É preciso nomear nossas sensações

 08/12/2017 13:20:53  - Maria Angélica Amoriello Bongiovani

É preciso nomear nossas sensações. Muitas vezes não nos conhecemos. Não temos identidade. Desconhecemos nosso mundo interno ou psiquismo. E ele é povoado de sensações difíceis de lidar, elaborar, enxergar e de administrar. Muitas vezes nos perdemos em meio a essa rede de interrogações. Toda vez que ficamos nesse patamar, parados, perdidos e sem direção, nos tornamos vulneráveis e presa fácil para ser ludibriados. Atraímos pessoas que muitas vezes poderão ajudar ou prejudicar. Estamos diante de uma realidade muito cruel, onde os frágeis e desamparados estão se tornando vitimas.

Os idosos atraem bandidos que ficam igual urubu esperando a carniça. Certa vez um pecuarista contou-me que quando o bezerro nasce os urubus ficam todos próximos com a finalidade de cega-lo, para em seguida morrer de fome. Cegos não localizam as tetas da mãe-vaca. Daí eles vão e devoram o bezerro. Crianças atraem, com sua espontaneidade, pedófilos a espera de um momento de vulnerabilidade dos pais.

Mas não são somente os idosos ou as crianças que sofrem abusos. Todos nós podemos vivenciar momentos em que, ficamos entregues ao outro em decorrência de vários fatores. Perdas, lutos, desemprego, infância traumática, abuso sexual, traumas diversos, divorcio dos pais, enfim, múltiplos fatores poderão influenciar na personalidade e muitas vezes desencadeiam transtornos que levam ao profundo desamparo. Freud nos fala que para esquecer os traumas ou problemas devemos lembrar-nos deles. Temos que procurar ajuda com profissionais éticos, idôneos, de senso humanitário, extrema responsabilidade e empatia.

Acreditem: Não tem magia! Não existe bruxaria, poção mágica, feitiço, numeróloga, pedras com energia, chás, massagens, etc. O que existe é que temos de encarar o problema de frente. Enfrentar a realidade. Ninguém vai trazer o esposo ou a esposa de volta por R$ 10 mil. Temos de assumir o que fazemos. Administrar nossas atitudes. Elaborar nosso crescimento. Em momentos de extrema fragilidade tornamos nosso mundo interno “vazio” ou “oco”, ocasiões em que possa surgir entrada para oportunistas. É inerente que surjam durante nossa trajetória de vida, espaços vazios em que precisamos elaborar. Espaços de dores emocionais. Assim sendo aprendemos a não deixar espaços para “o bandido” entrar. Nem sempre teremos “xerifes” para nos proteger. Temos que nos fortalecer e nos tornarmos o nosso “xerife” interno de cada dia.

Quando somos internamente fortalecidos, ego integrado e um bom autoconhecimento, não permitimos que situações do mundo de fora nos invada e tome conta. É preciso pensar antes da ação. Exatamente como nosso sistema imunológico funciona. Com a resistência baixa, ficamos com nossa porta de entrada aberta para as piores bactérias. É preciso fortalecer nosso sistema imunológico e nossas emoções. Fiquem atentos com alguns profissionais e pessoas extremamente complacentes ou semi-deuses. Ninguém faz milagres. Na dúvida, sempre ouça uma segunda opinião. A história de informação de por “boca a boca” é boa, mas mesmo assim, não relaxe. A fé é muito importante. Ter esperança é vital. Se você está doente e seu médico prescreveu alguma medicação e aparecem algumas recomendações de plantas, sementes, garrafadas; cuidado! Não deixe de tomar, além das raízes, o remédio prescrito pelo seu medico.

Fiquem atentos com pessoas que chegam de mansinho, telefonemas estranhos, com pessoas vendendo felicidade. Há profissionais vestidos de pele de cordeiro prometendo o mundo, desconfiem. Não há milagres. Cuidado, fique esperto, pergunte, especule, pegue referencias, não caia na conversa de ninguém estranho. Não adianta se trancar, aprenda a lidar. Reforce suas emoções. Reforce seu mundo interno. Fique bem com você. Fique de bem com você mesmo. Apresente-se a si mesmo. Não fique estranho consigo próprio.

Comentário