Valorização da diversidade e diferenças

  • 15/08/2019 00:07
  • Danielle Aparecida do Nascimento dos Santos

Desde o século passado as políticas públicas em diferentes âmbitos têm gerado dispositivos com vistas ao ajustamento de desigualdades sociais e desenvolvimento pleno do ser humano em suas dimensões social, moral, emocional, afetiva, política, física, cognitiva, entre outras. O ser humano é plural, multicultural, diferente e para o pleno desenvolvimento das dimensões humanas devemos ter em mente a composição dos termos diversidade e diferença.

Refletir sobre a diferença é entender que a mesma vai muito além da identidade, ou seja, daquilo que nos "define". Tomaz Tadeu da Silva, no texto "A produção social da diferença", nos convida a pensar sobre isso: em oposição à identidade, que define, por exemplo, "eu sou brasileira" ou "eu sou afrodescendente", a diferença é aquilo que o outro é: "ela é italiana", "ela é branca", como algo completamente externa ao eu.

As afirmações sobre identidade e diferença, nesse sentido, dependem de declarações em geral negativas sobre o outro. Identidade e diferença são inseparáveis e a diversidade é o que aglutina um conjunto de identidades que se organizam em torno da sua diferença em relação ao outro. Pensemos nos indígenas, nos homossexuais, nos negros, nas pessoas com deficiência, em geral, consideradas minorias ou grupos opostos ao padrão etnocêntrico (branco, organizado socialmente pelo Estado, masculino, cristão, heterossexual e com tendência urbana).

Em um mundo imaginário e homogêneo, em que todas as pessoas teriam a mesma identidade, não seria necessária essa reflexão. No mundo real, conectado e cada vez mais globalizado e humanizado, as pessoas são heterogêneas, ou seja, diferentes, e todas têm o direito subjetivo de desfrutar de uma vida digna, uma educação de qualidade e uma convivência sadia com os seus “ímpares”.

Para valorizar a diversidade e as diferenças, a ideia de que existem grupos sociais historicamente excluídos, cujos direitos a ser em sua diferença deve ser o mote para o desenvolvimento social, jamais motivo para criar “lugares fixos” para que os seus direitos se desenvolvam. É por isso que em pleno século 21 não podemos pensar que deve haver uma escola ou uma empresa só para negros, só para pessoas com deficiência, só para pessoas pobres, etc.

Devemos criar situações práticas que envolvam o conhecimento, possibilitem um processo de aprendizagem de qualidade e valorizem a diversidade humana. Por meio das relações construídas a partir das experiências vividas com o outro, podemos estabelecer vínculos que potencializem o desenvolvimento de habilidades e práticas de inclusão, em seu sentido mais amplo e desprovido de preconceitos.

O grande escritor, pedagogo, poeta e filósofo brasileiro Rubem Alves nos ensina que uma das tarefas da educação é ensinar a conviver. Além do mais, o relatório da Comissão Internacional sobre Educação para o Século 21, da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), indica como quatro pilares da educação do futuro aprender a conhecer, fazer, ser e viver juntos. Conviver é viver em meio à diversidade e à diferença. Que possamos valorizar e reconhecer o direito a ideias e verdades diferentes das nossas.

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Danielle Aparecida do Nascimento dos Santos

Danielle Aparecida do Nascimento dos Santos

Danielle Aparecida do Nascimento dos Santos, doutora em Educação com ênfase em Educação Especial e Inclusiva. É docente do mestrado em Educação e coordenadora do curso de Pedagogia (presencial e EaD) da Unoeste (Universidade do Oeste Paulista)

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