Técnico faz de treinos uma forma de gratidão

Após morte de Tide, Jayme Netto comanda parte física de grupo que era supervisionado pelo primo

JULHIA MARQUETI - Especial para O Imparcial • 11/04/2018 20:20:09

Imagem de 1995 mostra Tide (à esq.), junto com Jayme Netto (à dir.). Foto: Cedida/Jayme Netto Junior

No início de fevereiro deste ano, faleceu um dos treinadores mais importantes do território nacional. Conhecido como Tide, Aristides de Andrade Junqueira Neto treinava um grupo de atletas olímpicos antes de ficar internado por aproximadamente dois meses até sua morte. Ficou marcado por treinar o saltador em distância Mauro Vinícius Hilário Lourenço da Silva, Duda, bicampeão mundial indoor, em 2012 e 2014. Tide era primo do treinador prudentino Jayme Netto Junior, que desde então passou a comandar o grupo em forma de gratidão e reconhecimento por todo o bem que foi feito em vida, na pista de atletismo da FCT/Unesp (Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade Estadual Paulista), em Presidente Prudente.

Se tratando do primeiro treinador, além de primo de sangue e considerado pai e melhor amigo, Jayme Netto aceitou o pedido dos atletas porque sabia o que representava para o Tide aquele papel. “Estou fazendo pelo Tide, por gratidão e reconhecimento. Tive uma relação muito forte com ele, de melhor amigo mesmo, senti muito sua morte, por isso estou fazendo isso. Graças a Deus tive a oportunidade de agradecer enquanto estava vivo, mas fazer isto agora é muito gratificante”, conta. Mesmo antes da morte de Tide, o treinador já vinha trabalhando como assistente do treinador, passando para o elenco o que Tide queria que fosse passado.

Com o agravamento do caso, o objetivo dele com o grupo passou a ser a construção da parte física dos atletas. “Eu dou assistência na parte física, preparação e construção. Já estão aqui faz umas cinco semanas treinando realmente, em conjunto com o Ito. Eu dou a parte de velocidade, força, resistência e o Ito a técnica do salto’, explica.

A escolha de treinar em Prudente e não continuar em São Caetano do Sul (SP) foi feita por conta de não querer comprometer os atletas com viagens de ida e volta, além da forte lembrança do ex-técnico que o lugar traz. “Acabaram ficando aqui, além do custo elevado de ficar indo e vindo, tem o desgaste físico, psicológico, por isso vamos ficar aqui um tempo, fora que a cidade lembra muito o Tide, lógico que ninguém vai esquecer ele, mas ameniza a dor da perda”, comenta.

Futuro

Após o tempo de treinamentos, o saltador Duda e o treinador viajam até Portugal, onde Jayme Netto vai comandar um curso e procurar um novo clube para o atleta. “As decisões vão ser tomadas em conjunto, mas o esporte aqui no Brasil está muito cruel. Eu trabalhei no Benfica por dois anos, talvez fosse legal o Duda treinar por lá, mas as decisões vão ser tomadas em conjunto, não adianta só eu querer algo”, explica.

Sobre o atleta que passou por diversas lesões nos últimos anos, a debilitação física era preocupante. “Ele teve muitos problemas, precisou de cuidados. Agora sim estamos vendo o Duda com boa parte física, alimentação regrada, tudo em ordem”, revela. Para ambos, a expectativa para as Olímpiadas de 2020 são grandes. “Acreditamos nele, que ele possa estar lá”, conclui.

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