Violeiro da região integra CD com Selo Sesc de Produção

Bruno Sanches é um dos 19 músicos do Estado que mostram a versatilidade na utilização do instrumento no projeto “Viola Paulista”, que explora novos horizontes além da moda caipira

SANDRA PRATA - Especial para O Imparcial • 11/07/2018 06:00:00

 No meio do curso de licenciatura em Música, pela USP, Bruno se deparou com algo que mudou os seus planos: a viola. Foto: Divulgação / Kátia Gardin

Viola, caipira, cabocla, arame, violinha, sertaneja, nordestina, cantadeira, charmosa, viola de dez cordas... Independente da denominação, já é parte da cultura brasileira. Plano de fundo de diversas canções que ilustram a cultura do país. Já faz tempo que a viola tem explorado novos horizontes além da moda caipira. E com o objetivo de reunir os responsáveis pelo cultivo desse som no território paulista, o Sesc-SP se dedicou na tarefa de casa lançando o CD “Viola Paulista”. A obra musical contém 19 faixas de dezenove violeiros do Estado de São Paulo, qual traz um panorama da versatilidade de uso da viola que, caipira ou não, foi e sempre será a primeira paixão do representante da região, Bruno Sanches, professor da Escola Municipal de Artes Professora Jupyra Cunha Marcondes, e morador de Regente Feijó, um dos convidados do “trabalho riquíssimo”, segundo ele.

Conforme Bruno, o convite surgiu a partir de um ex-professor da faculdade de música que era responsável pela curadoria e representação musical do projeto, Ivan Vilela. “Quando ele entrou em contato comigo fiquei muito honrado porque avalio o projeto como uma grande oportunidade de trazer visibilidade ao meu trabalho, tendo em vista que o Selo Sesc é influente no meio musical e um dos principais fomentadores da cultura”, destaca o violeiro.

Bruno contribui com o CD que é composto por uma canção de cada artista com a música instrumental “Catira do Vale”. O professor que foi escolhido pela música aos 15 anos adianta que vem novidades por ai. Está prestes a lançar um novo trabalho intitulado “Do Barroco às Barrancas do Rio”.

Divulgação / Dani Sandrini - Bruno Sanches na apresentação no Sesc Belenzinho, no lançamento do “Viola Paulista”

“É a música que escolhe a gente e não ao contrário”, garante o apaixonado pela viola.

 “Foi quase como um amor à primeira vista. Fui capturado, não foi pensado, depois que peguei a viola e a toquei pela primeira vez nunca mais larguei”,

Bruno Sanches

violeiro

Viola por paixão

Após concluir um curso técnico de violão clássico, com 17 anos, certo de que seguiria até o fim em seu curso de licenciatura em Música na USP (Universidade São Paulo) Bruno se deparou com algo que mudou os seus planos: a viola. 

“Foi quase como um amor à primeira vista. Fui capturado, não foi pensado, depois que peguei e a toquei pela primeira vez nunca mais larguei”, relata.

Por este motivo, Bruno transferiu o curso para bacharelado e deu início ao que viria a ser uma trajetória regada a cordas de viola e um “amor fulminante”.

Na música, ele conta que começou bem antes, com aulas aos 11 mas apenas aos 15, como já mencionado, decidiu que “queria viver disso”. Hoje é mestrando em Etonomusicologia também na USP e destaca que sua vida profissional é totalmente voltada à música.

“Costumo dizer que meu trabalho é muito legal, me divirto, eu amo palco, amo pesquisar sobre música”, revela.  

Ao ser questionado sobre o que a música significa em sua vida, a resposta foi direta. “Foi o que me transformou em quem sou e a forma como me relaciono com o mundo. É quase que uma devoção. É um constante aprendizado e os planos em curto prazo é conquistar o título de mestre para aperfeiçoar meus conhecimentos”, salienta.

Time de violeiros

Conforme o músico, durante a época de gravações – que foram realizadas em Campinas (SP) – e também na fase de lançamento do disco, teve a chance de conhecer outros sete participantes. “Uns eu já conhecia de nome, outros tive a oportunidade de ver seus trabalhos pela primeira vez e fiquei muito feliz com o resultado”, pontua.

Sobre o conteúdo do disco, cada faixa, Bruno avisa que as pessoas podem esperar coisas variadas “tanto na questão estética quanto nos sons”. Ele reforça que, no final, o projeto atingiu o objetivo central de traçar um panorama da exploração da viola enquanto instrumento versátil e de muitas linguagens. Fora isso, as expectativas para o crescimento do instrumento no mercado musical são grandes.

“Ela não é mais apenas aquele instrumento de música caipira. Acredite, ela vai além”, frisa.

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