Trazer de volta a importância da família significa lutar contra o individualismo

03/11/2018 05:55:00

De forma ironicamente proporcional a mesma medida em que os casamentos caíram em 2018 na região de Presidente Prudente (-5%) é dobrado o percentual de divórcios registrados no período (+10%). Em números absolutos, tivemos 5.895 uniões em 2016 contra 5.552 no ano passado (343 a menos) e 2.245 separações no dado anterior contra 2.473 no mais recente (228 a mais). É inegável que o cenário revelado do Registro Civil, divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) demonstra a forma como a sociedade se desprendeu da ideia - ou talvez da necessidade – de formar uma família dentro da concepção que até então vigorava.

Por um lado, é evidente que existem certos avanços sociais em termos de relacionamentos afetivos: hoje as pessoas não se veem mais obrigada a permanecer em relacionamentos abusivos e nos quais há muitas vezes violência, como antes; há uma maior autonomia da mulher que não mais “depende” do parceiro e não há mais uma obrigação em “aceitar” um parceiro (a) por pressão familiar, sendo o casamento uma escolha de dois indivíduos.

No entanto, por uma ótica, o dado corrobora uma conclusão bastante trágica a respeito de um dos pilares da sociedade de consumo na qual vivemos, que é o individualismo. Cada vez mais essa cultura de “crescer, ser alguém e construir uma vida” faz com que as pessoas tenham anseios muito relacionados a elas mesmas, de modo que nem sobra espaço para encaixar outra pessoa em seu futuro. Os objetivos são cada vez mais relacionados a vida profissional, acadêmica ou necessidade de “novas experiências” (conhecer outros países, novas culturas, etc) e cada vez menos sobre crescer e evoluir através da relação com outros seres.

Isso naturalmente passa pelo casamento, mas também gera uma onda de relacionamentos superficiais de amizade e até familiares. Nunca as pessoas estiveram tão aglomeradas como hoje nos grandes centros, ligadas umas às outras por redes invisíveis de internet e de telefonia, mas nunca na história da humanidade elas se sentiram tão solitárias e sem propósito como se sentem hoje. É comum ver pessoas que “têm tudo” aparentemente, mas vivem de forma miserável e infeliz, sem atingir nenhum nível de satisfação individual.

 Isso acontece toda vez que o “eu” se torna o foco da existência todo o resto acaba esmaecendo e há uma grande confusão ao entorno da identidade do indivíduo. Devolver sentido à vida é entender que o real valor não está naquilo que o tempo corrói ou que o vento destrói. É perceber que a permanência é maior quando a experiência é compartilhada e priorizar o que traz recompensas eternas.

 

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