Sociólogo fala sobre fim dos tradicionais bailes de salão

Variedades

| OSLAINE SILVA - Da Redação

Há tempos não existe mais aquela animação das pessoas que se mobilizavam meses antes atrás de costureiras para confeccionarem suas fantasias para pular o carnaval nos bailes de salão! E aqueles que viveram isso, muitas vezes se perguntam: o que foi que aconteceu? A reportagem foi em busca de uma resposta. Segundo o sociólogo Wilson de Luces Fortes Machado, algumas décadas atrás, as pessoas tinham poucos lugares, assim como poucas oportunidades de formar grupos sociais. Conforme ele, lá atrás os espaços de sociabilidade eram bem pequenos onde elas se conheciam, trocavam endereços, escreviam cartas umas as outras.

“As festas religiosas, na zona rural, por exemplo, eram muito grandes, porque cada um morava em um sítio, longe um do outro e ali era a oportunidade de se encontrarem. Por isso aquela história de Santo Antonio ser casamenteiro. Todo mundo ficava bonito para ir às festas e arrumar um namorado. E arrumava, porque ninguém nunca se via [risos]. Acontece que com o tempo as pessoas foram se tornando mais urbanas e implantaram os clubes, para criar essa sociabilidade”, expõe Wilson.

A partir de então, as pessoas começaram a melhorar a condição de moradia, passaram a morar mais agrupadas e então, a sociabilidade já existe não tendo a necessidade de ter espaços onde se estabeleçam relações sociais. As pessoas antecipadamente já se conhecem e fazem suas festas particulares.

E para os clubes que tem uma queda no número de pessoas que usam seus serviços não é mais interessante e muito menos viável investir em festas.

 

As festas religiosas, na zona rural, por exemplo, eram muito grandes, porque cada um morava em um sítio, longe um do outro e ali era a oportunidade de se encontrarem

Wilson de Luces Fortes Machado,

sociólogo

 

Expectadores de um show

Outra questão apontada pelo sociólogo é a frequência das festas. De acordo com ele, antigamente, por exemplo, uma criança só ganhava presente no Natal, hoje elas ganham o ano todo. As pessoas só comemoravam o carnaval em um período específico, hoje elas fazem praticamente o ano inteiro. Ou seja, o tempo trouxe uma mudança nas relações e a tecnologia ajudou muito nisso.

Wilson destaca que há uma tendência mais próxima do século 21, que é a fragmentação dos grupos. Ele comenta que da mesma forma que se fala que com a globalização todo mundo ficou junto. Dentro dela houve uma “tribalização”: “as pessoas formam seus pequenos grupos e querem interagir dentro deles. Basicamente isso explicaria o fim dessas manifestações populares. Nas cidades maiores isso adquiriu outro aspecto. A população se tornou expectadora de um show. Deixou de ser um carnaval que se brinca para ser num carnaval onde se observa quem tem dinheiro para comprar abadás e participar dos blocos”, explana o sociólogo.

Comente com o editor

Estilo do Site
  • Luz
  • Alto Contraste