COTIDIANO

Um trem de ferro, uma estação

  • 30/04/2019 04:26
  • Arlette Piai

Nem sempre o povo brasileiro pôde reclamar dos seus representantes. O Brasil foi governado por quase meio século pelo monarca diferenciado - Dom Pedro 2º. Na época ele conduziu o Brasil a condições similares aos Estados Unidos, fez da marinha a segunda melhor do mundo superando Espanha, Estados Unidos, Holanda, Portugal, consolidou a unidade territorial, e iniciou a modernidade do Brasil antes da Europa. Dom Pedro 2º, monarca de grande saber, entendeu a necessidade do transporte ferroviário pela extensão do Brasil. Entendeu e fez. No século 18, quando o Reino Unido criou o primeiro trem de ferro, ele também o fez no Brasil, antes mesmo dos demais países da Europa. O plano de Dom Pedro 2º era cortar e unificar todo o Brasil com transporte ferroviário. Mas não deu tempo, em consequência de a princesa Isabel assinar a lei Áurea, os coronéis e militares proclamaram a República sem que a população e, talvez, eles mesmos soubessem o que é República. Expulsaram o grande monarca que deixou uma economia estável no nosso país.

Após a República, as ferrovias pouco foram expandidas e, com o tempo, abandonadas e depois levadas a óbito. Na Europa os trens de ferro construídos na mesma época dos nossos estão conservados e funcionando. No Brasil as obras faraônicas rodoviárias tiveram seus cofres abertos que levaram a quase exclusivo meio de transporte “aos interessados” pelas rodovias para o transporte pessoas e também de cargas. Com a destruição das ferrovias, consequentemente, lucravam e lucram mais e mais as corporações dominantes desse sistema. Até nossa eficaz EFS (Estrada de Ferro Sorocabana), nascedoura de Presidente Prudente e cidades ao derredor, fora cruelmente depredadas. Por quem?

Hoje mais de dois terços do transporte de carga são feitos por caminhões, pelos cálculos do Instituto de Logística a má qualidade das estradas, faz que o caminhoneiro leve um mês para rodar 4,4 mil quilômetros, o que dá uma velocidade média de 5 km/h. É viável, leitor? Isso encarece o preço do transporte, que encarece o frete, que encarece os produtos, que empobrece a vida. Em 2018, a greve dos caminhoneiros deixou o país de joelhos e esse fato tende reaparecer enquanto a causa não for atacada. Acabamos por pagar o preço pelo descaso e abandono do passado, pela busca de lucros sem parâmetros, e egoísmo feroz que traduz empobrecimento da nação. O quadro de dependência das rodovias deve estar claro que é um engodo e não tem sustentação. E qual é o plano do governo?

Todos torcem pelo rumo certo do nosso querido e machucado Brasil. O vice-presidente, Hamilton Mourão, escolhido pelo presidente da República, tem demonstrado equilíbrio e intermediado com lisura algumas ações passionais do presidente. Mas imagine, leitor, que Olavo de Carvalho, que é mais americano que brasileiro, quer governar o Brasil de lá dos Estados Unidos. Carlos Bolsonaro, filho do presidente, que é amigo de Olavo de Carvalho, que é inimigo de Hamilton Mourão, que não é amigo das ideias de Olavo de Carvalho, tem recebido ataques contínuos do filho e amigo do filho do presidente. No frigir dos ovos: O deputado Marco Feliciano (Podemos), amigo do amigo do filho do presidente, entrou com pedido de impeachment contra o vice-presidente Hamilton Mourão, escolhido pelo presidente! Dá para entender ao menos mais ou menos, leitor? Difícil, né? Isso lembra o ditado popular: “Casa isenta de “não” todo mundo briga, ninguém tem razão, aumenta assustadoramente a desarmonia e confusão”.

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