Brasil e a desigualdade social

 02/11/2017 13:00:00  - Marcos Alegre

Nosso país não voltará a crescer de maneira sustentável enquanto não reduzir sua desigualdade e a extrema concentração de renda no topo da pirâmide social, diz o economista francês Thomas Piketty, que se dedica, com outros economistas, as pesquisas sobre o que ocorre em países em desenvolvimento como o Brasil, China e Índia.

Este autor orienta seus alunos, entre os quais cita o irlandês Marc Morgan, que incorpora informações sobre imposto de renda e outras fontes e sugere que a desigualdade brasileira é maior que pesquisas anteriores sugeriam e calculavam que os 10% dos mais ricos da população ficam com mais da metade da renda no Brasil. Sabe-se que a renda média em nosso país, dos 1% dos mais ricos ganham cerca de 541 mil dólares ao ano. Na França, por exemplo, não chega a 500 mil.

Piketty defende as reformas que tornem o sistema tributário mais progressivo, aumentando os impostos cobrados sobre a renda e o patrimônio dos mais ricos e lembra que, apesar de avanços dos últimos anos, o Brasil continua sendo um dos países mais desiguais do mundo. E isso não é bom para o nosso crescimento, embora tenha havido pequeno progresso nos segmentos inferiores da distribuição de renda beneficiados por programas sociais e pela valorização do salário mínimo. Entretanto, esse ganho foi às custas da classe média e não dos mais ricos, por isso a desigualdade continua muito grande. Isso é ruim para o crescimento econômico e o desenvolvimento sustentável e se torna necessário promover verdadeira revolução ao longo dos próximos anos, capaz de reverter o quadro e encaminhar o país para o verdadeiro caminho do crescimento e desenvolvimento para diminuir a desigualdade.

Lembrando que o nosso povo, sobretudo o mais pobre, é sempre o mais prejudicado, em especial nesta época, em que o Brasil vive sob imensa crise provocada pelos maus governantes que somente pensam em permanecer no poder, pouco se importando com o povo. É por isso que o grande jornalista Clóvis Rossi diz “que nosso país acumula grande estoque de pobres e miseráveis”. Ao mesmo tempo, o médico Miguel Srougi apresenta seu texto com o título “Pátria amada, mãe gentil?”. Alguns trechos dizem: “O PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro é grande. As exportações atingem recordes. Tudo parece indicar que o país está bem, entretanto, não me sinto feliz por que a saúde de uma nação tem de ser pautada, não apenas por seu PIB, mas, sobretudo pelo respeito à condição humana e pela luta sem trégua contra a desigualdade social. E como permanecer calado quando descubro que cerca 40 milhões de brasileiros vivem abaixo da linha da pobreza incapazes de sequer obter alimentos para subsistir?”.

Platão há mais de dois milênios observava que os governantes não usam seu poder para o bem comum, mas para seu próprio interesse. O tempo passou, pouco progredimos nesse setor, e nem o pessoal do topo da pirâmide e que se dizem cristãos, sentem algum escrúpulo em receber altos salários. No Brasil, de acordo com dados da ONU (Organização das Nações Unidas) 1% dos cidadãos mais ricos têm a mesma renda que a soma dos 50% dos mais pobres, mostrando que o sistema tributário brasileiro é pouco progressivo, enquanto em países mais avançados a tributação é bem maior, sobretudo, sobre rendas mais altas. É comum a citação dos Estados Unidos como paradigma de avanços em qualquer área, entretanto a mídia tem informado que a crise desse país elimina 1,5 milhão de vagas e, grupo expressivo de trabalhadores, não conseguiu voltar ao mercado e muitas dessas pessoas hoje estão na extrema pobreza. Para encerrar esse cenário, a ONU informa que 840 milhões de pessoas do mundo passam fome. Terrível, não?

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