José Reis - Houve menos formação de nuvens no período e altas temperaturas, analisa meteorologista

Foto: José Reis - Houve menos formação de nuvens no período e altas temperaturas, analisa meteorologista

SINOPSE CLIMÁTICA

Trimestre é marcado por tempo mais seco e quente

  • 14/04/2019 06:00
  • THIAGO MORELLO - Da Redação

Para quem viveu o último verão prudentino, reclamar do calor intenso tornou-se uma rotina durante alguns dias ou até semanas. A percepção física pôde garantir o cenário, mas os números também. A sinopse climática divulgada pela Estação Meteorológica da FCT/Unesp (Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Estadual Paulista) mostra que o primeiro trimestre de 2019 foi marcado por um tempo mais seco e quente. Para ter uma ideia, a precipitação média do período foi de 452,2 mm (milímetros), número inferior ao valor histórico (517 mm), que compreende o período de 1969 a 2015. São 64,8 mm a menos.

Dos 90 dias, 37 deles foram com chuvas na cidade, que diminuiu a quantidade gradativamente a cada mês, assim como de costume, naturalmente falando. Isolada e respectivamente, o estudo mostra que nos meses de janeiro, fevereiro e março teve 200,8 mm, 154,6 mm e 96,8 mm de precipitação. “Choveram poucos dias, o que contribuiu, naturalmente, para um clima mais seco e mais quente. Historicamente falando, foi um período com menos formação de nuvens, ou seja, mais ensolarado”, analisa o meteorologista e responsável pela pesquisa, José Tadeu Garcia Tommaselli.

A diminuição de milímetros afeta a temperatura, ao passo que ela impulsiona num clima mais seco. O estudo mostra que, na média, a temperatura do trimestre desse ano ficou em 1,1ºC a mais que a série histórica, fechada em 25,2ºC. No entanto, ele lembra que, na verdade, a análise das temperaturas mínimas é que podem fomentar a mudança.

Desta forma, só no último mês - por exemplo -, a temperatura praticamente dobrou. No período 1969-2015 foi registrado no município a mínima de 9ºC, enquanto em 2019 ficou em 18,3ºC. “Principalmente à noite nós conseguimos perceber as temperaturas mais elevadas, com um calor maior que demais dias ao longo do ano”, completa.

Questionado sobre o que impulsiona essa situação, o meteorologista argumenta que o estudo não consegue verificar as causas exatas, contudo, “uma vez que as temperaturas são maiores no ambiente urbano. Onde o homem vive”, não pode se destacar que o mesmo tenha influencia para o cenário.

Umidade do ar

A OMS (Organização Mundial de Saúde) recomenda que a umidade relativa do ar deva estar acima de 60%, a fim de que não impulsione um mal-estar físico, além das doenças respiratórias que o tempo seco traz. A título de curiosidade, na média mínima de cada mês do trimestre, o único indicador que ficou abaixo do recomendado foi o de fevereiro, com 56%. Em janeiro, o número chegou a 67% e em março 69%, ainda como relatado no estudo.

Sinopse climática

Período

Temperatura

Precipitação

Umidade relativa (%)

Máxima

Média

Mínima

Milímetros (mm)

Dias com chuva

Máxima

Média

Mínima

Janeiro

36,8

27,5

19,7

200,8

13

100

65

67

Fevereiro

36,8

26,1

19,5

154,6

12

100

68

56

Março

33,1

25,3

18,3

96,8

12

100

68

69

Total/Média

35,5

26,3

19,1

452,2

37

100

67

64

Fonte: Estação Meteorológica da FCT/Unesp