José Reis: Museu objetiva mostrar à comunidade a história dos índios que ocuparam o oeste paulista

Foto: José Reis: Museu objetiva mostrar à comunidade a história dos índios que ocuparam o oeste paulista

HISTÓRIA E CULTURA

Unesp reinaugura Museu de Arqueologia Regional

Unidade, fruto do Laboratório de Arqueologia Guarani e Estudos da Paisagem, foi aberta ao público pela primeira vez em 2016 e esteve em reformas nos últimos meses

  • 15/05/2019 08:20
  • GABRIEL BUOSI - Da Reportagem Local

A FCT/Unesp (Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Estadual Paulista) reinaugurou na tarde de ontem, em Presidente Prudente, o MAR (Museu de Arqueologia Regional). Conforme a própria instituição, a unidade é fruto do esforço do Laboratório de Arqueologia Guarani e Estudos da Paisagem, grupo de pesquisa coordenado pela geógrafa e arqueóloga, Neide Barrocá Faccio, também coordenadora do museu. “Queremos mostrar para a comunidade a história dos índios que ocuparam o oeste paulista, em um acervo rico e que, por exemplo, conta com a maior quantidade de itens dos Guaranis na região”, lembra.

Segundo a instituição, o museu foi aberto ao público pela primeira vez em 2016, no entanto, nos últimos meses esteve fechado para ampliação e remodelação, sendo reaberto para visitação pública ontem com o ato em questão. “A exposição de reabertura versa sobre as pesquisas e os achados arqueológicos do Laboratório de Arqueologia Guarani e Estudos da Paisagem em diferentes regiões do Estado de São Paulo - notadamente em municípios do norte e oeste do Estado. Destaque especial é dado à cultura cerâmica Guarani, a mais abundante no Estado, ao menos até o presente momento das pesquisas arqueológicas”.

Já a coordenadora lembra que, além da reabertura, a unidade trabalha para aliar o conhecimento à acessibilidade, cujo objetivo é promover a cultura para, por exemplo, as pessoas que não possuem a visão. O secretário de Cultura, José Fábio Sousa Nougueira, por sua vez, esteve presente na cerimônia e durante a fala lembrou que “sente na pele” o que é manter um museu, em alusão à unidade municipal. “Assumimos uma responsabilidade e sabemos que é difícil, principalmente, no que diz respeito aos investimentos. Por isso, o ato de hoje representa uma conquista e um merecimento à cidade”.

Ainda ontem, os presentes puderam conhecer peças líticas lascadas, típicas de grupos caçadores-coletores, e cerâmicas de outras etnias que ocuparam o interior paulista, como os Kaingang e Kayapó. “O Museu de Arqueologia Regional e o Laboratório de Arqueologia Guarani e Estudos da Paisagem ainda exibe peças etnográficas, maquetes históricas e acervo inclusivo, voltado para deficientes visuais”. Por fim, no início da noite, foi realizada a mesa-redonda: “Perspectivas, emergências e desafios para a gestão do patrimônio cultural hoje”. O debate contou com a presença dos pesquisadores Luiz Oosterbeek, de Portugal, José Luis de Morais e da coordenadora.

 

Serviço

O Museu de Arqueologia Regional, desde ontem, está permanentemente aberto para visitação monitorada. As visitas são gratuitas, mas devem ser agendadas. A unidade fica no Núcleo Morumbi da FCT/Unesp de Presidente Prudente, na rua Cyro Bueno, 40 – Jardim Morumbi.

 

Sobre a exposição de reinauguração:

“A arte e tecnologia Ameríndia no Planalto Paulista”

 

- Os Garani

Originários do tronco linguístico tupi-guarani, os grupos ocuparam amplos territórios do oeste paulista no período pré-colonial. A sofisticada cerâmica Guarani é a mais evidenciada nas pesquisas arqueológicas realizadas pelo Laboratório de Arqueologia Guarani e Estudos da Paisagem da FCT/Unesp.

 

- A tradição Aratu-Sapucaí

Pesquisas atuais realizadas pelo laboratório resgataram um exemplar de urna Aratu, totalmente preservado, em escavações no município paulista de Ituverava. A cerâmica pode ter relação com as ocupações dos grupos Kayapó. Os potes de formato cônico são indicadores da tradição.

 

-Os Kaingang

Foram a última etnia indígena a sofrer o impacto no avanço da sociedade brasileira sobre o planalto paulista, já nos primeiros anos do século XX. Nesse período, os Kaingang estavam estabelecidos na área que vai do Rio Paranapanema à margem esquerda do Rio Tietê.

 

- Líticos Lascados

As primeiras populações que ocuparam o planalto paulista tinham um modo de vida caça-e-coleta e produziram uma indústria lítica lascada bastante funcional para atividades coloniais.

 

Fonte: Museu de Arqueologia Regional