Marcio Oliveira - Salvador dedica seu tempo na produção de conteúdos para seu blog sobre esclerose múltipla

Foto: Marcio Oliveira - Salvador dedica seu tempo na produção de conteúdos para seu blog sobre esclerose múltipla

Doença sem cura

SUS passa a oferecer maior quantidade de medicamento contra a esclerose múltipla

Acetato de glatirâmer pode ser retirado agora em 40 miligramas pelo sistema público, sendo que, antes, quantidade permitida era de 20 miligramas

  • 07/02/2019 09:04
  • SANDRA PRATA - Especial para O Imparcial

Tratar de esclerose múltipla pelo SUS (Sistema Único de Saúde) ficou mais viável. Isso porque, segundo informações da “Agência Brasil”, o Ministério da Saúde divulgou em janeiro que um dos medicamentos da doença, o acetato de glatirâmer, agora pode ser retirado em maior quantidade, 40 miligramas, no sistema gratuito. Até então, a quantia era de 20 miligramas. A mudança permite que o paciente reduza de 7 para 3 as doses injetadas todas as semanas. No HR (Hospital Regional) Doutor Domingos Leonardo  Cerávolo de Presidente Prudente, em 2017, a média mensal de atendimentos da patologia era de 6,5. No ano passado, o número se manteve estável, média de sete a cada mês.

De acordo com Antônio Ferrari, neurologista do hospital, a novidade irá beneficiar esses pacientes. E, conforme o especialista, se trata de uma doença que não tem cura e nem formas de evitar. “Normalmente, mulheres entre 30 e 50 anos são mais vítimas que os homens”, pontua.

Nesse contexto, o especialista explica que a esclerose, “como o próprio nome diz, tem múltiplas faces”. Sendo assim, atinge diferentes partes do corpo por meio de pequenas áreas de neurônios, que são encapados com bainha de mielina. “A pessoa perde o senso de equilíbrio, se a doença atingir a área referente à linguagem, sua fala fica prejudicada, em alguns casos, o paciente perde a força dos membros, às vezes só das pernas, tudo depende da área em que surgirem essas placas”, explica. Após o diagnóstico, o médico relata que existem dois caminhos a serem percorridos, sendo que ambos são tratamentos à base de medicamentos. “O procedimento depende do quadro de cada indivíduo”, explana.

“Esclerosando”

“Em 3,2,1 – Esclerosando” é o nome do blog do prudentino Salvador Cruz Neto, que tem 28 anos e há uma década vive com a esclerose múltipla. Formado em jornalismo, o jovem hoje é aposentado por invalidez e depende de cadeira de rodas ou muletas para conseguir caminhar. Pensando em uma forma de ter mais informações sobre a doença, criou o blog em 2009 e, desde então, desenvolve conteúdos voltados não apenas à rotina, mas também a tópicos relevantes socialmente. “O último post que eu fiz, por exemplo, era sobre rampas de acessibilidade e sobre a importância delas não apenas para pessoas com deficiência, mas também para idosos e mulheres com carrinhos de bebê”, diz.

Embora hoje esteja há dois anos sem surtos da doença - que começou com falta de equilíbrio e visão dupla -, Salvador admite que nos primeiros meses do diagnóstico foi um choque, pois “as informações que encontrava na internet não eram animadoras”. Entretanto, conheceu “diversas pessoas por meio da internet”, que fizeram com que visse a sua situação como “branda” e entender que existem “pessoas em contextos piores e que suportam a doença”. Com isso, não vê a esclerose como uma razão para reclamar e sim como um desafio que pode ser vencido. Ao lado da mãe, da irmã e do cunhado, realiza o tratamento gratuito aqui mesmo na cidade. “Não faço uso desse medicamento em questão, mas, pensando nas outras pessoas, acredito que será um benefício e tanto”, frisa.

Centro de referência

Como já noticiado por este diário, hoje Prudente é um centro de referência no tratamento da esclerose múltipla. Antes disso, após o diagnóstico, o paciente era encaminhado a Marília (SP) para proceder com o tratamento. Salvador presenciou essa época e, conforme ele, agora fica “tudo mais fácil”, por poder ser tratado aqui.

SAIBA MAIS

O blog “Em 3,2,1 – Esclerosando” pode ser acessado pelo link: http://esclerosando.blogspot.com.