Depende de nós

 25/06/2017 13:48:09  - Antônio Assiz Carvalho Filho

A nova versão do Plano Diretor de Logística e Transporte do governo paulista, o PDLT, previsto para estar em vigor no inicio de 2018, mudará de forma radical a utilização do solo e a velocidade do desenvolvimento dos municípios do interior paulista. Após 20 anos amargando as consequências dos erros das versões dos planos anteriores, que ocasionaram o envelhecimento da rodovia Raposo Tavares, a paralisação das obras do prolongamento da Castelo Branco, a precariedade do terminal aeroportuário, o abandono da utilização da hidrovia do Rio Paraná e o sucateamento da malha ferroviária, finalmente a população do Pontal do Paranapanema e da Nova Alta Paulista poderão sonhar em reverter essa situação. O novo Plano Diretor poderá, se houver a pressão da sociedade civil, corrigir os erros que impedem o progresso do oeste paulista.

A Secretaria Estadual de Logística e Transportes, preocupada com o crescente aumento da frota de veículos no transporte de cargas, está prestes a apresentar um Plano Diretor para desafogar o acesso rodoviário à Região Metropolitana de São Paulo-RMSP, onde vivem 21,2 milhões de habitantes e concentra 18% do PIB nacional. De acordo com os seus estudos, as 10 rodovias que acessam a RMSP estão em estágio avançado de saturação e, a partir de 2030, todas elas deixarão de oferecer condições fluidez, o que acarretará grandes prejuízos econômicos aos importantes complexos industriais e comerciais de São Paulo, ABC, Guarulhos e Osasco.

A solução encontrada foi fazer a integração trem-caminhão a partir de um raio de 80 km de distancia de São Paulo, em plataformas logísticas, nos municípios de Sorocaba, Campinas, São José dos Campos e Santos, ou seja, todo o transporte de carga em direção a RMSP será por rodovia até essas 4 plataformas, e a partir delas de trem. Essa solução impactará na elaboração de logísticas de transporte de cargas e de passageiros em todo o Estado.

Os municípios paulistas que não obtiverem investimentos na sua infraestrutura regional transportes (rodovias, hidrovias, aeroportos, ferrovias e dutos) para oferecerem acessos de qualidade aos municípios de Sorocaba, Campinas, São José dos Campos e Santos ficarão de fora do rearranjo da localização das indústrias que hoje estão na RMSP. A previsão de migração e realocação da indústria paulista é tida como certa, pois a Secretaria de Transporte possui estudos que comprovam que o novo PDLT desencadeará a desconcentração do PIB da região metropolitana em direção às regiões do interior paulista que tenham boa infraestrutura de transporte para acessar as 4 plataformas de integração trem-caminhão.

Por conta da sua relevância, a nossa sociedade civil, por meio da União das Entidades de Presidente Prudente, a UEPP, acompanha, desde o inicio deste ano, na Assembleia Legislativa, o andamento do PDLT. Não há sombra de dúvidas de que a região de Presidente Prudente só sobreviverá economicamente nos próximos 30 anos se houverem investimentos em todos os seus modais de transportes. Depende de nós o debate e a mobilização para que não amarguemos, até o ano de 2050, outro período longo de empobrecimento e inanição, com a população sem ter o que fazer, a não ser eleger prefeitos e deputados para levarem o chapéu para aparar esmolas do governo estadual e do governo federal.

 

Antonio Assiz Carvalho Filho é matemático, doutor pela Universidade de São Paulo (USP), professor e pesquisador da FCT/Unesp. É diretor da empresa Assiz & Consultores Associados – contato: antonioassiz@icloud.com

Comentário