A segunda chance

 16/06/2017 14:45:40  - Hélio Martinez

Assisti há pouco tempo um filme com o nome A segunda chance. O artista principal é Harrison Ford. O enredo do filme versa sobre a existência terrena, como nos comportamos, como agimos, se somos merecedores da proteção divina e, principalmente, como tratamos nossos iguais. Harrison Ford é, no filme, um famoso advogado, integrante de um escritório com mais de 50 causídicos. Não perdia uma ação. Não se importava com os meios e sim com os fins. Para atingir a vitória, empregava todos os artifícios e artimanhas.

O filme começou com um júri, onde se escondeu uma prova dos autos para ter a improcedência da demanda. Tratava-se de um hospital com evidente erro médico. Harrison Ford saiu vitorioso. Ao chegar em casa, após comemorar o êxito, percebeu que não tinha cigarros e, fumante inveterado que era, saiu de madrugada para comprá-los. Ao ingressar numa conveniência estava ocorrendo um assalto, e o marginal disparou contra o personagem do ator, atingindo-o por duas vezes. Ele ficou entre a vida e a morte.

Sobreviveu, mas teve uma anoxia cerebral, ou seja, falta de oxigênio por algum tempo no cérebro. Com isso, perdeu totalmente a noção de quem era, o que fazia e deixou de andar. Teve cuidados pessoais, em especial, de uma pessoa maravilhosa que não só cuidava da doença do corpo, mas também da alma. Com isso, Harrison Ford recuperou-se e, nas lembranças que advieram à mente, recordou-se que tinha amante, não agia honestamente e até mesmo sua esposa o traía. Rompeu com o escritório, com a amante e passou a vivenciar uma nova existência, com Deus e a família no coração.

Muitas nuances ocorreram, mas não as detalharei porque aconselho aos amigos leitores assistirem ao filme, que é uma lição de vida. Aproveito também o ensejo para transmitir um pouco de sensibilidade aos leitores. Li, não me lembro onde, uma estória que narra uma blitz numa avenida de um grande centro. Alguns motoristas estavam com os documentos em ordem, outros foram multados, outros ainda tiveram os veículos apreendidos. Não faltou ainda os que transportavam drogas e dirigiam veículos roubados. Então, lembremo-nos de que um dia haverá outra blitz: a de Deus. Assim, devemos estar sempre com nossa vida espiritual como se cada dia fosse uma última viagem para o céu. Vamos todos prestar atenção em nossas vidas. Ver a existência terrena com os olhos de Jesus. Que Ele seja nosso companheiro de viagem.

Se nas leis terrenas somos multados, presos, reclusos, na lei divina acontece a mesma coisa, só que com consequências mais desastrosas. O papa Francisco, quando ainda era o padre Jorge Mário Bergoglio, escreveu a seguinte mensagem: “Não chores pelo que perdeste, lute pelo que tens; não chores pelo que está morto, lute por aquilo que nasceu em ti; não chores por quem te abandonou, lute por quem está contigo; não chores por quem te odeia, lute por quem te ama; não chores pelo teu passado, lute pelo teu presente; não chores pelo teu sofrimento, lute pela sua felicidade. Siga adiante. Nada é impossível de solucionar”. Viver com dignidade, não obstante as adversidades, lutar por amigos, pelo povo, debater o grande mal que assola nosso país, a corrupção. Eis o que devemos fazer. Não sabemos se teremos uma segunda chance.

 

Hélio Martinez é juiz aposentado e advogado.

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