As crianças precisam de cuidados especiais

 06/10/2017 12:51:25  - Maria Angélica Amorieli Bongiovani

Atualmente ouvimos diariamente notícias sobre pedofilia e sua prática. É a pedofilia um fruto da atualidade ou um problema que sempre existiu? Será que agora o pedófilo se expressa atuando mais, porque as crianças estão mais livres em função de uma nova realidade, novas dinâmicas e diferentes configurações familiares?

Crianças de tempos atrás, mais relativamente protegidas pela família, dificultavam as manifestações dos pedófilos em ocupar o seu palco, impossibilitando assim, o ato de legitimar sua prática. Devido às mudanças e transformações, uma nova realidade foi se dando ao longo do tempo em nossa sociedade. Atualmente as crianças de faixa etária de um ano e meio já estão frequentando as escolas e não ficam mais em casa, mesmo suas mães não trabalhando fora. Outras crianças vão para as creches para suas mães trabalharem, pois hoje a maioria das mulheres precisa trabalhar, para ajudar nas despesas do lar.

Outras mudanças que reconhecemos são as alterações nas formas das brincadeiras lúdicas das crianças. Atualmente, para a criança, o computador e os seus acessos à rede, como celulares e seus aplicativos, são os brinquedos mais divertidos provocando uma espécie de hipnose levando a uma satisfação enorme. Sabemos que uma das armas mais eficientes de que os pedófilos se valem para alcançar seus objetivos é a inserção no universo informacional, onde estão desenvolvendo uma grande capacidade em se tornarem hóspedes da rede.

Sempre existiu a pedofilia, o que nunca existiu foi essa facilidade que o pedófilo está encontrando para, como já disse, legitimar a sua prática. O desenvolvimento infantil atualmente vem queimando etapas em suas fases psicossexuais. Tínhamos as fases de latência, onde a criança tinha uma ponte entre a fase infantil e a pré-adolescência; hoje a criança fica um pré-adolescente muito rápido, e a puberdade está acontecendo de forma muito precoce, encurtando a infância. O pedófilo está presente em todos os lugares, a espera de uma criança, é necessária orientação aos pré-adolescentes e adolescentes, no sentido de não cair na armadilha da oferta sedutora, pois os pedófilos têm uma facilidade muito grande em saber exatamente às carências afetivas pelas quais cada criança ou adolescente está vivenciando em determinado fase de sua vida.

Ele compreende, acolhe e seduz a criança com muita capacidade e habilidade. Alguns fazem “facebooks fakes” se passando por mulheres ou atores, atrizes e cantores, etc. Quando me refiro à proteção, não estou dizendo que temos que colocar os filhos dentro de uma bolha e não permitir que ele tenha vida própria em função do medo do perigo lá fora. Temos que prepará-los para se relacionarem e enfrentarem a realidade fora de casa e com certa autonomia e conhecimento. A alienação é perigosa. Psicodinamicamente falando, o pedófilo idealiza o mundo infantil e não aspira em converter-se em adulto, que inconscientemente despreza. Não podemos mais fingir ou negligenciar que nada acontece com as crianças em seu desenvolvimento biológico, todas, é inerente e universal, passam, vivenciam o desenvolvimento psicossexual.

Não podemos continuar pensando que as crianças não possuem nenhuma sexualidade, é instintivo, biológico e pulsional, por isso o dialogo aberto com nossos filhos a esse respeito e sem tabu é importante. Devemos permitir uma maior abertura sobre esses aspectos dentro de casa. O objetivo é que clarifiquem suas curiosidades para que não tenha motivos que os levem a escolher pessoas arbitrarias e aleatórias, lá fora, que lhe deem abertura com naturalidade e ternura.

Os pedófilos são graduados neste sentido e sabem exatamente os pontos fracos das crianças e adolescentes, cooptando-os com muita facilidade. Não podemos deixar que nossas dificuldades impeçam nossos filhos de expressarem sua sexualidade como se tudo fosse proibido. Vale a pena conversar, explicar, dialogar, vencer os obstáculos que muitas vezes é maior em nós mesmos que já somos adultos. Freud, já em 1910, nos fornece a pista, falando que as crianças são aguilhoadas ao longo dos anos de infância pelo desejo de se tornarem grandes e fazer o que os adultos fazem. O diálogo também direciona a prevenção de uma série de problemas, como gravidez precoce, doenças sexualmente transmissíveis, medo da masturbação, medo da menstruação, enfim, evitar que se tornem presas fáceis para os pedófilos.

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