Tecnologia e educação em tempos de quarentena

  • 26/03/2020 04:29
  • Danielle Santos

Há alguns anos, os termos educação disruptiva e educação digital têm sido muito disseminados. No entanto, sempre que se fala de educação é necessário retomar conceitos e contextualizar com o momento vivido. O movimento Educação Aberta existe há 50 anos e propõe, entre outras práticas, envolver o maior número de aprendizes possível.

Na área da Tecnologia Educacional, os chamados Recursos Educacionais Abertos, ou REA, são materiais digitais geralmente chamados de objetos de aprendizagem, elaborados para fins educativos e cuja propriedade intelectual foi cedida pelo(s) autor(es) para o uso livre e irrestrito de qualquer pessoa, via internet.

Desde os anos 2000, universidades renomadas do mundo inteiro, como Harvard, Stanford e MIT, têm disponibilizado os seus conteúdos digitais para amplo e livre acesso por quaisquer usuários. Isso significa uma lógica de partilha do conhecimento acumulado e uma nova possibilidade de acesso por aprendizes.

Ainda nesse movimento, surgem as chamadas plataformas educacionais adaptativas ou disruptivas, cujo objetivo é disseminar a maior quantidade de informação disponível. E aí chegamos ao ano 2020 e uma mudança inesperada faz com que as instituições de educação presencial percebam, nessas propostas de educação aberta, a oportunidade de aproveitar o melhor da tecnologia para que a educação de um país não fique parada.

Instituições têm propagado a abertura dos seus conteúdos para uso irrestrito dos estudantes nos mais diferentes níveis

No Brasil, com as medidas restritivas por conta do Covid-19, centenas de instituições têm propagado a abertura dos seus conteúdos para uso irrestrito dos estudantes nos mais diferentes níveis.

A realidade é uma só: precisamos romper com a ideia de que só se aprende em uma aula presencial. Aprende-se quando existe orientação bem organizada, quando o estudante sabe por onde percorrer para entender um conceito e quando ele encontra na tecnologia apoio para uma comunicação colaborativa.

Que possamos trabalhar com a oferta de uma aprendizagem móvel, colaborativa e auto-organizada pelos estudantes. Oferecer boas leituras, boas indicações de recursos educacionais disponíveis em rede e orientá-los na difícil tarefa que é aprender em tempos de crise. Isso é educação disruptiva.

 

 

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Danielle Santos

Danielle Santos

Doutora em Educação com ênfase em Educação Especial e Inclusiva. Docente do Programa de Pós-Graduação em Educação e coordenadora do curso de Pedagogia (presencial e EAD) da Unoeste (Universidade do Oeste Paulista)

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