COM MODERAÇÃO

Uso de eletrônicos requer equilíbrio, aponta psicóloga

  • 07/04/2019 06:00
  • GABRIEL BUOSI - Da Redação

Uma pesquisa realizada pelo Ibope (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística) revela que 52% dos internautas brasileiros, e que responderam ao questionamento da instituição, não conseguem ficar um dia inteiro longe do aparelho celular. Além disso, o levantamento revela que aqueles que conseguem passar um dia sem o smartphone somam 18% e há ainda 30% que indicam conseguir ficar sem seu celular por mais de um dia. Para a psicóloga Mariana Rodela, de Presidente Prudente, o uso de aparelhos eletrônicos, em especial o celular, invadiu o cotidiano das pessoas, seja no âmbito pessoal ou profissional, sendo que ela observa, no dia a dia, aquelas pessoas que não conseguem administrar o uso adequado deles e ainda apresentam dificuldade em colocar limites para fazer uso com equilíbrio desse recurso. “O ideal é estipular horário e períodos para que esse uso ocorra”, salienta.

O levantamento do instituto utilizou a seguinte pergunta: Por quanto tempo você consegue ficar sem usar seu smartphone? Duas mil pessoas responderam ao questionário, sendo internautas das classes A, B, C e D de todas as regiões do Brasil. “Dentre os que pouco que conseguem ficar sem o aparelho, 8% dizem que aguentam no máximo uma hora, 11% citam entre duas e três horas, mesmo percentual dos que mencionam até seis horas, e 7% aguentam até 12 horas. Todavia, há 15% que revelam que não conseguem ficar sem smartphone em momento algum”.

Uso moderado

A partir disso, a reportagem conversou com a psicóloga sobre o uso dos aparelhos eletrônicos, em especial o celular, momento em que a especialista alertou para os benefícios e malefícios desse contato tecnológico, sendo que a consequência, positiva ou não, dependerá do próprio usuário. A influência dos aparelhos eletrônicos pode ser muito proveitosa na hora de administrar, agendar as nossas tarefas do dia a dia, do trabalho, facilitar o desenvolvimento de projetos, aproximar pessoas distantes através das redes sociais, trabalhar a distância e também utilizar recursos e aplicativos que promovem o lazer ou aprendizado”.

Em contrapartida, ela afirma que o uso pode atrapalhar, se for permitido que o aparelho “invada os momentos” de convivência. “É comum ir a um restaurante ou barzinho e as pessoas das mesas estarem com um celular na mão, pois as famílias já não conversam. Em casa, é possível notar cada um no seu canto com o seu recurso tecnológico. As pessoas saem do trabalho, mas o trabalho as acompanha na palma da mão”.

Por isso, ela alerta para o fato de que quando se passa muito tempo conectado com aquilo que está distante, consequentemente ocorre um distanciamento das pessoas que estão ao lado. Para a autodisciplina, o ideal é estipular horário e períodos para fazer uso dos aparelhos eletrônicos. Em casos que envolvem os filhos, não adianta querer que ele se desconecte das telas enquanto você está preso a uma delas”.

Indicações

Por isso, Mariana afirma que antes dos dois anos de idade não é recomendado que os pais entreguem aparelhos eletrônicos aos filhos, e lembra que o ideal seria uma hora de uso para as crianças a partir dos dois e até cinco anos de idade, sendo que a partir dos seis anos esse tempo pode ser aumentado, se monitorado pelos pais. Para os adultos, conforme a psicóloga, tudo depende da relação de uso, que muitas vezes envolve o trabalho, mas que em casos de distração, esse período não deve ultrapassar duas horas e meia. “Saibam utilizar a tecnologia em seu favor para que seja capaz ensinar isso aos pequenos. Brinque com seus filhos, assintam filmes, façam as refeições na mesa, olhem nos olhos dos seus familiares e perguntem como foi o seu dia. A facilidade de conexão daquilo que está distante não substitui a felicidade de um abraço em quem está ao seu lado!”

PERFIL

Arquivo Pessoal - Aline diz que deixa de lado os eletrônicos para momentos com o filho

Nome: Aline Muchiut

Idade: 24 anos

Formação: Jornalismo

Universidade: Unoeste (Universidade do Oeste Paulista)

Qual seu contato hoje com os eletrônicos? Para quais meios utiliza?

Eu confesso que fico extremamente muito tempo no celular, o eletrônico que mais costumo usar. A maior parte do meu dia eu estou com o aparelho na mão.

Qual o tempo médio que você passa, por dia, nos eletrônicos e como você administra esse tempo?

Como eu trabalho atualmente com marketing digital, fico ainda mais conectada, pois além de ser o meu hobby que eu amo muito, é também o meu trabalho. Então, passo horas e horas do meu dia usando o aparelho celular, por exemplo.

Separa algum momento do dia para não usá-los, e ter um momento só seu?

Eu procuro não usar muito quando estou com meu filho e minha família, mas adoro registrar tudo também, então primeiro um flash (foto) e depois desligo, para não perder o momento. Essas horas com meu filho são preciosas, então mexo se realmente for necessário.

Sente ou já sentiu algum efeito prejudicial à saúde desse uso?

Devido eu usar muito o celular e também o computador, percebo que a minha visão ficou um pouco danificada, mas nada preocupante.

Quais são os benefícios que os eletrônicos proporcionam a você?

Os eletrônicos me proporcionam muita coisa, posso dizer que 100% de coisas positivas. É por meio do celular, por exemplo, que eu trabalho, é o meu famoso ganha-pão de hoje em dia.

E lado negativo, existe algum?

Acredito que tudo o que é demais pode ser prejudicial, então pode ser que se eu usar cada vez mais, isso me prejudique em algo. Mas, por enquanto, estou sabendo filtrar e organizar bem os horários de trabalho e lazer na internet, e fora dela também.

 

DICAS DE FILMES

Ela

2014

Divulgação

O filme Ela é uma mistura de suspense, com romance e drama. A história retrata a vida de um escritor que pode ser considerado por muitos como um homem solitário, de nome Theodore, interpretado por Joaquim Phoenix, que compra um sistema operacional para o seu computador e, acredite ou não, se apaixona pela voz do programa informático, o que dá início a uma relação inicialmente impossível e engraçada entre os dois. Ao longo do filme, o autor revela as carências emocionais, explora a capacidade de as tecnologias adentrarem a vida das pessoas e não deixa de lado o bom humor.