Marcio Oliveira - Prática reuniu cerca de 60 pessoas no Quintal Esportivo do Sesc

Foto: Marcio Oliveira - Prática reuniu cerca de 60 pessoas no Quintal Esportivo do Sesc

QUINTAL ESPORTIVO

Vivência de capoeira aborda herança cultural

Grupo “Os Angoleiros do Sertão”, de Prudente, esteve no Sesc Thermas para apresentar a modalidade

  • 30/09/2018 05:00
  • THIAGO MORELLO - Da Reportagem Local

O local era o Quintal Esportivo do Sesc Thermas de Presidente Prudente, rodeado pela natureza e pelas pessoas que ali realizavam atividades físicas. O som era do berimbau, de novo a natureza e as vozes que davam lugar ao canto. “Sua benção, mestre”, alongamento e a calma em toda e qualquer palavra dita. O cenário ilustrado formou a Vivência de Capoeira de Angola, realizada ontem, para cerca de 60 pessoas. Ministrada pelo grupo Os Angoleiros do Sertão, o evento tratou da herança cultural enraizada no esporte, além de promover o principal objetivo: reunir e encontrar amigos.

À frente do grupo, uma das vozes era do Ednilson da Silva, Trenel Molejo, que explica que a função de todo o trabalho é também dar vez ao “movimento negro, disseminar a cultura afro-brasileira” e, novamente, reencontrar amigos. A possibilidade, segundo ele, é pertinente, haja vista que a modalidade em si tem se enraizado e criado laços com outros grupos de fora.

É que o grupo Os Angoleiros do Sertão é de Prudente, mas a reunião com a vivência traz a integração de pessoas de diversos locais, como de Maringá (PR), por exemplo. Quem traz o pessoal de lá é o mestre Binha, que conheceu a modalidade angolana há mais ou menos oito anos. Isso sem contar os outros 27 anos, que contabilizam os 35 dedicados à capoeira. Na ocasião, ele falou sobre a força que o esporte tem, a disciplina por trás de tudo e os ganhos ao longo da história.

“É uma atividade rica de tudo. Participar disso é ter a chance de vivenciar a herança cultural que temos. Infelizmente o preconceito sempre vai existir, mas aos poucos temos ganhado mais voz e mais espaço”, completa mestre Binha. Em complemento, Ednilson ressalta a disseminação da modalidade, que hoje ganhou lugar em vários locais do país.

E adeptos também. No Quintal Esportivo, homens, mulheres, jovens, idosos, adultos e até crianças de colo, assim que o sinal verde foi dado, todos entraram na dança. Até quem estava de fora e praticava outras atividades parou para olhar.

Angoleiros

De modo geral, o grupo foi criado na década de 1980, em Feira de Santana (BA). Ainda de acordo com Ednilson, a modalidade, na verdade, se trata do estilo raiz da capoeira, no entanto, “pouca gente tem conhecimento disso”.

Encontros com vários grupos, como a vivência, acontecem sempre, mas o grupo se reúne pelo menos três vezes por semana, para aperfeiçoar a prática. Durante esse momento, o mestre explica que eles buscam divulgar ainda mais a história, valorizar a expressões dos praticantes e tornar evidente a essência da identidade cultural.

 

SERVIÇO

Para quem quer conhecer mais sobre o grupo ou até mesmo fazer parte, o contato inicial deve ser realizado através do Facebook Trenel Molejo, ou pelo telefone (18) 99745-0622. A atividade é ministrada na FCT/Unesp (Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Estadual Paulista) de Prudente e também no Centro Cultural Matarazzo.