Voltar o olhar para o terceiro setor é perpetuar a cidadania

05/02/2018 12:25:59

Na última década, o Brasil vivenciou como nunca antes a ampliação de políticas públicas voltadas para a diminuição das desigualdades sociais como um todo. As falhas deixadas pelas administrações públicas nas áreas de assistência social, educação e saúde, por exemplo, ainda estão distantes de serem corrigidas, mas é inegável o empenho destas esferas para a erradicação das defasagens que atingem as minorias. Embora os esforços já surtam efeitos no âmbito social, muitos dos resultados não seriam possíveis se não houvesse a participação do terceiro setor, que, apesar de atuar como um aliado dos governos, frequentemente precisa agir de forma independente para manter as portas abertas aos públicos atendidos.

Em Presidente Prudente, o trabalho desenvolvido pelo poder público conta com o apoio de mais de 35 entidades filantrópicas, que prestam atendimentos nas mais diversas áreas e lidam com uma gama de problemas que afetam a sociedade, como a dificuldade no acesso ao mercado de trabalho, a desigualdade de renda e falta de moradia, o enfrentamento do trabalho infantil e da violência sexual e a fragilização de vínculos afetivos relacionais e de pertencimento social. Entre os profissionais que se unem para minimizar estes problemas, não faltam a boa vontade e o espírito solidário e justiceiro. Muitos deles dedicam horas do seu dia para garantir a defesa dos direitos humanos sem cobrar qualquer retorno financeiro. No entanto, apesar da conduta firme e da perseverança dos voluntários, nem só de recursos humanos sobrevivem as instituições.

Para que o trabalho seja viabilizado, existe a necessidade de manutenção de uma infraestrutura que demanda despesas constantes, cujo custeio é alto e vai além da disponibilidade orçamentária das instituições. Conforme noticiado por este periódico na edição de hoje, a falta de recursos é, atualmente, o principal desafio enfrentado pelas entidades, que, para continuar o atendimento, precisam contar com a colaboração da comunidade e dos repasses municipais, estaduais e federais. Ainda que a arrecadação obtida seja baixa, cada contribuição é valiosa e permite que crianças, idosos e até mesmo animais de estimação tenham suas necessidades atendidas. Nesse sentido, cabe não só ao poder público a tarefa de voltar o olhar para a situação destas organizações, mas à sociedade civil como um todo, uma vez que um dos passos para a superação das defasagens sociais é o pleno exercício da cidadania e do compromisso com o próximo.

Estilo do Site
  • Luz
  • Alto Contraste