas. O convite de Jesus diz: “não busquem a felicidade na satisfação de seus interesses, nem na prática interessada de sua religião. Sejam felizes trabalhando de maneira fiel e paciente por um mundo mais feliz para todos”. O caminho da felicidade é perceber-se no caminho, sair de si em direção ao outro, não ser autorreferente, em outras (populares) palavras, não viver centrado no próprio umbigo. Quem se fecha sobre si, empobrece o viver.

O desamor e a falta de afeto positivo nas famílias, nas ‘tribos’ adolescentes e juvenis, são das muitas ‘calamidades’ atuais. A insensibilidade consigo e com o outro não apenas empobrece, mas mata. E por falar em matar, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgou que em 2016, foram 61.619 mil (SESSENTA E UMA MIL) mortes violentas no país. Nem países em declaradas guerras tem índices tão assombrosos. Pessoas bem-aventuradas contagiam o seu entorno, saram a si e ao mundo cujo coração definha. A felicidade não está lá no futuro, mas aqui.

Seja bom (e feliz) o seu dia e abençoada a sua vida. Pax!!!

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